Depende do VTEC, nos casos em que o VTEC é usado em carros pacatos, para terem boas baixas, provavelmente, os picos até se poderiam manter iguais. A diferença é que o motor, no caso de ter VTEC, pode ter, digamos, uns 120Nm às 2500rpm, ao passo que um motor sem VTEC teria talvez uns 90Nm a essa mesma rotação. O VTEC torna o motor mais cheio, mais utilizável, numa faixa mais alargada de utilização (rotação).
Os valores máximos de potência e binário até se poderiam manter, a diferença está nos valores de binário a rotações diferentes dessas, neste caso, mais baixas. O VTEC torna a curva de binário mais plana, sem ter necessariamente que aumentar os valores máximos (neste caso, 130Nm).
No caso de motores desportivos, em princípio, o funcionamento do VTEC traduzir-se-a num contínuo de binário, e logo de potência, a rotações mais elevadas (sem VTEC, o que aconteceria é que o aumento de rotação não compensaria o abaixamento de binário e a potência desceria). O motor fica então a respirar mais em altas rotações. Neste caso, a prevalência (ou ligeiro aumento) de binário do VTEC faz com que seja possível que o motor continue a fazer rotação sem perder potência - ganhando até.
O turbo causa uma descarga de binário logo apartir das baixas/médias rotações, mas depois disso, à medida que estas aumentam, o seu efeito é cada vez menor, não conseguindo injectar tanto ar quanto seria desejável, o que faz com que os motores turbinados não respirem tão bem em altas - há uma perda enorme de binário em altas rotações. Em muitos carros a gasolina turbinados não vale pena passar das 5500/6000rpm, pois já há quebras na potência debitada, ao passo que VTECs continuam a puxar bem a 8000rpm.
Digamos, de uma forma muito simplista, que o VTEC consegue mais potência a partir de mais rotação, e um motor turbinado consegue mais potência a partir de maior binário. O que um tem a mais em binário, o outro compensa com mais rotação.
Julgo que se trata disto. O Nuno156 que me espanque também, se não concordar [

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Não é motivo para espancamento, mas fizeste duas relações
que não fazem sentido:
- comparar VTEC com TURBO
- associar VTEC com rotações
No primeiro caso, porque podes ter ambos em simultâneo.
Logo, a questão de um carro com TURBO não ter muito
binário em altas prende-se (mais uma vez e sempre) com o
compromisso assumido na escolha da árvore de cames.
Portanto, consegues esse binário elevado em altas em carros
com TURBO se:
- tiveres variador
- não assumires compromisso com as baixas e usares uma
árvore boa para altas.
No segundo caso, porque as rotações que um motor pode
fazer não estão ligadas ao sistema VTEC.
Conheço melhor os motores da ALFA, pelo que vou usar
estes como exemplo:
1.6 TS com variador de fase (VF) tem o redline às 7000 rpm.
2.5 V6 sem VF tem o redline às 7000 rpm.
2.0 JTS sem VF tem o redline às 7000 rpm.
Sempre tiveste carros sem qualquer tipo de variador a fazerem
mais de 10.000 rpm, por exemplo. Há muitos anos, décadas
mesmo.
1. As rotações máximas que um motor a gasolina está
limitado depende:
a) da durabilidade que se quer que o motor tenha
b) do equilíbrio conseguido na construção do motor
Actualmente, com as máquinas robotizadas e computorizadas,
é possível construir motores muito bem equilibrados, e assim
ser possível atingir rotações muito elevadas. Se colocares
um motor desequilibrado a altas rotações, as vibrações
produzidas serão tão grandes que o motor desagrega-se.
2. As rotações são substituto de binário (e vice-versa).
Podes obter mais potência à custa do incremento de uma
de duas coisas:
a) rotação
b) binário
De uma forma simplista: potência = rotação x binário.
No entanto, num motor a gasóleo estás limitado ao
aumento de binário, para teres um aumento de potência,
devido ao próprio combustível.
O gasóleo tem uma combustão lenta, pelo que o movimento
do pistão (consequentemente rotação) não pode ser mais
rápido que a velocidade de expansão máxima provocada
pela combustão do gasóleo (a menos que estejas a descer
uma ravina com o carro engatado).
Por outro lado, a combustão da gasolina é rápida (explosão),
e por isso permite rotações muito mais elevadas que os
congéneres a gasóleo.
Permite rotações tão elevadas que normalmente estão
limitadas pelo equilíbrio conseguido no motor, e pela
durabilidade que se pretende que o motor tenha.