citação:Originalmente colocada por J.R.
Eu concordo quase em tudo com este post do mudano.
Saliento a diferente postura do CDS-PP na pessoa do Nuno Melo sobre a Azambuja.
Isto é oposição credível[^].
Sim.. O Nuno Melo esteve bem.. Disse o que havia a dizer.. Mas sinceramente ele também não é o tipo de politico que me agrade, ele numa fracção de segudos vai do sério, ao demagogico extremo, como disse o André..
Já agora, quanto à SS e uma vez que esta é apenas mais uma pequena reforma antes da "grande reforma" que tirará o espectro do colapso do nosso horizonte, acho que o que seria importante fazer seria retirar o lado politico da SS e tornar todos os seus calculos, aumentos ou descidas das reformas em pura matematica.. De forma a que o sistema estivesse sempre +/- equilibrado.. Há demasiada politica nos aumentos das reformas, e em tudo o que é ligado à SS.. Por exemplo, quando se avançou com o regime das pré-refomas, como havia interesse em reduzir o desemprego por essa via, fez-se isso com uma taxa de penalização que era altamente prejudicial para o Estado. Só agora se colocou a taxa de penalização no valor de equilibrio.. E depois, questões como o aumento da população reformada devia automaticamente reflectir-se nos calculos das pensões..
Quanto aos sistemas mistos, acho que é uma questão a estudar, mas parece-me um bocado dificil fazer uma transição suave sem colocar problemas de sustentabilidade graves à SS..
No que toca ao modelo social já toda a gente percebeu que temos um paradoxo bloqueio.. Por um lado, temos um modelo desenhado para crescimentos de 4 ou 5% do PIB ao ano, mas por outro lado, esse modelo está-nos a impedir de crescer a mais do que 1 ou 2% ao ano.. Isso leva a um novo paradoxo grave, é urgente emagrecer o Estado, mas vivemos num pais muito dependente do Estado, e com uma eqconomia com uma dinamica muito fraca e que no imediato não é capaz de dar solução aos problemas, pelo que esse emagracimento do Estado se for feito de forma bruta vai sem duvida abrir a caixa de pandora da exclusão social e das desigualdades.. E a mim não me parece que ninguém queira ver situações como as que se viram em França..
De qualquer forma, penso que o grande problema do nosso pais, nem é tanto o Estado em si, mas o desiquilibrio da economia que foi provocado por uma pessima politica de entrada no euro, politica do Cavaco e posteriormente do Guterres..
Com as negociações para entrarmos no SME, levadas a cabo pelo Cavaco aceitamos uma taxa de cambio altamente prejudicial para a nossa competitividade que de um momento para o outro roubou segundo as opiniões de varios "experts" cerca de 20% da nossa competitividade externa de um momento para o outro.
Se a isso somarmos uma decada praticamente de juros sempre em queda, politicas de incentivo ao consumo, um governo gastador e esbanjador, creditos habitação bonificados, etc.. etc.. Facilmente se percebe que a nossa economia tenha deixado de innvestir na produção de bens transacionaveis e tenha apostado na produção para consumo interno.. Deixamos de produzir muitas coisas para exportar para alocarmos esses recursos na construção desmesurada de casas e outros bens de consumo interno. E por outro lado era as importações sempre a aumentar, basta pensar que nunca se venderam tantos carros como nos anos de 99 ~ 2001.. Salvo erro actualmente vende-se praticamente metade dos carros que se vendiam em 2000..
Enfim.. Tudo isto desiquilibrou profundamente a nossa economia, tornou-nos a todos, quer como pais, quer as familias em entidades super-endividadas e é algo que vai limitar o nosso crescimento ao longo de muitos anos..
Agora é preciso voltar a apostar nas exportações, apertar o cinto do consumo interno e ao mesmo tempo reduzir as despesas do Estado para controlar o defice.. É uma situação ingrata sem duvida.. Provavelmente as subidas das taxas de juro, apesar de aparentemente inconvenientes sejam a grande ajuda que o nosso pais precisa.. Vai refrear os impetos de consumo e vai permitir um crescimento sustentavel.. Um crescimento que se baseie na produção nacional e não apenas nos desiquilibrios com o exterior..
E no meio disto tudo vem o modelo de crescimento.. Que nós simplesmente não temos.. Acho que era muito mais facil dar uma resposta coerente as varias questões tendo um modelo global para enquadrar os problemas, do que tentar "desenrascar" problema a problema..
Falou-se no Plano Tecnologico, que eu acho extremamente importante que se aposte ai. Sem duvida temos que tornar a nossa economia mais tecnologica, ninguém põe isso em causa. Eu não podia estar mais de acordo com o que eram as intenções iniciais..
Mas há que ser realista, nós se não temos vantagens comparativas no calçado e nos texteis, também não temos nem nunca vamos ter na tecnologia. É preciso ver que a China já produz satelites, processadores para computadores pessoais, ou a India que tem a maior comunidade de programadores do Mundo, etc.. etc.. Não é pela tecnologia que nós vamos fugir do fim do plutão europeu.
Uma ideia que ouvi há tempos e me pareceu excelente era apostar no modelo de desenvolvimento que adoptou a Florida. A nossa real mais valia em termos europeus é o clima e as praias, por isso deviamos investir nisso ao maximo como motor da nossa economia. Salvo erro o turismo já representa qualquer coisa como 10% do nosso PIB, mas ainda há muito por onde melhorar.. E uma das melhores coisas que Portugal poderia fazer, seria em vez do turismo massificado de povo que só vem apanhar sol e beber duas ou tres cervejas, apostar no turismo senior de qualidade. Atrair os reformados europeus, que têm grandes reformas, chama-los para o nosso clima temperado, construir centros de cuidados medicos, termas, e essas tretas que eles precisam.. E com isso aumentar as transferencias do extrangeiro em direcção a Portugal, até porque o abono de familia que costumavamos ter que eram as transferencias dos emigrantes, começa a reduzir-se ano após ano..