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Desde que ficou claro que Montezemolo estava de saída da Ferrari, Fernando Alonso e Marco Mattiacci reuniram-se por diversas vezes para tentar encontrar uma forma de continuarem a trabalhar juntos. Dias depois do GP de Singapura, os dois tiveram nova reunião, em Maranello, na qual o relacionamento entre ambos chegou ao ponto mais baixo. Alonso continuou a exigir garantias de maior competitividade para 2015, exigiu novas contratações para o departamento técnico, mas Mattiacci acabou por lhe dizer, secamente, que quem dirigia a equipa era ele e que o espanhol não tinha nada que fazer exigências, pois tinha um contrato válido com a Ferrari. Alonso enervou-se de forma audível fora da sala de reuniões, e acabou por deixar Maranello furioso, depois duma troca de palavras nada amigável com o seu ainda patrão.
Nos dias seguintes Luís Garcia Abad e Mattiacci estiveram em contacto, ficando cada vez mais claro que ambas as partes preferiam um divórcio no final da temporada a manterem-se juntas por mais dois anos. Ao mesmo tempo, Mattiacci contactou Sebastian Vettel – piloto que não tem gestor de carreira e toma as suas decisões sozinho – avisando-o que tinha um lugar à sua espera e que cabia ao alemão accionar o direito de opção que tinha acordado com a Ferrari, já lá vão três anos, e que estava à sua disposição anualmente. Vettel mostra-se disponível, mas pede alguns dias para decidir.
Já em Suzuka, tudo se passou de forma bastante veloz, para surpresa de todo o paddock.
Quinta-feira à noite: Mattiacci e Garcia Abad chegam finalmente a um acordo de rescisão de contrato entre a Ferrari e Alonso, sem que qualquer das partes tenha de indemnizar a outra. Acertam-se detalhes relativos aos últimos três meses de contrato e Alonso é informado, antes de dormir, que é um piloto livre para 2015. Mattiacci contacta Vettel e pede uma decisão imediata, mas o alemão pede mais 24 horas para decidir. Novo contacto, já noite adentro, leva a um acordo entre as partes.
Sexta-feira de manhã, no circuito: Vettel procura Horner ao pequeno-almoço e pede uma reunião. O líder da Red Bull antecipa a razão, por já suspeitar do que se estava a passar, mas insiste que Marko e Matteschitz também ouçam o alemão. Como o dono da Red Bull está na Europa, a reunião fica marcada para a noite, no hotel. Horner explica a Marko o que se passa, mas este não lhe comunica que já sabe da decisão de Vettel;
Sexta-feira à noite, no hotel do circuito: Horner janta com amigos, toma um café com Martin Brundle e vai ao quarto de Vettel, onde o alemão e Marko já o esperam. Matteschitz é contactado e o tetra-campeão do Mundo explica aos três que decidiu accionar a clausula que lhe permitia sair para a Ferrari – a única que tinha no seu contrato – e que abandonará a Red Bull no final do ano. Depois, no quarto de Horner, o inglês e Marko decidem que será Daniil Kvyat o companheiro de equipa de Ricciardo no próximo ano e Marko comunica essa decisão a Franz Tost.
Sábado de manhã, no circuito: Horner e Marko sentam-se ao lado de Kvyat quando este iniciava o seu pequeno-almoço e comunicam-lhe que vai ser piloto da Red Bull no próximo ano. Minutos mais tarde, a Red Bull comunica oficialmente a saída de Vettel e a promoção de Kvyat da Toro Rosso para a Red Bull Racing. Em todas as entrevistas que dá, Horner faz questão de mencionar a Ferrari como destino de Vettel, mas na Scuderia ninguém confirma qualquer contratação e Alonso também se fecha em copas. Na McLaren, Ron Dennis e Eric Boullier acertam agulhas, pois é o francês que fala directamente com Alonso, enquanto Dennis negoceia com Garcia Abad.
Fonte: Cronologia duma semana agitada para Fernando Alonso - Autosport.pt