algumas notas a azul...
Isto não são teorias da conspiração.
Temos de ver que com o mundo auto que temos hoje é mais dificil de mudar do que antes. Isto porque com toda a partlha de componentes e linhas de montagem comuns, tem de se adaptar as soluções que os modelos possuem a essa realidade produtiva, e não o contrário.
Não faria sentido financeiro e até lógico, numa mesma linha de montagem, ter dois carros com processos de fabricação distintos. Têm os dois de recorrer aos mesmos processos. E na concepção de um modelo já têm isso em conta.
Por isso, as mudanças são bastante calculadas e até diminutas, porque no geral, afectam automaticamente um sem número de modelos. Vemos apenas a optimização dos processos existentes sem oportunidade de implementar outros.
Como disse, não são soluções milagrosas, quando elas já existem e apenas esperam que sejam implementadas.
O problema residirá sempre na produção das mesmas.
Por isso é mais fácil encontrar estas novas soluções em pequenos construtores, que em grandes grupos automóveis.
No caso da Dacia, e mesmo pegando nos processos usados pela marca mãe, Renault, existem outras formas de se poupar. Se os designers tivessem considerado durante a projectação do carro com certos pormenores, conseguiriam reduções importantes de custos na produção do carro.
Soluções de desenho de certas partes, que sejam desenhadas recorrendo a um eixo de simetria, poderiam facilmente dispensar a duplicação de moldes, já que as mesmas poderiam ser aplicadas tanto do lado direito como esquerdo. Até acho que a Dacia usou esta técnica no desenho dos retrovisores.
Poderiam-na ter aplicado em maior escala, como párachoques, portas, grupos ópticos. Se o objectivo era low-cost, este seria um dos caminhos mais válidos a seguir, sem prejudicar os "comos" na linha de produção.
Poderiam levar mais tempo a congelar a fase de design, de modo a conseguir uma proposta estética válida, mas resultaria numa poupança considerável de custos na linha de produção, e talvez não fosse necessário sacrificar aspectos fundamentais dos automóveis actuais como segurança e integridade geral do veículo.
Há tanto por onde pegar. Um problema tem múltiplas soluções, não tem necessariamente de se recorrer a materiais exóticos e coisas da era espacial...
Quanto à Espace IV, a uniformização com a restante gama não inviabiliza o que eu digo.
Em termos de resistência e durabilidade, a Renault tinha ali um problema que a própria admitiu.
Aliás, se a memória não me falha, a Espace III.2 já tinha umas soluções de acabamento da carroçaria a encarecerem o conjunto exactamente para fazer face ao desgaste rápido que aquele tipo de material tinha. Ou seja, já se estava "a complicar" para "dar a volta" a aspectos negativos daquele tipo de solução.
Não me viste dizer que o plástico não está a substituir o metal, apenas dei o exemplo dos guarda-lamas que a Renault fazia com o intuito de terem menores custos em caso de toque (julgo que até também eram em compósito, pegando nos ensinamentos matrianos...) e que abandonou exactamente por motivos de apresentação/durabilidade. Lembro-me até de um dirigente da Renault dizer que recebiam queixas de clientes que ao se encostar no guarda-lamas e ao ele ser tão "deformável", achavam um sinal de "falta de qualidade", de pouca "solidez". As coisas são assim...
Temos, portanto, uma série de factores que viabilizam ou inviabilizam determinadas soluções. Aliás, como muitas vezes acontece, consegue isso que dizes de soluções novas até serem "produzíveis" (veja-se, economicamente viáveis) mas ao prejudicar-se aspectos padrão que o consumidor valoriza, acabam por ser abandonadas na geração seguinte...
No caso do Golf V/VI, ficou não só mais barato de produzir como o ganho nos prémios de seguro foi completamente anulado, pois os sistemas de fixação deixaram a tal solução mais "sofisticada". Logo não foi uma solução propriamente win-win...
No caso da Dacia, parece-me que há uma boa parte de redução de custos mais "invisível" e que, filosoficamente, acaba por estar mais evidente no Logan que é o único Dacia actual pensado de acordo com o plano inicial.
Tanto o Sandero como o Duster, já se desviam um pouco da filosofia inicial que se baseava em poupar claramente em determinados componentes como os estilísticos (daí a ausência de linhas/vincos no Logan mas que no Sandero e Duster já aparecem), em prol de favorecer coisas como um AC reforçado (o Logan utiliza a versão do Clio Mexicano), manutenção fácil e rápida, suspensão para lidar com "estradas" de terra batida, etc.
O caminho actual da Dacia foi desviado, particularmente quando a Renault percebeu que dava para vender o produto nos mercados de 1º mundo...bastando para isso aplicar a gama de motorizações Renault que cumprisse as normas Euro.
Daí que o que temos agora é algo ligeiramente diferente e será, cada vez mais patente, com o Logan II e respectivos derivados...
Acho que, curiosamente, no início havia uma procura de soluções de simplificação industrial e isso está patente no Logan. Apesar do produto final ser downgrade, existiu ali a tentativa de um caminho diferente, talvez tímido, mas houve algum.
Actualmente tenho que concordar contigo...não há.
E não há essencialmente porque a Renault agora quer rentabilizar "a forma de construir Dacia" que já "desenvolveu" [

]
Resulta comercialmente, agora é descansar sobre os louros alcançados...