Coliseu dos Recreios, Lisboa, 29 de Abril de 2010
Coliseu dos Recreios, Lisboa, 29 de Abril de 2010
Era com a habitual expectativa que aguardava mais um concerto dos Mão Morta, que trazia como aperitivo o novo
"Pesadelo em Peluche" e a comemoração dos 25 anos da banda de Braga, que afinal não aconteceu pois nem foi feita qualquer menção à efeméride.
Mas a expectativa saíu em parte gorada. Não que tivesse sido um mau concerto, longe vá a heresia. Mas vamos ser francos: as músicas de
"Pesadelo em Peluche" não são particularmente brilhantes no seu geral e ocuparam boa parte do concerto, como é compreensível. Depois, há o problema que se calhar um iniciado nos concertos da banda não reparará mas que os veteranos (e a julgar pela média de idades seriam boa parte do público) começam a notar: os "clássicos" apresentados ao vivo são quase sempre invariavelmente os mesmos. É evidente que temas como o mítico
"Oub'lá" que abriu o concerto, o devastador
"Anarquista Duval" que encerrou o alinhamento principal ou o hino ao deboche que é
"Amesterdão" são históricos nos concertos dos Mão Morta, mas já começa a cansar ouvir sempre
"Charles Manson", "Quero Morder-te As Mãos", "Tu Disseste" ou
"Budapeste", excelentes músicas sim senhor, mas uma banda com 25 anos e mais de uma dezena de álbuns não pode deixar eternamente de fora canções tão marcantes como
"Morgue", "Paris", "Anjos Marotos" ou
"Chabala" só para referir alguns que são constantemente pedidos mas nunca tocados. Maior variedade nos alinhamentos das sucessivas digressões seria muito bem vinda. Ou então sou eu que já vi demasiados concertos dos Mão Morta.
Esta crítica é assumidamente subjectiva mas parece encalhar fatalmente num certo marasmo do qual o recente trabalho é bom exemplo. Uma banda de imensa qualidade técnica e artística mas que começa a soar repetitiva e cansada num eventual beco sem saída que esperamos seja apenas passageiro.
Em relação ao concerto em si, meia casa, público também já a acusar a idade, pois tem envelhecido com a banda (viram-se poucos "miúdos") e um ritual que foi uma espécie de celebração entre temas antigos (os mesmos de sempre) e os do novo álbum, que a meu ver, não resultou como poderia ter resultado.
Foi um bom concerto apesar de tudo, mas "bom" é algo que no caso dos Mão Morta sabe a pouco, muito pouco.