De que serve ter um modelo para gerar receitas e depois lançar precisamente as versões que têm vendas residuais? Assim com a escolha que tomaram garantem já um bom retorno ao vender as versões de maior volume a par com a de topo... Quem quiser outras decerto não se importa de esperar um pouco mais se realmente gosta do produto.
Já aí para trás tentei explicar a minha opinião sobre este assunto.
Um carro não vale só pelo seu valor intrínseco, há um conjunto de outras coisas associadas, como imagem, expectativa, pertença, etc.
A Alfa começou por lançar o 510 cv por isso mesmo, para criar desejo, admiração, exclusividade. Se tivesse começado por apresentar um 1,6 diesel com 120 cv certamente não teria o mesmo impacto e interesse.
Por outro lado aquilo que possa vender mais em Portugal ou mesmo na Europa não é necessariamente o que venderá mais nos EUA ou na Asia.
Mesmo para um comprador de um 316d, com o modesto 2,0 de 116 cv é reconfortante saber que a marca faz motores a diesel bastante sofisticados e de elevado rendimento e o mesmo para motores a gasolina.
O comprador do 316d compra um bocadinho de toda a gama do série 3, bem como a história da marca, os seus pergaminhos dinâmicos, o seu "status", etc.
Em Gestão aprende-se uma estratégia de abordagem ao mercado que se chama desnatação, em que se começa por apontar para um segmento de poder de compra mais alto e devagar vai-se descendo. Porquê ? porque se se começar a vender pelos que têm menos poder de compra, depois os que têm mais já não compram porque acham que o produto está conotado com uma imagem "barata"