Mas qual é o nível de segurança razoável que mantém o risco e a piada, para o sr.? Eu percebo o que ele quer dizer e pessoalmente não gosto, por exemplo, da facilidade com que se anda fora de pista hoje em dia, devido às escapatórias asfaltadas. Considero que era muito mais de piloto quando não se podia meter a rodinha fora de pista sob pena de perder tempo ou até despistar-se. Obrigava a mais concentração e a desenvolver mais os dotes de pilotagem.
Mas a segurança, no seu todo, tinha de evoluir. O sr. não podia esperar que hoje em dia ainda se competisse num charuto preso a 4 rodas e a um motor de 900CV numa pista delimitada por fardos de palha com fotógrafos inclinados sobre a mesma. Como já disse no exemplo atrás, há aspectos da segurança de que não gosto, mas quando se tenta tornar algo realmente seguro, criam-se medidas que têm de trabalhar em conjunto, senão não atingem uma eficácia relevante.
Seja como for, feridos e mortos não abonam nada o que quer que seja. Ele tem a opinião que a F1 devia ser só para quem tivesse "tendências suicidas", eu acho que a F1 deve ser palco para mostrar dotes de pilotagem, e isso é possível sem que se ponham vidas em risco propositadamente ou por descuido. Porque risco há sempre. Apenas se tornou menor.
Ao longo dos anos, a F1 viu tantos óptimos pilotos e possivelmente óptimas pessoas com familia e amigos perderem a vida em acidentes. O que é que isso trouxe? Trouxe mais emoção devido ao drama e à tragédia? Sim, é indesmentível. Valeu a pena? Para mim, que nem conhecia pessoalmente as vítimas, é claro que não. Falando apenas das consequências na competição, quem me dera ter visto, por exemplo, o desenvolvimento dos duelos Senna-Schumacher. E os que acompanharam outros tempos, de certo gostariam de ter visto durante mais tempo os dotes de Gilles Villeneuve, por exemplo, ou de Jochen Rindt que continuaria a pilotar não fosse a morte do amigo Courage e o seu próprio destino, entre outros nomes que constam no longo obituário da competição, como Jim Clark e Steffan Belloff.
Eu diria em resposta: "Se queres correr riscos desnecessários, faz escalada sem arnês".