Se fosse um mito já há muito que as marcas tinham encontrado essas soluções milagrosas que tanto apregoas, nos seus quadros não estão propriamente pessoas incompetentes, falar a partir de fora é muito fácil. [

]
As opções estratégicas nesta indústria ou em qualquer outra, regem-se pela racionalidade.
Se fosse simples, veja-se barato, já estava feito.
Como tal há alguma razão para isso não acontecer.
Veja-se:
1. Ser tão ou mais barato, terem vantagens claras mas os resultados finais totais não serem iguais a soluções mais convencionais
2. Ser mais caro e o output final não compensar o sobrecusto que essas soluções têm
3. Serem até mais baratas de produzir mas, pelo menos, a nível de desenvolvimento terem custos avultados.
Há numerosos exemplos na indústria de como soluções que teoricamente têm muitas vantagens e são vistas como progresso, no final da experiência trazem mais desvantagens e têm que ser abandonadas.
1. Por exemplo, a carroçaria em material compósito da Matra para a Espace. Nasceu com o propósito de responder a um problema de (excesso) peso. Industrialmente conseguiu-se rentabilizar-se a coisa. O certo é que tinha desvantagens a nível de durabilidade/qualidade de apresentação e acabou por ser abandonada na IV geração.
Mau exemplo. O Espace IV é uma criatura bastante distinta ao nivel de concepção das restantes. Baseia-se numa base comum ao Laguna e VelSatis teve de se adaptar a uma linha de montagem comum. Daí, ser necessário repensar o projecto para se "encaixar" no processo produtivo daquela unidade fabril. Não foi uma questão de a solução de materiais compósitos ser inferior.
Ou os pára-lamas deformáveis que a Renault também tentou durante uns anos e que se viu forçada à abandonar porque davam mau aspecto aos seus carros.
Estamos a falar da mesma Renault em que praticamente todos os paineis da frente dos seus modelos são plástico? Com cada vez párachoques maiores a invadirem o espaço antes ocupado por paineis metálicos?
Há n exemplos destas e tu conhece-los melhor que ninguém.
2. O sistema de fixação das portas do Golf V.
ELes criaram para o VI portas mais baratas de produzir. Foi necessário perder qualidade? Até me parece que com o restyling ainda ficou melhor nesse campo. WIN-WIN
3. Os protótipos estão cheios de soluções dessas...
Em suma, como eu não acredito em teorias da conspiração, sou forçado a chegar à conclusão óbvia que é: se fosse mais barato ou até ao mesmo preço, uma solução melhor seria sempre a escolhida, como é natural.
Se não o é, se acabamos com Dacias recauchutados de tecnologia Renault outdated e/ou downgraded, é porque é mais barato.
E porque, let's face it, a este nível de preço não há milagres.
Mais tirando exemplos pontuais, a maioria das inovações na maioria das indústrias vêm sempre de cima para baixo, exactamente porque os custos de desenvolvimento de novas soluções exigem um preço de venda ao público elevado.
algumas notas a azul...
Isto não são teorias da conspiração.
Temos de ver que com o mundo auto que temos hoje é mais dificil de mudar do que antes. Isto porque com toda a partlha de componentes e linhas de montagem comuns, tem de se adaptar as soluções que os modelos possuem a essa realidade produtiva, e não o contrário.
Não faria sentido financeiro e até lógico, numa mesma linha de montagem, ter dois carros com processos de fabricação distintos. Têm os dois de recorrer aos mesmos processos. E na concepção de um modelo já têm isso em conta.
Por isso, as mudanças são bastante calculadas e até diminutas, porque no geral, afectam automaticamente um sem número de modelos. Vemos apenas a optimização dos processos existentes sem oportunidade de implementar outros.
Como disse, não são soluções milagrosas, quando elas já existem e apenas esperam que sejam implementadas.
O problema residirá sempre na produção das mesmas.
Por isso é mais fácil encontrar estas novas soluções em pequenos construtores, que em grandes grupos automóveis.
No caso da Dacia, e mesmo pegando nos processos usados pela marca mãe, Renault, existem outras formas de se poupar. Se os designers tivessem considerado durante a projectação do carro com certos pormenores, conseguiriam reduções importantes de custos na produção do carro.
Soluções de desenho de certas partes, que sejam desenhadas recorrendo a um eixo de simetria, poderiam facilmente dispensar a duplicação de moldes, já que as mesmas poderiam ser aplicadas tanto do lado direito como esquerdo. Até acho que a Dacia usou esta técnica no desenho dos retrovisores.
Poderiam-na ter aplicado em maior escala, como párachoques, portas, grupos ópticos. Se o objectivo era low-cost, este seria um dos caminhos mais válidos a seguir, sem prejudicar os "comos" na linha de produção.
Poderiam levar mais tempo a congelar a fase de design, de modo a conseguir uma proposta estética válida, mas resultaria numa poupança considerável de custos na linha de produção, e talvez não fosse necessário sacrificar aspectos fundamentais dos automóveis actuais como segurança e integridade geral do veículo.
Há tanto por onde pegar. Um problema tem múltiplas soluções, não tem necessariamente de se recorrer a materiais exóticos e coisas da era espacial...