Hoje estive dentro de um Duster...
Análise Exterior:
A linha sugere uma imensa robustez, muito à conta das cavas das rodas e dimensão generosa dos pneumáticos (205 / 55 R16). O carro tinha ainda os alargamentos em plástico, barras longitudinais no tejadilho e estribos, o que só reforça a imagem.
O design, não sendo deslumbrante, consegue cativar e torna-se agradável.
O mais engraçado é ver que, apartir das portas da frente e pára-brisas dianteiro se fez um carro com uma personalidade forte. Aqui os designers e engenheiros estão de parabéns por tal proeza.
Analisando a pintura, é um nadinha decepcionante ver a "casca de laranja". Mas se até já a encontrei em BMW, nada de novo por aqui...
Ao contrário de algumas marcas generalistas, os painéis da carroçaria do Duster são integralmente pintados, de um lado e de outro, à cor da carroçaria.
Analisando um pouco mais a carroçaria, descobre-se que as portas são bastante leves, tal é a simplicidade do carro, e que o espaço entre os vários painéis é ligeiramente superior ao que a Renault (cerca de 3 mm) faz nas suas gamas inferiores (1 ou 2 mm a mais, se tanto !).
O compartimento do motor é uma cópia descarada do Clio II, ainda que com ténues modificações. Porém, é mais espaçoso para se trabalhar.
Análise Interior:
É aqui que surgem as maiores críticas ao Duster...
Podem estrabuchar com tudo, porém a maior parte dessas críticas, são a meu ver, bastante infundamentadas !!!
O desenho...
O desenho interior é simples, básico. É o já conhecido do Logan e Sandero. Só peca por não se destacar mas qual é o problema ? Nenhum...
A única coisa que destoa mesmo é aquela imitação em plástico de madeira. É foleiro, realmente foleiro. E facilmente riscável...
Quanto aos restantes materiais, até são bastante bons, olhando ao preço. São duros mas resistentes. E pasmem-se, são de qualidade aos que podemos encontrar num Mégane III / Fluence nas portas (e não só)... Falta de qualidade ? Pois... [

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Falhas ou desalinhamentos são praticamente imperceptíveis. O número de peças que constituem o tablier do Duster são relativamente poucas, o que deixa antever um bom envelhecimento sem os tradicionais grilos.
O tecido dos bancos é exactamente igual, em qualidade e suavidade ao toque, do Mégane II na versão Dynamique... O que me deixa a pensar na sua resistência ao longo do tempo... Será preferível optar pela versão Cuir, na minha modesta opinião.
A posição de condução é replicada do Clio II mas mais elevada. O volante permite pouca amplitude na regulação em altura, o que é pena.
Um pouco por todo o interior, vemos parafusos que não estão cobertos por tampas (como habitualmente vemos), denotando mais uma vez a economia. E aquela tampa nos apoios dos braços da frente fica ali tão mal... [8b]
A ergonomia é outro ponto menos a favor do Duster (e de qualquer outro Dacia, note-se...).
Se os comandos principais relativos à condução são de fácil apreensão e estão bem colocados, já para abrir um dos 4 vidros eléctricos pode ser uma pequena aventura, sobretudo os de trás.
A climatização e os seus comandos são de fácil utilização, assim como os restantes.
O comando da caixa é uma franca evolução do que temos visto na marca. Cai bem na mão e é suave q.b..
O espaço interior é bastante porreiro, mesmo atrás. O que o torna num bom (e já agora polivalente) pequeno familiar (sobretudo para bolsas mais pequenas...).
Bancos com a tradicional moleza Francesa sem cair no exagero. Eu gostei.
Os espaços de arrumação poderiam ser mais mas ressalve-se o facto de ter bolsas nas costas dos bancos da frente (coisa que em certas propostas dos segmentos C e D não trazem...)
A bagageira é ampla e de fácil aproveitamento, sendo integralmente forrada e por baixo também tem um feltro para reduzir os ruídos.
A chapeleira denuncia mais uma vez a economia realizada no Duster. Pouco mais que uma folha de tecido em napa e sem enrolador... É pena. A tampa da mala não se encontra totalmente forrada.
Na mala, há um pormenor que eu repudio: a soleira da mala não tem protecção, o que faz com que a chapa fique muito desprotegida e sujeita a riscos e maus tratos. Poupar mas não tanto, porra !
Não trás roda sobresalente, resumindo-se a um "kit" anti-furo (que eu detesto).
Falta a análise dinâmica, mas como o carro se encontra vendido (mais um... [

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Voltando à vaca fria...
Se vale o que custa ?
Acho que sim. Muito sinceramente...
É certo que há certas coisas que denunciam a economia mas isso reflecte-se no preço final, que em Portugal não é mais competitivo porque sabemos que existe um malfadado imposto chamado ISV... [8b]
Olhar para o Duster da mesma forma como olhamos para um Yeti ou QQ não faz qualquer sentido. Ainda mais agora, que o pude analisar friamente...
Temos no Duster uma proposta económica (por vezes roça o exagero, é certo), que replica de uma forma simples os veículos SUV que tanto estão agora na moda.
Oferece um espaço generoso face à sua dimensão e custo. Para além de uma polivalência nata, pois mesmo na versão 4x2 não deverá temer alguns caminhos agrícolas ou estradões de terra. Em suma, se calhar permite ir um nadinha mais longe que um pacato familiar, o que o torna ideal para adeptos de passeios à descoberta.
E pelo preço que custa, desenganem-se aqueles que julgam encontrar melhor...
Simplesmente, não há ! [

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