Maçonaria sem juízes
Os juízes não querem ver os seus pares na maçonaria, Opus Dei, órgãos desportivos ou cargos de confiança política.
O Compromisso Ético aprovado ontem, por unanimidade, no 8º Congresso dos Juízes Portugueses, rejeita a participação dos magistrados em "organizações secretas" e "em actividades cívicas externas às funções, que impliquem sujeição a apreciações públicas e vexatórias.
Presente no encerramento do congresso, o ministro da Justiça disse não ter nada a opor ao desejo dos juízes. "É importante para a transparência dos magistrados", disse António Martins, presidente da Associação Sindical.
No documento, que também vai ser entregue ao Presidente da República, os juízes sublinham a importância da auto-regulação e responsabilização do poder judicial, a simplificação da legislação processual e o maior policiamento dos tribunais.
Os magistrados esperam agora que a proposta chegue à Assembleia da República, órgão onde o estatuto dos juízes pode ser alterado. Uma situação que, no entanto, está longe de ser pacífica, atendendo a que a proibição é entendida por muitos como inconstitucional.
O presidente do Supremo Tribunal Administrativo, Santos Serra, disse que "o fosso entre ricos e pobres aumentou" na Justiça e que "os fracos são discriminados".