Eutanásia

não estão a compreender, mas também não importa, também não pretendo convencer ninguém

tem a ver com a mudança de mentalidades que a legalização e consequente normalização da eutanásia vai provocar

quanto ao dinheiro, como a grande maioria nessas situações quer continuar a viver, quem tem dinheiro vai poder ter acesso a bons cuidados paliativos, quem não tem vai ter direito a sofrer até desesperar e pedir assim a economizadora eutanásia

no dia em que for eu? eu sou contra a eutanásia, tenho dinheiro que chegue e sobre para pagar cuidados paliativos e tenho hábitos frugais
e também sei distinguir eutanásia de repudio da distanásia
 
E ainda bem que podes fazer essa escolha. Vais continuar a poder fazê-la.

Não temo a normalização da eutanásia... se tal acontecer, porque não pensar que foi porque a preferimos às alternativas. Afinal não temos o hábito de normalizar coisas que são nocivas para a sociedade. Vá... tabaco e álcool, mas temos que viver enquanto há saúde.
(homofóbicos, racistas e misóginos, por favor, não procurem exemplos. Thanks [;)])

Pessoalmente, sou pró-eutanásia não por repúdio da distanásia (embora a repudie). Sempre fui a favor da sua aplicação noutras situações que não de doença terminal.

Se tivesses um acidente e ficasses quadriplégico numa cama, mas de resto saudável olhando para qualquer outra métrica. Capaz de viver mais 30 anos. Depois de tentares fazer o melhor com essa tua nova vida, não achas que poderias querer o direito de dizer chega?

Conheço um paciente de alzheimer acamado há talvez 12 anos já (é muito bem tratado). Eu não quereria passar por isso.

Nem me imagino a argumentar contra esse direito. As vezes acho que há alguma romantização dos mártires, uma idealização de que há nobreza num sofrimento "bem sofrido" e muito fatalismo. É mau querer algum controlo nestas circunstâncias?
 
não subestimes a força da pressão social

neste caso quem fica prejudicado morre, não fica cá para mudar o percurso da história

é como digo, qualquer um de nós vive bem com o direito à eutanásia, mas não viverá tão bem com o dever social da eutanásia e acho que não vai ser possivel ter o direito sem que este no prazo de 2 gerações não se transforme num dever

se me enganar tanto melhor, mas duvido muito que me engane
 
O teu medo é infundado, mas vamos supor que tens razão. Que a sociedade evolui nesse sentido. O meu problema com a tua análise é atribuires essa mudança apenas a pressão social por parte da população activa. Desconsideras completamente a possibilidade de que os velhotes venham a ver essa transição como positiva e preferível. É que nem consegues imaginar isso. Talvez eu consiga porque já acho a possibilidade atractiva para mim, pessoalmente.

Os velhotes têm vontade própria muito vincada... é olhar para a janela e vé-los nas ruas em pleno estado de emergência [:D]
 
acho que convives pouco com pessoas de idade e doentes senão não dirias isso

mesmo atualmente, sem eutanásia, conheço vários que têm medo de ser internados no hospital porque acham que lá matam os velhos... dizem alguns com uma injeção atrás da orelha

normalmente o apego à vida é algo muito intenso, quando há transições bruscas é mais fácil terem tendencias suicidas, mas quando o decaimento da saude é progressivo as pessoas vão-se adaptando e o apego à vida sobrepoem-se

se a pessoa se sentir querida, amada, por aqueles que ama, muito raramente, mesmo muito raramente quer morrer

e é este sentir-se amado que a possibilidade de pedir a eutanásia vai corroer lentamente

espero estar enganado, mas duvido muito que esteja
 
Não há "calor do momento" num fórum da internet. Pelo menos não comigo [:D].

Ora bem... todas as decisões que tomamos diariamente, principalmente as mais sérias/importantes resultam de uma ponderação de vários factores. Não me parece que eu seja especial neste aspecto. Embora defenda que a decisão de recorrer ou não a eutanásia seja algo muito íntimo e pessoal, tenho a certeza de que se eu me vir numa situação onde tenho que tomar essa decisão, vou ter em consideração os sentimentos dos meus familiares e amigos mais próximos. Haverá sempre muita emotividade na decisão. Não vejo onde é que essa emotividade me desautoriza.

Nessa altura (espero que daqui muitos muitos anos) olharei também para o estado da nossa sociedade e para a minha percepção daquilo que é o meu lugar nela. É possível que haja ainda muito a fazer para dignificar a velhice ou a melhorar em termos de cuidados paliativos. O facto de não estarem reunidas todas as condições societais ideais não deveria retirar-me a opção de fazer um early checkout.

Imaginemos agora que a minha família não me ama... odeia-me, trata-me mal, se pudessem roubávam-me a reforma, mas não tenho mais ninguém para cuidar de mim. Ou então que eu sou o pior c*brão que já percorreu a terra e todos, merecidamente, me abandonaram. Estou só. Tenho uma existência miserável. Toda a gente acha que eu devia morrer e deixar de dar tabalho. É impossível que isso não pese na minha decisão, mas invalida a minha capacidade de a poder tomar? E não legalizar a eutanásia ajudaria a minha situação como exactamente?


O que é demais evidente para mim é que obtar por não legalizar a eutanásia, não resolve nenhum problema. E a sua legalização, na realidade, não cria problemas novos. Questões de ordem legal? Certamente. Mas deterioração de valores morais? Acho que não. Tudo problemas que já existem.

Antes de mais, deixa-me dizer-te que não se trata de teres mais, ou menos, autoridade do que eu ou qualquer outra pessoa... ou que a emotividade te desautorize.

Isto posto, uma decisão, em pessoas com plena capacidade de querer e entender, é o resultado de um processo complexo, racional e emotivo/emocional, em partes variáveis conforme a personalidade e feitio de cada um.
Até podemos estar a falar de alguém com tendência suicida... vai ser incontornável.

Avançando mais um pouco, é efectivamente muito importante que esse processo decisório possa, de uma maneira geral, competir a cada um, de forma absolutamente livre e autónoma.

Daqui em diante, e porque vivemos em sociedade, os nossos direitos começam a sofrer as compressões próprias de lidarmos com outras pessoas, também elas sujeitos e titulares de direitos. Começam aqui muitos dos problemas de colisão de direitos: o meu direito de propriedade, sendo absoluto sobre o objecto dessa propriedade, não me permite “estica-lo”, se posso dizer assim, de forma a passar a incluir o objecto do direito do meu vizinho.


Há, todavia, alguns direitos que, pese serem atribuídos às pessoas, as mesmas não podem dispor deles livremente. É o caso do direito à vida, que, não por acaso, tem consagração constitucional, onde se diz que é, e muito bem, inviolável.

Isto tudo para dizer que estou de acordo contigo quando sustentas que a decisão de alguém se sujeitar à eutanásia é uma decisão iminentemente pessoal, do próprio, acerca de si, que não entra, de forma imediata pelo menos, em colisão com o direito de outrém (daqui se distinguindo, p. ex, e para usar um outro tema dito fracturante, do aborto).
Todavia, daqui em diante há um plano e ordem públicas que entram em jogo: o da defesa intransigente da vida, que é, de resto, e segundo a Constituição, inviolável.
De facto, a minha dificuldade com a dita legalização da eutanásia passa por isto: o Estado não pode permitir que, na ordem jurídica, se consagre a morte com solução para nada, mesmo para situações-limite como referes.
O Estado tem, isso sim, de garantir que, com recurso ao estado da arte da medicina, se evite, previna ou minore, até ao limite, o sofrimento humano, físico ou emocional - por isso, no final da linha, acabo por ser contra a legalização da eutanásia.
O Estado não pode permitir, em nome de uma verdadeira Justiça, que o ofendido por um crime, que pode ser o somatório do estupro, com a violação, com a ofensa à integridade física e culminar com o homicídio (aqui o ofendido já passaria a ser um pai ou um filho, p. ex), seja juiz e carrasco ao mesmo tempo, deitando a mão ao pescoço do criminoso e aplicando a lei de Talião (olho por olho, dente por dente) - por isso, sou contra a pena de morte, mesmo que sentenciada a um Hitler.

Trata-se de perceber que valores e princípios queremos defender enquanto sociedade. A vida, de facto, não pode ser suprimida, nem equacionada como solução, seja para o que for.

Bem sei, há casos que nos falam ao coração. São de partir um homem todo. E para isso, a medicina até tem soluções e os médicos têm, todos os dias, de por em prática soluções médicas que levam ao "desligar" da vida.

Por isso, a nossa diferença de posição estará algures por aqui. Eu, pessoalmente, não gostaria de viver numa sociedade ou num Estado em que se abra a porta à morte, ou, se quiseres, à antecipação da morte, de forma volitva e querida.
Ademais, imagina as injustiças que também por ai se introduziriam na equação... porque cada um de nós terá a sua própria ideia de qual o nível de sofrimento pode dar, ou não, dar lugar a eutanásia.

Dentro desta temática, vem a questão da especial fragilidade dos mais velhos.
Não duvides, por um instante, que se vão sentir a mais… vêm que não produzem, vêm que o filho, a nora e os netos ate nem vão de férias porque ele não se aguenta das pernas… ou que a herança até pagaria os estudos do neto… sei lá…. Já imaginaste o que é sentir que há uma solução e que essa solução, afinal, até é legal… cria-se um estado emocional – lá está a questão da emoção – propenso a considerar-se a antecipação da morte, ou seja, o fim da vida…
Por isso é que a vida não é um direito disponível… é um os tais que é atribuído às pessoas, mas de que elas não podem dispor… para as subtrair a estados de fragilidade como estes de que te falei…
A vida e algo que temos de dar por garantido no plano legal! De que não existe a possibilidade de nos ser retirada, seja em que circunstâncias for.
 
claro que a legalização da eutanasia cria vários problemas novos

um deles é que a implantação de cuidados paliativos vai tender a diminuir

o maior e quase inevitável é que agora os familiares e a sociedade não podem pressionar o doente para ele pedir a morte, mas desde o momento em que essa possibilidade exista essa pressão pode e vai existir

aliás como as tuas palavras mostram não só vai existir como vai ser comum, facilmente passa a ser vista como a atitude correta a tomar perante a família e a sociedade e quem não pedir para morrer pode passar a ser visto pela família e pela sociedade, incluindo até pelo proprio, como sendo um cobarde inútil e egoista que quer continuar a viver apesar das despesas e do trabalho que dá

ora o que se verifica quase sempre, é que mesmo nas maiores dificuldades, a enorme maioria das pessoas quer viver

isto tem ainda uma consequencia extremamente nociva, atualmente grande parte das pessoas em situação terminal ainda se sente desejada, acarinhada e amada pela família, pelos amigos, a eutanasia com o tempo irá induzir uma cultura, uma mentalidade que vai quase inevitavelmente corroer isso, a pessoa passará a sentir-se a mais, se tem a possibilidade de deixar de dar trabalho e despesa isso passará a ser a sua obrigação

não me parece que seja possível criar o direito a pedir a morte sem criar também o respectivo dever

não será para esta geração, em que a maioria dos mais velhos não aprovam a eutanásia, mas mudando as gerações a cultura muda e a eutanásia será um direito/dever que amargará o final de vida de todos, quando com boas condições apenas uma infima parte desejaria a eutanásia

o problema é das boas co
a proposta de lei na holanda de disponibilizar um comprimido para todos os maiores de 70 anos se suicidem se e quando quiserem nunca surgiria se antes a cultura da eutanasia não tivesse feito o seu caminho

as boas condições, dos cuidados paliativos, são caros e apenas cerca de 10 a 20% das pessoas em portugal acabam por ter acesso a eles (e com a legalização da eutanásia, solução barata, o panorama não irá melhorar)

se existirem bons cuidados paliativos e não existir distanásia o numero de pessoas a desejar a morte é residual, mas vivemos numa sociedade cada vez aonde cada vez mais domina uma mentalidade de um materialismo utilitarista e o resultado provavel disto é aquele que aqui explico, quem não for rentavel acabe por ser visto como descartavel e a pressão social para que essa pessoa morra seja cada vez maior

estranho e acho que revelador da falta de conhecimento e reflexão sobre estes assuntos é o debate maior ser sobre a eutanásia, que a pratica indica que em chegando a hora é desejada apenas por uma pequenissima parte das pessoas, e não sobre a criação e melhoria dos cuidados paliativos que quando chega a ocasião é a opção desejada por quase todos

para resolver um problema que em criando as boas condições apenas afectaria uma infima parte das pessoas estamos a criar um problema que vai afectar a grande maioria das pessoas




No fundo, no fundo, lamento que tenhas razão...
 
se a pessoa se sentir querida, amada, por aqueles que ama, muito raramente, mesmo muito raramente quer morrer

e é este sentir-se amado que a possibilidade de pedir a eutanásia vai corroer lentamente

Fica com a tua...

Tu pensas saber o que é melhor para todos. Eu só quero que não limitem as minhas opções pessoais.

Se a nossa capacidade para amar mais ou amar menos é um reflexo da sociedade então estamos melhores hoje do que estávamos há 50 anos. E tenho poucas dúvidas que enquanto vivermos num estado democrático e secular, com mais tropeção, menos tropeção, continuaremos no bom caminho.
 
Mais tentativas de adivinhacao do que será o futuro, mas eu vou ver se te dou algumas novidades...nao deveriam de ser novidades...

- Para haver eutanasia terá de haver concentimento da pessoa,
- Para haver eutanasia terá de se obedecer a determinados critérios,

A tua adivinhacao tem apenas tem a ver com o medo que tens de um dia a tua familia te vir a fazer isso e te tentar convencer que o melhor é ires... Mesmo numa situacao dessas tens de ser tu a concordar, a pedir e continuas a ter de obedecer a esses mesmo critérios.

Hoje, as pessoas que querem ter o direito de ir tem de ter dinheiro suficiente para conseguirem sair do país e conseguir ver o seu desejo satisfeito, outros, sem dinheiro para tal, tem de gramar com mais um tubo enfiado pelo c* acima que lhes vai permitir viver nem que seja mais um minuto do que aquilo que eles próprios queriam.


Nao me conseguiste responder, no dia em que fores tu a achar que já nao vale a pena continuar mais no sofrimento? Nao vais querer ter essa mesma liberdade?


Quanto aos custos, vem aí a próxima novidade...

Hoje, nos hospitais de todo o mundo, quando os médicos veem que nao há esperanca, desligam as máquinas, o que faz com que a pessoa morra, nao é só em Portugal por ter uma divida para pagar, é em todo o mundo caso contrário terias muitas pessoas ligadas ás maquinas anos e anos a fio.


Boas Turboyoda,

Esse é um erro quando se quer falar de lei, do processo legislativo... não podemos particularizar... porque se a lei for para corresponder às minhas circunstâncias, provavelmente mais ninguém gostaria deste mundo... ias ter tantas leis quantas pessoas... cada um com a sua.
A lei é geral e abstracta e dá guarida ao quadro de valores e princípios que se têm, a dada altura do devir histórico, por melhores e mais válidos.
 
Pretendo sim, poder dispor da minha vida na sua totalidade. Desde que esse meu direito não interfira com os direitos de outras pessoas, não vejo porque não [:D]. E sim, gostava de viver numa sociedade que o permitisse. Afinal não é isso mesmo que estamos a discutir?

A constituição não o permite? É porque pode ser melhorada/clarificada. Faz-se uma emenda. Não é a 1a e certamente não seria a última. É um belo documento mas seria mau sinal se se mantivesse inalterada desde 1976.

Se não for desta, será numa próxima oportunidade.
 
Fica com a tua...

Tu pensas saber o que é melhor para todos. Eu só quero que não limitem as minhas opções pessoais.

Se a nossa capacidade para amar mais ou amar menos é um reflexo da sociedade então estamos melhores hoje do que estávamos há 50 anos. E tenho poucas dúvidas que enquanto vivermos num estado democrático e secular, com mais tropeção, menos tropeção, continuaremos no bom caminho.

A demografia é o destino

Se a irrelevancia é o bom caminho então a Europa está nesse caminho
 
Pretendo sim, poder dispor da minha vida na sua totalidade. Desde que esse meu direito não interfira com os direitos de outras pessoas, não vejo porque não [:D]. E sim, gostava de viver numa sociedade que o permitisse. Afinal não é isso mesmo que estamos a discutir?

A constituição não o permite? É porque pode ser melhorada/clarificada. Faz-se uma emenda. Não é a 1a e certamente não seria a última. É um belo documento mas seria mau sinal se se mantivesse inalterada desde 1976.

Se não for desta, será numa próxima oportunidade.



Se eu puder perguntar, és favor da abrir uma excepção ao princípio da inviolabilidade da vida apenas na eutanásia ou mais alguma situação?
 
não estão a compreender, mas também não importa, também não pretendo convencer ninguém

tem a ver com a mudança de mentalidades que a legalização e consequente normalização da eutanásia vai provocar

quanto ao dinheiro, como a grande maioria nessas situações quer continuar a viver, quem tem dinheiro vai poder ter acesso a bons cuidados paliativos, quem não tem vai ter direito a sofrer até desesperar e pedir assim a economizadora eutanásia

no dia em que for eu? eu sou contra a eutanásia, tenho dinheiro que chegue e sobre para pagar cuidados paliativos e tenho hábitos frugais
e também sei distinguir eutanásia de repudio da distanásia

A grande maioria... Não sei em que números te baseias mas ok...

Sabes que o dinheiro não paga tudo, em determinados casos até podes estar a suar dinheiro que não consegues sair do sofrimento atroz.

És contra, okay, ma hora h, aposto que te imploras por ela.
 
Boas Turboyoda,

Esse é um erro quando se quer falar de lei, do processo legislativo... não podemos particularizar... porque se a lei for para corresponder às minhas circunstâncias, provavelmente mais ninguém gostaria deste mundo... ias ter tantas leis quantas pessoas... cada um com a sua.
A lei é geral e abstracta e dá guarida ao quadro de valores e princípios que se têm, a dada altura do devir histórico, por melhores e mais válidos.

Não se pode agradar a gregos e a troianos no entanto, se eu quiser por termo a minha vida, quero poder fazê-lo sem ter de viajar para outro país.
Não é obrigatorio nem nunca será, algum pessoal deve de ter medo que a família os obrigue a isso.

Eu quero ter a opção, e não é por existirem pessoas sem escrúpulos que eu devo de ficar sem ela.


Quando digo eu, digo qualquer pessoa que esteja nessa situação.
 
Se eu puder perguntar, és favor da abrir uma excepção ao princípio da inviolabilidade da vida apenas na eutanásia ou mais alguma situação?

Não me ocorre outra de repente. Sou contra a pena de morte. Mas tenho todo o gosto em discutir caso a caso se quiseres avançar algumas. Mas não me convencerás com teorias do "slippery slope"
 
Não me ocorre outra de repente. Sou contra a pena de morte. Mas tenho todo o gosto em discutir caso a caso se quiseres avançar algumas. Mas não me convencerás com teorias do "slippery slope"



Nem te procuro convencer, nem sei o que é isso do Snoopy a que te referes.
Pena de morte já sabemos que não.
E aborto livre até as 12 semanas?
Ou matar à nascença em caso de doença grave ou mal-formação?
E o suicídio (propaganda ou ajuda ao suicídio)?
 
Nem te procuro convencer, nem sei o que é isso do Snoopy a que te referes.
Pena de morte já sabemos que não.

E aborto livre até as 12 semanas? Sim. Até um pouco mais tarde se houver risco para a mãe. Embora não veja isso com uma excepção a inviolabilidade da vida. Não subscrevo a ideia de "pessoa" logo na concepção.

Ou matar à nascença em caso de doença grave ou mal-formação? Nunca. Quando muito que não se façam intervenções excepcionais que sirvam apenas para prolonguar a vida da criança e não tragam benefícios mensurável na sua qualidade de vida, se os pais assim entenderem.

E o suicídio (propaganda ou ajuda ao suicídio)? Não sei o que queres dizer por propaganda, mas já aqui disse que preferia que a eutanásia não estivesse limitada a doenças terminais. Posso acrescentar que não me lembro de discordar com nenhum daqueles casos mais mediáticos que pela sua "raridade" são notícia em todo o mundo. Mas admito não os conhecer todos.

/QUOTE]

É mais ou menos isto.
 
Estamos neste momento a assistir a uma pandemia mundial sem precedentes, apesar de a taxa de mortalidade ser relativamente baixa nao há sistema nacional de saude que consiga resistir a milhares de pessoas a procurar por ajuda ao mesmo tempo...é natural que vá chegar a uma certa altura em que os médicos mesmo que oficialmente ou nao, irao ter de decidir em quem vale a pena investir o tempo/recurso por provabilidades de essa mesma pessoa viver ou nao.

Isso é independente da eutanasia, por isso sim a comparacao é demasiado triste para conseguir explorar muito sob a forma de comentários.



como já disse antes, eu, enquanto pessoa, quero ter o direito de em caso de decidir por termo a minha vida, por nao ter mais solucao.
Consegues explicar porque razao haverei eu de estar privado dessa liberdade?


não pretendo convencer ninguém, até porque as pessoas não são "convenciveis" com argumentos racionais, mas sim por emocionais

no entanto o que se sabe é que pelo menos metade das pessoas, eu e tu, toca a todos, vai precisar de cuidados paliativos, seja aqui seja na holanda, seja no chile

no entanto o que vemos nos paises que aprovaram a eutanasia e a sua aplicação ainda não deslizou para praticas abusivas e muito duvidosas, como na belgica e na holanda aonde começaram a matar pessoas com depressão ou sem autorização expressa dos doentes , etc é que apenas uma parte bastante pequena dos doentes pede a eutanasia, no hora H a grande maioria quer viver e então se lhes derem acesso a cuidados paliativos isso ainda é mais acentuado

também vai da observação empirica que muitas familias anseiam porque o doente morra, para deixarem de ter trabalho, deixarem de ter despesa, para deitarem as unhas à herança e muitas vezes fazem sentir isso ao doente, nem que seja esporadicamente em momentos de tensão ou conflito com o doente

sem a possibilidade da eutanasia a família e a sociedade não consegue pressionar o doente para ele pedir a morte, lembro que mesmo em situações terminais o que se verifica nos paises que já aprovaram a eutanásia e esta é aplicada sem abusos é que a esmagadora maioria dos doentes quer viver, na ordem de mais de 95% destes, afinal a % de pessoas eutanasiadas nesses paises é na ordem dos 0,5%. Dados estatisticos que me lembro de memória. Claro que podem ter momentos de maior desespero, mas de forma consistente querem viver, a percentagem de pessoas . Provavelmente quase todos eles diziam, quando estavam saudáveis que naquelas condições prefeririam morrer, mas em chegando essas circunstancias o apego à vida prevalece, as pessoas querem viver mais um pouco, para ver como crescem os netos, se o clube dele vence o campeonato, etc querem viver e se sentirem amados por aqueles que amam até são mais felizes que muitos que não estão doentes. Normalmente como aqui testemunhou o avant, que é médico, e testemunho eu quando contacto com esses doentes a vontade de morrer, o sofrimento fisico da quase totalidade desses doentes existe quando não se lhes proporciona acesso a bons tratamentos médicos, a bons cuidados paliativos

a legalização da eutanasia altera tudo isto.

para os polticos fica mais barato que o doente morra e doente terminal não vota. logo a tendencia será para desinvestir em cuidados paliativos, que na pratica se verifica ser a opção preferencial de quase todos os doentes em fase terminal.
logo a circunstancias para quase todos nós irão piorar só por aí

mas o principal é a família, uma querem que o familiar viva e até pressionam que se aplique a distanásia, o que também é um erro frequente
mas outras querem é ver-se livre do doente, lembro que portugal é dos paises com maiores taxas de violencia e abandono sobre idosos

ora em não existindo a possibilidade legal de o doente pedir para morrer a familia não pode exercer pressão sobre o doente nesse sentido, em existindo ela vai existir em numerosos casos, para esses doentes a vida irá piorar muito, para além das dores fisicas da doença será acrescentada a tortura psicologica da familia que pressiona para que ele morra, sentirá essa rejeição profunda no final da sua vida

esses doentes serão muito mais numerosos que aqueles que desejam livremente, sem coação, realmente a eutanasia

depois, com o passar do tempo, veremos uma coisa que compreendo que seja muito dificil de entender hoje, mas já se verifica na holanda e na belgica e irá aumentar muito mais ainda porque quantos mais paises legalizarem a eutanasia mais isso ocorrerá

a normalização dessa eutanasia irá alterar a mentalidade/cultura da população, na logica do materialismo utilitarista cada vez mais dominante o doente que não pede para morrer está a ser egoista, é um peso para a sociedade e para a familia

daí que se vejam cada vez mais paises que negam tratamentos a doentes, principalmente idosos, por exemplo, não é por falta de dinheiro de paises ricos, que doentes hemofilicos deixam de ser tratados pelo sistema publico de saude a partir de determinada idade, é que a cultura desses paises leva a isso

quem não vê que a mesma cultura vai inevitavelmente levar a um desinvestimento nos cuidados paliativos? é-me mais que evidente

a possibilidade legal da eutanasia numa logica de utilitarismo materialista faz com que o doente para não prejudicar a sociedade em geral e a familia a quem dedicou a vida, para não ser egoista, para não ser isto como um cobarde inutil e egoista deva deixar de ser um inutil peso dispendioso, deva pedir a morte, já que essa porta está aberta
os exemplos cada vez maiores de outras pessoas que pediram para morrer apontarão nesse sentido, servirão para aumentar a pressão nesse sentido

o que se verifica atualmente, estatisticamente e verifica empiricamente quem convive com doentes terminais, é que na sua esmagadora maioria as pessoas agarram-se à vida, mesmo em situações terminais, principalmente se tiverem acesso a cuidados paliativos adequandos

mas com a porta da eutanasia aberta à dor fisica será acrescentada progressivamente uma cada vez maior tortura psicologica, uma nuvem negra dentro da cabeça do doente, a dizer
és um inutil que dá despesa e trabalho, o teu dever, para não prejudicares os teus filhos, o teu marido, a tua esposa, é pedir para morrer, está a ser egoista ao não o fazer

como o apego à vida prevalece quase sempre, para a quase totalidade dos doentes (e cada vez mais não serão apenas os terminais ou sequer os incapacitados, basta não serem lucrativos para a familia ou a sociedade) a sua situação piorará

haverá exceções, mas serão muitissimo menos que as pessoas que em normais circunstancias querem viver

quase todos diziam, naquelas circunstancias queria era morrer, mas na hora H, o que verifica é que na realidade não o querem

é quase certo que aqueles que hoje desejam a legalização da eutanasia, a maior parte das pessoas, irão ter o que desejam

também é quase certo que quando chegar a hora aonde a doença fatal lhes tocar à porta essa legalização servirá para piorar a sua situação, vão querer viver, mas a sociedade vai fazer-lhes sentir que estão a ser cobardes e egoistas, acrescentando uma imensa dor psicologica à dor fisica, dor fisica essa que regra geral será maior do que seria se não existisse a possibilidade da eutanasia, porque entretanto não se investiu devidamente em cuidados paliativos

não vejo uma solução perfeita, porque uma solução perfeita implicaria pessoas moralmente perfeitas, a legalização da eutanasia seria a melhor escolha se as pessoas fossem moralmente excelentes, mas regra geral estão muito longe de o serem
 
não pretendo convencer ninguém, até porque as pessoas não são "convenciveis" com argumentos racionais, mas sim por emocionais

no entanto o que se sabe é que pelo menos metade das pessoas, eu e tu, toca a todos, vai precisar de cuidados paliativos, seja aqui seja na holanda, seja no chile

no entanto o que vemos nos paises que aprovaram a eutanasia e a sua aplicação ainda não deslizou para praticas abusivas e muito duvidosas, como na belgica e na holanda aonde começaram a matar pessoas com depressão ou sem autorização expressa dos doentes , etc é que apenas uma parte bastante pequena dos doentes pede a eutanasia, no hora H a grande maioria quer viver e então se lhes derem acesso a cuidados paliativos isso ainda é mais acentuado

também vai da observação empirica que muitas familias anseiam porque o doente morra, para deixarem de ter trabalho, deixarem de ter despesa, para deitarem as unhas à herança e muitas vezes fazem sentir isso ao doente, nem que seja esporadicamente em momentos de tensão ou conflito com o doente

sem a possibilidade da eutanasia a família e a sociedade não consegue pressionar o doente para ele pedir a morte, lembro que mesmo em situações terminais o que se verifica nos paises que já aprovaram a eutanásia e esta é aplicada sem abusos é que a esmagadora maioria dos doentes quer viver, na ordem de mais de 95% destes, afinal a % de pessoas eutanasiadas nesses paises é na ordem dos 0,5%. Dados estatisticos que me lembro de memória. Claro que podem ter momentos de maior desespero, mas de forma consistente querem viver, a percentagem de pessoas . Provavelmente quase todos eles diziam, quando estavam saudáveis que naquelas condições prefeririam morrer, mas em chegando essas circunstancias o apego à vida prevalece, as pessoas querem viver mais um pouco, para ver como crescem os netos, se o clube dele vence o campeonato, etc querem viver e se sentirem amados por aqueles que amam até são mais felizes que muitos que não estão doentes. Normalmente como aqui testemunhou o avant, que é médico, e testemunho eu quando contacto com esses doentes a vontade de morrer, o sofrimento fisico da quase totalidade desses doentes existe quando não se lhes proporciona acesso a bons tratamentos médicos, a bons cuidados paliativos

a legalização da eutanasia altera tudo isto.

para os polticos fica mais barato que o doente morra e doente terminal não vota. logo a tendencia será para desinvestir em cuidados paliativos, que na pratica se verifica ser a opção preferencial de quase todos os doentes em fase terminal.
logo a circunstancias para quase todos nós irão piorar só por aí

mas o principal é a família, uma querem que o familiar viva e até pressionam que se aplique a distanásia, o que também é um erro frequente
mas outras querem é ver-se livre do doente, lembro que portugal é dos paises com maiores taxas de violencia e abandono sobre idosos

ora em não existindo a possibilidade legal de o doente pedir para morrer a familia não pode exercer pressão sobre o doente nesse sentido, em existindo ela vai existir em numerosos casos, para esses doentes a vida irá piorar muito, para além das dores fisicas da doença será acrescentada a tortura psicologica da familia que pressiona para que ele morra, sentirá essa rejeição profunda no final da sua vida

esses doentes serão muito mais numerosos que aqueles que desejam livremente, sem coação, realmente a eutanasia

depois, com o passar do tempo, veremos uma coisa que compreendo que seja muito dificil de entender hoje, mas já se verifica na holanda e na belgica e irá aumentar muito mais ainda porque quantos mais paises legalizarem a eutanasia mais isso ocorrerá

a normalização dessa eutanasia irá alterar a mentalidade/cultura da população, na logica do materialismo utilitarista cada vez mais dominante o doente que não pede para morrer está a ser egoista, é um peso para a sociedade e para a familia

daí que se vejam cada vez mais paises que negam tratamentos a doentes, principalmente idosos, por exemplo, não é por falta de dinheiro de paises ricos, que doentes hemofilicos deixam de ser tratados pelo sistema publico de saude a partir de determinada idade, é que a cultura desses paises leva a isso

quem não vê que a mesma cultura vai inevitavelmente levar a um desinvestimento nos cuidados paliativos? é-me mais que evidente

a possibilidade legal da eutanasia numa logica de utilitarismo materialista faz com que o doente para não prejudicar a sociedade em geral e a familia a quem dedicou a vida, para não ser egoista, para não ser isto como um cobarde inutil e egoista deva deixar de ser um inutil peso dispendioso, deva pedir a morte, já que essa porta está aberta
os exemplos cada vez maiores de outras pessoas que pediram para morrer apontarão nesse sentido, servirão para aumentar a pressão nesse sentido

o que se verifica atualmente, estatisticamente e verifica empiricamente quem convive com doentes terminais, é que na sua esmagadora maioria as pessoas agarram-se à vida, mesmo em situações terminais, principalmente se tiverem acesso a cuidados paliativos adequandos

mas com a porta da eutanasia aberta à dor fisica será acrescentada progressivamente uma cada vez maior tortura psicologica, uma nuvem negra dentro da cabeça do doente, a dizer


como o apego à vida prevalece quase sempre, para a quase totalidade dos doentes (e cada vez mais não serão apenas os terminais ou sequer os incapacitados, basta não serem lucrativos para a familia ou a sociedade) a sua situação piorará

haverá exceções, mas serão muitissimo menos que as pessoas que em normais circunstancias querem viver

quase todos diziam, naquelas circunstancias queria era morrer, mas na hora H, o que verifica é que na realidade não o querem

é quase certo que aqueles que hoje desejam a legalização da eutanasia, a maior parte das pessoas, irão ter o que desejam

também é quase certo que quando chegar a hora aonde a doença fatal lhes tocar à porta essa legalização servirá para piorar a sua situação, vão querer viver, mas a sociedade vai fazer-lhes sentir que estão a ser cobardes e egoistas, acrescentando uma imensa dor psicologica à dor fisica, dor fisica essa que regra geral será maior do que seria se não existisse a possibilidade da eutanasia, porque entretanto não se investiu devidamente em cuidados paliativos

não vejo uma solução perfeita, porque uma solução perfeita implicaria pessoas moralmente perfeitas, a legalização da eutanasia seria a melhor escolha se as pessoas fossem moralmente excelentes, mas regra geral estão muito longe de o serem

Continuas a mandar a falácia de pessoas que foram mortas sem o seu consentimento em países como a Holanda e a Bélgica, podes mostrar provas documentadas de tal?

Todos nós podemos precisar de cuidados paleativos e verdade, mas haverá os que os querem ter e viver mais um bocadinho, da mesma forma que haverá os que querem colocar termo.

Os que querem viver mais, hoje têm o seu desejo satisfeito.
Os que não querem, aguentam até o corpo desistir.
 
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