Volta e meia, isto é "assunto quente" e como tal vou dar a minha opinião, da experiência que vivi. Fui praxado, praxei e continuarei a fazê-lo até ao dia em que achar relevante. Vai sair um texto grande.
"Txxii, cambada de mentecaptos, fazem mal às criancinhas. Cambada de bêbados, nem o curso têm acabado, haviam todos de morrer". Multipliquem este comentário genérico por 100 e é o que se encontra, regra geral, como comentário de FB em relação ao tema numa notícia do FB da Sic Noticias, Tvi24 ou seja lá que comunicação social(CS) for.
Pois bem - só a título de exemplo e refutação fácil do negrito acima - o Dux da minha faculdade acabou a sua licenciatura + mestrado nos habituais 5 anos. Efectivamente continua a ser Dux porque quer, e inscreve-se a uma cadeira por ano, "só porque sim" para o ser. É dinheiro deitado ao lixo? É. Mas é o dinheiro dele, faz o que bem entender com ele.
Esta "opinião de FB", que respeito quem a tem, tem todo o direito a tê-la, nasce exactamente porque a CS ao longo dos anos monta as suas peças sobre praxe, de forma pouco isenta e completamente biased. Exactamente a propósito desta noticia recente das alternativas à integração de estudantes do primeiro ano, sem ser em praxe, a Sic fez a sua notícia. Primeiros segundos da peça? Caloira a levar com cerveja em cima, com a boca encostada ao chão. A peça, que tenha durado, ~2 minutos, esteve sempre em torno de condicionar a visão de quem viu a reportagem a pensar que isto acontece em todo o lado. Efectivamente acontece em alguns, as imagens não mentem. Eu, por exemplo, fui assim praxado? Nunca aconteceu. Nem a mim, nem a qualquer caloiro da minha faculdade porque não são assim que as coisas rolam na instituição em que estou a tirar o curso. Há exageros, certamente que os há, e a CS esfrega sempre as mãos quando acontecem, afinal é "material" jornalístico para vender por uns bons jornais da noite. Há exageros em todas as praxes de todas as faculdades/institutos de Portugal? Impossível.
Pergunto: Quantas vezes a CS, noticiou que, eu enquanto caloiro e posteriormente os "meus" caloiros, participaram numa acção de beneficência para com instituições de caridade, ou para ajudar crianças do IPO que têm tratamentos dispendiosos e não têm meios financeiros para os suportar? 0. ZERO. A praxe esteve la para ajudar quem precisou. Obviamente não se está a procura de palmadinhas nas costas, mas alguma isenção por parte da CS para ajudar a desmistificar o "bicho papão" que é a praxe. Não haverá interesse. Não sei se noutras praxes do país, isto é acto recorrente, acredito que sim, mas não estou a par.
No meu primeiro dia, no dia da inscrição, não senti de maneira nenhuma, da parte dos "senhores de preto", alguma pressão a nada. Fui com um colega, já em mestrado(que inclusive esteve em praxe e entretanto saiu porque não se identificou com a cena. Aproveito a oportunidade para referir que na minha faculdade existe praxe por curso, e não por comissão de praxe. Existem praxes gerais, com os cursos todos, no entanto.), e nem havia no meu caso pessoas do meu curso na altura para virem falar comigo. Rodinhas à minha volta? Dux a vir falar com recém-chegados? O Dux trabalha, tem mais que fazer. Pressões? Nada disso aconteceu. Veio uma pessoa, simplesmente perguntou se gostaria de experimentar a praxe, disse que não me opunha e ficou com o meu contacto. Nada mais aconteceu e fiquei matriculado nesse dia na faculdade.
Fui praxado. Fui bem praxado. Nunca fiz algo que fosse obrigado. Nunca me faltaram ao respeito, nem a mim(porque não o permitiria), nem ao meu ano. E como disseram acima(não me lembro exactamente quem), logo no primeiro contacto, fui "obrigado" a conhecer os colegas do meu ano. Nome, idade, de onde são, o que gostam de fazer. Hoje posso dizer que encontrei pessoas que são para a vida, que estão nos momentos bons e maus. Houve situações menos boas? Houve. Situações em que nós, enquanto hierarquia caloiros, nos deixamos ficar mal uns aos outros. Enchi que nem um boi? Enchi, ginásio à pala? Gosto de pensar assim. Não cometi o mesmo erro pelo qual enchi, duas vezes. Aprendi o que me foi ensinado, para poder ensinar aos futuros caloiros.
Também em cima, houve alguém salvo erro a argumentar, que os caloiros assumem a hierarquia que existe em praxe sem se oporem, quando existem outras hierarquias, implícitas "cá fora", que deviam aceitar e não o fazem. Em praxe, o que manda são as matriculas. É verdade. Está correcto? Em alguma parte. (Irei excluir aqui, quem faz uso das suas matriculas, veteranos normalmente, para "minarem" a praxe. Que procuram o lambe-botismo e o egoboost pessoal. Há destas pessoas em todo o lado.) Não me choca absolutamente nada, que quem mande mais seja quem tem mais matriculas. Um doutor de 2 matriculas, nunca pode saber mais que um de 3, 4 ou 5. Não tem a experiência necessária para tal. Certamente um doutor mais velho, por já ter passado mais vezes pela coisas, saberá ajuizar melhor as coisas. Exceptuando uma ou outra actividade, é sempre o mesmo ciclo de actividades durante o ano praxístico. Comboios de caloiro, beneficências, noites negras, latadas, cortejos, imposições etc etc etc. Parece-me absolutamente normal, um veterano, ter mais "poder de palavra" que um doutor de 3 ano. Esteve lá mais tempo, saberá como melhor interagir com os caloiros e saberá direccionar a praxe, para o fim a que ela se propõe. A forma como a Veterania do meu curso tomou conta da situação, quando a minha hierarquia(caloiros) falhou, foi de quem já tinha passado por isso, cometido o mesmo erro e aprendido como dar a volta por cima. Em suma, "experiência on the field".
Eu gosto de pensar que um praxista, tem de ter uma quota parte de pedagogo. De forma simplista, há doutores e caloiros. Ambos são estudantes, e podem perfeitamente ajudar-se entre si. Enquanto caloiro, sempre fui ajudado por pessoal mais velho com situações académicas e escolares. É perfeitamente possível as duas situações co-existirem. Terão todos os praxistas uma parte de pedagogos? Certamente que não, mas há bons exemplos, que o povo não tem conhecimento, porque não são noticiados. Mas disso já falei em cima, e não me repetirei.
Para terminar, que isto já vai longo - e agradeço desde já quem tirar do seu tempo para ler a minha opinião - será sempre impossível proibir algo que nasce da liberdade de alguém fazer X. Há exageros, infelizmente os há, como em tudo. Há boas pessoas, há más pessoas. Há bons praxistas há maus praxistas. Acho também, que um (pré)adulto de 17/18 anos, tem poder argumentativo suficiente e capacidade mental para perceber por si, que ser enterrado até ao pescoço, e ser afundado em álcool, provavelmente não será boa ideia pelos motivos óbvios. Acidentes como o Meco, onde Veteranos/Doutores(relembro que não eram caloiros) não souberam medir o perigo da situação em que se meteram, são uma "parte negra" num oceano de bons exemplos que acontecem em praxe. Se eu meter o dedo na tomada provavelmente não corre bem para o meu lado. Se mo obrigarem a fazê-lo, tenho bom remédio. Se não se coaduna com os meus ideais, e acho incorrecto, não o faço.