tomix
New member
Estão a pintar um cenário muito negro.
Se, logo à partida, vão com esse pensamento negativo que os nativos são chatos, com receio de se exporem numa situação perigosa, de trocar a mulher por camelos [] etc. então se calhar é melhor irem para "Albufeira" que é tudo muito mai' lindo e mai' bónito. [
]
Se vão para Marrocos - África (temos Marrocos em Tavira[]), convém interiorizar que a realidade lá é diferente da realidade cá.
Se não contam com isso, aí sim, podem ficar assustados.
Estive em Marrocos sozinho (de mota), tive uma experiência extraordinária e, apesar de ser pouco viajado, foi o povo que mais me marcou, pela POSITIVA, até hoje.
Muito, muito resumidamente, vou explicar porquê:
Tive uma avaria grave na minha mota no meio do "nada".
Muitas aventuras e desventuras depois, cheguei a Casablanca.
Os nativos recomendaram-me uma oficina nos subúrbios e basicamente deram a entender o seguinte:
"Se a oficina estiver aberta, porreiro, estás safo. Se estiver fechada, pira-te rapidamente porque a zona não é muito aconselhável a forasteiros". []
Fui.
Um dos nativos ajudou-me a empurrar a mota por ~3 Km (a mota não andava pelos próprios meios).
Na oficina fui bem recebido e comprometeram-se a reparar a avaria.
Estive lá 3 dias.
Durante esse tempo aconteceram muitas coisas que me marcaram:
Levaram-me a almoçar com eles. Não me deixaram pagar.
A oficina era uma espécie de centro de convívio, toda a gente aparecia lá para mandar uns bitaites enquanto se bebia chá, laranjada e mais, que também não me deixavam pagar.
Fui excepcionalmente bem tratado por todos.
Levaram-me a jantar com eles. Não me deixaram pagar.
No último dia, depois da finalizarem a reparação, prepararam um almoço de despedida.
Momentos antes de partir, quando perguntei qual era o valor a pagar pelo trabalho que fizeram na minha mota a resposta foi: Nada, não nos deves nada.
Não tive palavras para agradecer.
Como curiosidade, deixo uma foto do tal almoço de despedida, na própria oficina []:
Por isso, na minha opinião, levar o espírito aberto e não ir "pré-formatado" é meio caminho para aproveitar melhor o País e as pessoas.
O ditado "Em Roma sê Romano" aplica-se na perfeição a Marrocos também. []
Boas férias.
Esse espirito de ajuda e altruísmo foi exactamente o oposto do que encontrei num outro país do Norte de África, no caso o Egipto. Onde quer que fosse o objectivo deles era extorquir-me dinheiro, enganar-me nos trocos do taxi, vender gato por lebre, etc....[
Outra coisa que notei e me desagradou profundamente foi no Hotel onde fiquei, por sinal bom e caro, a cara trocista e até cínica de muitos dos empregados quando contactavem contigo. (comportamento diametralmente oposto de um dos meus destinos de eleição, o Sudoeste Asiático)
Sendo verdade, no entanto, que eu não tenho grande espirito de aventura, não gosto de me sentir inseguro ou que não controlo as situações e que portanto sou naturalmente avesso a ambientes onde estou constantemente a ser abordado, 99,9% das vezes para ser enganado.
Última edição: