Eutanásia

Continuas a mandar a falácia de pessoas que foram mortas sem o seu consentimento em países como a Holanda e a Bélgica, podes mostrar provas documentadas de tal?

Todos nós podemos precisar de cuidados paleativos e verdade, mas haverá os que os querem ter e viver mais um bocadinho, da mesma forma que haverá os que querem colocar termo.

Os que querem viver mais, hoje têm o seu desejo satisfeito.
Os que não querem, aguentam até o corpo desistir.

Mais de 99,5% das pessoas quer viver se lhe derem os cuidados necessários

Quanto a provas de casos de eutanasia sem consentimento já foram referidos no tópico, é ler as anteriores mensagens do tópico

mas não falava de casos de eutanásia sem consentimento, a liberdade em estado puro é como a água 100% pura, muito difícil de obter, muitos casos serão de escolha pela eutanásia feita sob forte coacção social, será uma escolha entre viver com o rótulo de cobarde egoísta e inútil ou morrer
 
Última edição:
nos paises que já aprovaram a eutanásia e esta é aplicada sem abusos é que a esmagadora maioria dos doentes quer viver, na ordem de mais de 95% destes, afinal a % de pessoas eutanasiadas nesses paises é na ordem dos 0,5%.

será uma escolha entre viver com o rótulo de cobarde egoísta e inútil ou morrer

Um pouco contraditório não? É uma escolha que quase ninguém faz, mas prevês que no espaço dalgumas gerações se torne a norma. Ainda por cima achas que a maior parte o fará coagido... Não achas que estás a ser alarmista?

Mas vale a pena discutir isto? Os teus post lêem-se como a sinopse de uma qualquer obra de literatura distópica.
 
Mas vale a pena discutir isto? Os teus post lêem-se como a sinopse de uma qualquer obra de literatura distópica.

Pois, quando se começou a aceitar a homosexualidade como sendo uma coisa 'normal' também ninguém acreditava que isso ia acabar com casais homosexuais a adoptar crianças.

Como já alguém disse aqui, quando aceitas a Eutanásia estás a decidir o rumo moral que o teu país vai tomar (acho que foi mais ou menos assim). Tal como com o aborto, perde-se o respeito à vida, que deixa de ser sagrada. E quando a vida deixa de ser sagrada, vale tudo, até mesmo sacrificar os velhotes (que afinal já viveram a sua vida) pelo 'bem comum'.

Especialmente se houver uma crise enconómica global e os velhotes já não forem capazes de produzir seja o que for (e que se lixe terem-no feito durante a vida toda) e já não houver dinheiro para as pensões. E já que vamos por aí, elimina-se também os indesejados, os doentes mentais, os que nascem com doenças genéticas, etc...

Impossivel, a humanidade nunca chegaria a esse ponto? O Hitler não achou, nem os amigos Nazistas dele.
 
ainda ontem à noite li um artigo sobre os crimes de honra na jordania

casos de pais e/ou irmãos a matarem as filhas e/ou irmãs à facada por terem engravidado antes do casamento

mostra o poder e a força da coação social, um pai matar um filha por causa da pressão da sociedade ou um doente terminal pedir para morrer por pressão dos filhos... parece-me ter ainda mais força esta última
e é esta a porta que se vai abrir

não é nenhuma distopia, é compreender a logica intrinseca das coisas e já agora um pouco de historia antiga de outras civilizações, aonde era pratica corriqueira, muito frequente

nada disto é novo, era pratica corrente em muitos povos antigos, por isso é por todo o mundo até recentemente, em paises de todas as religiões e ideologias a eutanasia era proibida, memórias de praticas antiga a eutanasia aonde era praticada muitas vezes de forma muito abusiva

com uma diferença, antigamente não existiam cuidados paliativos

OMS. Portugal é um dos cinco países da Europa que pior trata os idosos



...
Um estudo da Organização Mundial de Saúde que envolveu 53 países coloca Portugal no grupo dos cinco piores no tratamento aos mais velhos, com 39% dos idosos vítimas de violência.
...

Platão, em “A República”, escreveu que “estabelecerás no Estado um disciplina e uma jurisprudência que se limite a cuidar dos cidadãos sãos de corpo e de alma, deixar-se-ão morrer aqueles que não sejam sãos de corpo”.

O que Platão expõe são soluções que favorecem o homicídio dosanciões, dos débeis e dos enfermos.

ah, sim e a eutanásia sempre andou de braço dado com a eugenia, porque é que desta vez será diferente?

numa utopia ideal feita de pessoas moralmente excelentes, politicos honestos, impolutos, não haveria grande mal na legalização da eutanásia, porque ninguém seria pressionado para morrer, todos se sentiriam amados e queridos, no país aonde há milhares de idosos abandonados, filhos gananciosos que querem deitar a unha às heranças paternas, aonde 39% dos idosos são vitimas de violencia, a eutanasia vem acrescentar uma intensa dor psicologica à dor fisica

não tento convencer ninguém, sei que me vêm como pessimista, eu vejo-vos como ingenuos
 
Última edição:
Pois, quando se começou a aceitar a homosexualidade como sendo uma coisa 'normal' também ninguém acreditava que isso ia acabar com casais homosexuais a adoptar crianças.
Como já alguém disse aqui, quando aceitas a Eutanásia estás a decidir o rumo moral que o teu país vai tomar (acho que foi mais ou menos assim). Tal como com o aborto, perde-se o respeito à vida, que deixa de ser sagrada. E quando a vida deixa de ser sagrada, vale tudo, até mesmo sacrificar os velhotes (que afinal já viveram a sua vida) pelo 'bem comum'.

Especialmente se houver uma crise enconómica global e os velhotes já não forem capazes de produzir seja o que for (e que se lixe terem-no feito durante a vida toda) e já não houver dinheiro para as pensões. E já que vamos por aí, elimina-se também os indesejados, os doentes mentais, os que nascem com doenças genéticas, etc...

Impossivel, a humanidade nunca chegaria a esse ponto? O Hitler não achou, nem os amigos Nazistas dele.

WOW :sh)

Eu respeito a vida. Tu é que pareces gostar de decidir que vidas merecem ser respeitadas.
 
ah, sim e a eutanásia sempre andou de braço dado com a eugenia, porque é que desta vez será diferente?

não tento convencer ninguém, sei que me vêm como pessimista, eu vejo-vos como ingenuos


Nada nessa verborreia suporta a afirmação que fizeste de seguida. És bem pior do que apenas um pessimista, infelizmente. E eu sou ingénuo na medida em que ainda discuto contigo. No más.

Um bem haja. Talvez volte quando o Marcelo se pronunciar.

#FicaEmCasa
 
Nem te procuro convencer, nem sei o que é isso do Snoopy a que te referes.
Pena de morte já sabemos que não.

E aborto livre até as 12 semanas? Sim. Até um pouco mais tarde se houver risco para a mãe. Embora não veja isso com uma excepção a inviolabilidade da vida. Não subscrevo a ideia de "pessoa" logo na concepção.


O que é que existe, para ti, a seguir à concepção?

Ou matar à nascença em caso de doença grave ou mal-formação? Nunca. Quando muito que não se façam intervenções excepcionais que sirvam apenas para prolonguar a vida da criança e não tragam benefícios mensurável na sua qualidade de vida, se os pais assim entenderem.

E o suicídio (propaganda ou ajuda ao suicídio)? Não sei o que queres dizer por propaganda, mas já aqui disse que preferia que a eutanásia não estivesse limitada a doenças terminais. Posso acrescentar que não me lembro de discordar com nenhum daqueles casos mais mediáticos que pela sua "raridade" são notícia em todo o mundo. Mas admito não os conhecer todos.

Já agora, alargavas a quê? Sofrimento emocional? Depressão? Doença física incurável que não leve à morte de forma iminente?


/QUOTE]

É mais ou menos isto.

E para mim já é muito.
Sou muito mais restritivo do que tu... mas são ideias.
 
Nada nessa verborreia suporta a afirmação que fizeste de seguida. És bem pior do que apenas um pessimista, infelizmente. E eu sou ingénuo na medida em que ainda discuto contigo. No más.

Um bem haja. Talvez volte quando o Marcelo se pronunciar.

#FicaEmCasa


nem sequer estou a tentar discutir/debater com ninguém, estou apenas a tentar reflectir comigo mesmo sobre o assunto com base nos meus conhecimentos

também ocorre e ocorrerão casos contrários, de filhos a fazerem pressão sobre os pais e os médicos para praticarem a distanásia e existem e existirão médicos a fazer-lhes a vontade para ganhar dinheiro

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E para mim já é muito.
Sou muito mais restritivo do que tu... mas são ideias.

O que é que existe, para ti, a seguir à concepção?

Nem me refiro a questão biológica, simplesmente não acho que configure já uma "pessoa de pleno direito". Biologicamente é muito difícil dizer... quando é que há consciência? O que é consciência? Nem me atreveria a opinar.
Em caso de risco, mesmo numa gravidez mais avançada, não vejo como não dar prioridade a vida da mãe, logo a sobrevivência do feto dependerá da sua viabilidade cá fora.

Já agora, alargavas a quê? Sofrimento emocional? Depressão? Doença física incurável que não leve à morte de forma iminente?

Em teoria sim. Teriam de ser avaliados caso a caso. Acho que ninguém procura facilitismo no processo. Seria perigoso, ninguém quer isso. E certamente não acho que a simples legalização da eutanásia abra obrigatoriamente a porta a um tipo de SIMPLEX da morte assistida. Múltiplas competências estariam envolvidas na determinação de que a vontade do requerente deva ser cumprida.

Tomar essas decisões pode ser visto como chafurdar na m*erda, mas mesmo que nos neguemos a tentar, a m*erda continua cá. Vejo mais humanismo nesse esforço do que na continuada negação do direito a morrer com dignidade.
 
O que é que existe, para ti, a seguir à concepção?

Nem me refiro a questão biológica, simplesmente não acho que configure já uma "pessoa de pleno direito". Biologicamente é muito difícil dizer... quando é que há consciência? O que é consciência? Nem me atreveria a opinar.
Em caso de risco, mesmo numa gravidez mais avançada, não vejo como não dar prioridade a vida da mãe, logo a sobrevivência do feto dependerá da sua viabilidade cá fora.

Já agora, alargavas a quê? Sofrimento emocional? Depressão? Doença física incurável que não leve à morte de forma iminente?

Em teoria sim. Teriam de ser avaliados caso a caso. Acho que ninguém procura facilitismo no processo. Seria perigoso, ninguém quer isso. E certamente não acho que a simples legalização da eutanásia abra obrigatoriamente a porta a um tipo de SIMPLEX da morte assistida. Múltiplas competências estariam envolvidas na determinação de que a vontade do requerente deva ser cumprida.

Tomar essas decisões pode ser visto como chafurdar na m*erda, mas mesmo que nos neguemos a tentar, a m*erda continua cá. Vejo mais humanismo nesse esforço do que na continuada negação do direito a morrer com dignidade.



1.ª questão: de um ponto de vista puramente biológico acho difícil sustentar que não se trata de um ser humano logo a seguir à concepção... mais ou menos células, mais diferenciadas ou menos, todos sabemos que vai dar um ser humano, não há possibilidade de ser mais nada. Por isso, é atentar contra a vida, vida intra-uterina, mas é vida.
De um ponto de vista legal, após a concepção, tem (ou tinha, até á legalização do aborto, claro) o mesmo valor que tinha qualquer nascituro, isto é, até meter as orelhas cá fora.

2.ª questão: repara que com anos crivos já não se trata de liberdade individual. Tu, no uso da tua liberdade, vais pedir para ser eutanasiado, e um membro da vasta comissão vai entender que não reunes as condições... kaput, lá foi a eutanásia... ou melhor, já não há kaput.
O morrer com dignidade é um chavão. De uma maneira geral, a virtude da dignidade anda mais ligada ao que mais nos custa fazer do que aquilo que nos apetece fazer. É quase empírico.
O caso da depressão é, quanto a mim, claro, um bom exemplo de como a eutanásia não deveria ser admitida... já viste que discernimento tem uma pessoa deprimida? Um adolescente deprimido?

Cumpts,
 
Eu respeito a vida. Tu é que pareces gostar de decidir que vidas merecem ser respeitadas.

Pois, esqueci-me que agora é moda ser LGBQTxyzdefgha, ou anátema continuar a achar que é anti-natural (o que é um facto e não uma opinião). Desculpa. Not.

Se fores homosexual não é por isso que te vou respeitar menos - desde que sejas uma boa pessoa e não um estafermo, já que tem a ver com comportamentos e não com orientação sexual - agora não me venhas é exigir que eu concorde que a homosexualidade 'é fixe'.

De qualquer das formas foi isso que tiraste do exemplo que dei? Porque se foi, então passou-te completamente ao lado.
 
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Mais de 99,5% das pessoas quer viver se lhe derem os cuidados necessários

Quanto a provas de casos de eutanasia sem consentimento já foram referidos no tópico, é ler as anteriores mensagens do tópico

mas não falava de casos de eutanásia sem consentimento, a liberdade em estado puro é como a água 100% pura, muito difícil de obter, muitos casos serão de escolha pela eutanásia feita sob forte coacção social, será uma escolha entre viver com o rótulo de cobarde egoísta e inútil ou morrer

Mais uma vez estas a deixar os as tuas ideologias levar-te a imaginar coisas que apesar de poderem existir deverão de ser extremamente raras, no entanto tu afirmas que sim e até te adiantas com números baseados em absolutamente nada.

Mesmo que seja por coacção social, continua a ser uma decisão da pessoa em questão logo continua a existir liberdade.
Se quem autoriza ou não se aperceber de que a pessoa foi coagida a tal e não está certa da sua decisão, o processo deverá parar.

A pessoa pode sempre parar a qualquer altura.


Quanto aos cuidados certos, eu acho que não tens mesmo a noção, mas existem situações em que por mais cuidados, não há hipótese alguma.
Vejamos o caso de alguém que não se consegue mexer, que está deitado na cama o dia todo a olhar para o tecto à espera que alguém o venha virar para em outra posição poder admirar qualquer outra coisa...mesmo que sem dores devido à medicação l, será que essa pessoa tem muitas razões para viver?
 
Pois, quando se começou a aceitar a homosexualidade como sendo uma coisa 'normal' também ninguém acreditava que isso ia acabar com casais homosexuais a adoptar crianças.

Como já alguém disse aqui, quando aceitas a Eutanásia estás a decidir o rumo moral que o teu país vai tomar (acho que foi mais ou menos assim). Tal como com o aborto, perde-se o respeito à vida, que deixa de ser sagrada. E quando a vida deixa de ser sagrada, vale tudo, até mesmo sacrificar os velhotes (que afinal já viveram a sua vida) pelo 'bem comum'.

Especialmente se houver uma crise enconómica global e os velhotes já não forem capazes de produzir seja o que for (e que se lixe terem-no feito durante a vida toda) e já não houver dinheiro para as pensões. E já que vamos por aí, elimina-se também os indesejados, os doentes mentais, os que nascem com doenças genéticas, etc...

Impossivel, a humanidade nunca chegaria a esse ponto? O Hitler não achou, nem os amigos Nazistas dele.

Ei Ei Ei Ei...

O que é que tem a homossexualidade a ver com isto?

A homossexualidade é uma escolha sexual, da mesma forma como tu décides que queres casar con uma mulher, o teu vizinho pode decidir que quer casar com um homem, qual é o problema disso?
Porque é que não haveriam de ter direito de adoptar crianças? São menos que os restantes?

A única comparação que deves de fazer é na questão liberdade, é uma liberdade individual a qual apenas diz respeito a pessoa que a decide obter e por essa mesma razão qualquer estado de direito deverá conceder essa mesma liberdade a essa pessoa, mesmo que com restrições e/ou critérios a serem defendidos como é o caso da eutanásia.

Qualquer forma a melhor comparação que poderias fazer seria con a legalização do aborto.
Mas aí os números já te iriam trair, pois apesar de legal, Portugal é dos países da Europa (se não o) com a taxa de aborto mais reduzida.
Não foi por ter passado a ser legal que as pitas todas desataram a f*** que nem malucas e a usar as clínicas para abortar como se de um salão de chá se tratasse.


Epah, deixem os ir...


PS- homossexualidade é uma coisa normal, não é uma coisa 'normal'
 
Última edição:
Pois, esqueci-me que agora é moda ser LGBQTxyzdefgha, ou anátema continuar a achar que é anti-natural (o que é um facto e não uma opinião). Desculpa. Not.

Se fores homosexual não é por isso que te vou respeitar menos - desde que sejas uma boa pessoa e não um estafermo, já que tem a ver com comportamentos e não com orientação sexual - agora não me venhas é exigir que eu concorde que a homosexualidade 'é fixe'.

De qualquer das formas foi isso que tiraste do exemplo que dei? Porque se foi, então passou-te completamente ao lado.

Não é moda ou deixa de ser moda, apenas agora começaste a ver mais pessoas a assumirem como homossexuais porque adivinha alguém veio a público dizer que era algo normal e que as pessoas não deveriam de condenar.
A legalização do casamento homossexual e por aí fora vejo ajudar, no entanto só veio afirmar algo que já deveria de ser normal para as pessoas, não olhar de lado.

Nao te enganes ou tentes enganar ao pensar que só agora é que passaram a existir homossexuais, sempre existiram andavam era escondidos e muitos a sofrer por terem de aparentar ser algo que na verdade não eram.
Um exemplo próximo que tenho, é um colega de trabalho, é homosexual assumido e casado, no entanto só assumiu aos 40 ou assim, quando o pai faleceu pois tinha medo de represálias.
Até essa idade, foi casado com uma mulher e até tem dois filhos, como ele diz só se casou com ela por pressão social.

É feliz? Pelo menos parece... E isso é que é importante
 
1.ª questão: de um ponto de vista puramente biológico acho difícil sustentar que não se trata de um ser humano logo a seguir à concepção... mais ou menos células, mais diferenciadas ou menos, todos sabemos que vai dar um ser humano, não há possibilidade de ser mais nada. Por isso, é atentar contra a vida, vida intra-uterina, mas é vida.
De um ponto de vista legal, após a concepção, tem (ou tinha, até á legalização do aborto, claro) o mesmo valor que tinha qualquer nascituro, isto é, até meter as orelhas cá fora.

Estamos aqui num grande off-topic, mas ok. Preferia que parássemos (começam a surgir outros menos... digamos, dignos de discussão [;)]).
Não teria dito melhor. Não tem potencial para se tornar noutra coisa que não um ser humano, logo, quase por definição, ainda não o é. Mas a questão é mesmo aquela mulher grávida a quem, felizmente, foi permitido ter controlo sobre o seu corpo e sobre como quer passar os próximos 18 anos (com sorte... hoje em dia se os rebentos sairem de casa aos 30 dá-te por feliz).


2.ª questão: repara que com anos crivos já não se trata de liberdade individual. Tu, no uso da tua liberdade, vais pedir para ser eutanasiado, e um membro da vasta comissão vai entender que não reunes as condições... kaput, lá foi a eutanásia... ou melhor, já não há kaput.
O morrer com dignidade é um chavão. De uma maneira geral, a virtude da dignidade anda mais ligada ao que mais nos custa fazer do que aquilo que nos apetece fazer. É quase empírico.
O caso da depressão é, quanto a mim, claro, um bom exemplo de como a eutanásia não deveria ser admitida... já viste que discernimento tem uma pessoa deprimida? Um adolescente deprimido?

Se fosse um daqueles casos raros, mesmo bicudos, eticamente desafiante e a comissão responsável me negar o recurso a eutanásia... azar o meu. Estou a ser sincero. Como disse não pretendo um "free for all", não defendo qualquer facilitismo. Vejo que também gostas daquela idealização do sacrifício, de que temos é que sofrer nobremente, ou lá o que é. Nesse aspecto iria desiludir-te, podia não haver eutanásia, mas haveria kaput quase de certeza :/

Quanto ao exemplo do adolescente deprimido, como é obvio seria um caso extremo... nem te consigo dizer que tipo de pré-requisitos eu teria de ver preenchidos para me sentir confortável com a ideia. Digo apenas que não seria sumariamente negado. Esse jovem poderá não ter muito discernimento, mas quantas e quantas vezes na sua curta (e imagino difícil) vida não foram outras pessoas a mostrar discernimento por ele... os seus pais, os seus médicos, educadores. Aliás, isso é a realidade para qualquer adolescente... deprimido ou não. Todos eles teriam algo a dizer. Lá está… é o tal chafurdar na m*erda. Não invejo quem teria de tomar essas decisões, mas o visado poderá sentir-se bastante grato.

Cumpts,

Estamos a entrar em especificidades, e poderei nunca responder satisfatóriamente. De qualquer maneira, o que aí vem é bem diferente disto que estamos a discutir agora, para o alívio de muitos. I'll take what I can get.
 
Estamos a entrar em especificidades, e poderei nunca responder satisfatóriamente. De qualquer maneira, o que aí vem é bem diferente disto que estamos a discutir agora, para o alívio de muitos. I'll take what I can get.



Sim, tens razão, estamos a resvalar ou poucochinho, como dizia o outro...

Ainda assim, e pese o facto de estamos em pólos diferentes, a mulher grávida é totalmente dona do seu corpo... já não será é dona da vida que trás dentro dela.
É-me difícil, ou mesmo impossível, conceber o aborto livre precisamente por isso: é a vida de um terceiro, a mulher não está a abortar-se a si própria, a decidir sobre a vida ligada ao seu corpo, mas sobre a vida que "habita" o corpo de terceiro... no caso, o seu filho.

Quanto à eutanásia, claro que há situações verdadeiramente tramadas, dignas da maior misericórdia. O meu obstáculo aqui não é como no aborto, porque a decisão contende, apenas, com o próprio que se propõe a ser eutanasiado.
O que me faz comichão é a sociedade admitir a institucionalização da morte, da sua antecipação, seja para o que for, mesmo que para abreviar o sofrimento.
O caso do puto deprimido é bem o exemplo do que nunca deveria ser permitido... já viste o que pensará um puto desses a quem o sistema não fez a vontade, quando conhecer outro grande amor da sua vida e o sol lhe aparecer por detrás das nuvens...?!

É da vida que estamos a falar, a única realidade que tem de estar presente para que todas as outras aconteçam... boas ou más!
 
Turboyoda
Não convives com muitas pessoas nessas situações

De qualquer modo recomendo a leitura do livro "o escafandro e a borboleta"
Também há um filme baseado no livro

Se queres saber em que são baseados os números que apresentei lê as mensagens anteriores do tópico

E continuas a laborar sobre a ideia de que toda gente é muito boa gente, antes fosse verdade, mas não é

Sobre o aborto, sem desenvolver i assunto que não é o tema do tópico , lembro que desde a legalização deste se vulgarizou muito o recurso à pílula do dia seguinte

Sobre a liberdade de ser homossexual, também não é o tema do tópico, mas no meio homossexual uns têm liberdade para o serem outros não, mas não vais compreender isto
 
Última edição:
...a mulher grávida é totalmente dona do seu corpo... já não será é dona da vida que trás dentro dela.

...

... já viste o que pensará um puto desses a quem o sistema não fez a vontade, quando conhecer outro grande amor da sua vida e o sol lhe aparecer por detrás das nuvens...?!

Infelizmente parecem-me direitos inconciliáveis. Talvez numa sociedade capaz de perdoar mais às mulheres, mães em particular, a adopção se pudesse tornar na norma. Infelizmente dar uma criança para adopção é ainda visto como um abandono e é muito estigmatizada. Depois tb há o facto da proibição do aborto nunca se traduzir na eliminação da prática, logo há tb uma questão de saúde pública.

Quanto ao puto cuja a vida começa a cheirar a rosas, acho que pode dar para os 2 lados... pode se tornar um opositor acérrimo da eutanásia, mas pode tb simplesmente ficar grato, perceber o pouco controlo que as vezes se tem sobre as coisas boas e más da vida e continuar a olhar da mesma forma para aquele período mais negro da sua história. No fundo perceber que se calhar teve sorte e não procurar aplicar a sua verdade a todos os outros que se vêem numa situação semelhante.

Tb podem anunciar a cura pro alzheimer ou p'ra outra doença incurável qualquer no próximo mês... a ciência não para, mas não me imagino a dar uma volta de 180 graus nestas questões. Claro, até estarmos nelas tudo é hipotético.
 
Infelizmente parecem-me direitos inconciliáveis. Talvez numa sociedade capaz de perdoar mais às mulheres, mães em particular, a adopção se pudesse tornar na norma. Infelizmente dar uma criança para adopção é ainda visto como um abandono e é muito estigmatizada. Depois tb há o facto da proibição do aborto nunca se traduzir na eliminação da prática, logo há tb uma questão de saúde pública.

Saúde pública na questão do aborto? Como assim? Não é exactamente o mesmo que a pandemia que estamos a viver... isso sim e uma questão de saúde publica.
Claro que dar uma criança para a adopção pode ser estigmatizante... quase que diria que ainda bem... uma mãe libertar-se da sua cria por dá cá aquela palha é algo chocante... ainda que eu esteja a generalizar e imagine que não seja desses casos que estás a falar.

Sendo inconciliáveis, o que nunca se poderá admitir, digo eu, é matar o feto, certo? Os direitos em jogo (o da mulher ao seu corpo e o da vida do feto) são incomparáveis, certo?
E se para a criança dada de adopção também poderá ser estigmatizante, voltamos ao mesmo: só sentes o estigma no quadro da vida. Sem vida, nada feito. Por isso é que é o direito absoluto e inviolável... ou deveria ser...



Quanto ao puto cuja a vida começa a cheirar a rosas, acho que pode dar para os 2 lados... pode se tornar um opositor acérrimo da eutanásia, mas pode tb simplesmente ficar grato, perceber o pouco controlo que as vezes se tem sobre as coisas boas e más da vida e continuar a olhar da mesma forma para aquele período mais negro da sua história. No fundo perceber que se calhar teve sorte e não procurar aplicar a sua verdade a todos os outros que se vêem numa situação semelhante.


Sim, mas para olha para a frente, para dar para 1 os 2 lados, para sentir o cheiro de rosas... é preciso estar vivo!

Tb podem anunciar a cura pro alzheimer ou p'ra outra doença incurável qualquer no próximo mês... a ciência não para, mas não me imagino a dar uma volta de 180 graus nestas questões. Claro, até estarmos nelas tudo é hipotético.

Claro que sim...e, como te disse, há situações que apelam ao de mais misericordioso que todos temos em nós.
Não acho que seja um tema fácil, muito pelo contrário... mas a consolidação do direito à vida, do respeito absoluto pelo direito à vida, a dignidade de toda a vida humana foi uma luta de tantos séculos e tão dificil, que me revolve as entranhas ver tratar a questão com tantas excepções... percebes?
 
mas a consolidação do direito à vida, do respeito absoluto pelo direito à vida, a dignidade de toda a vida humana foi uma luta de tantos séculos e tão dificil, que me revolve as entranhas ver tratar a questão com tantas excepções... percebes?

A cena engraçada é que eu vejo estes direitos exactamente como importantes na dignificação da vida (vida no sentido lato, não restricto ao vida=contrário de estar morto).
 
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