Isso era muito bom em teoria, mas traria um enorme problema.
Escolas em bairros degradados, cujas médias são baixissimas, muitas vezes não por "culpa" dos professores, mas dos alunos (da sua vida e da disposição com que vão para as aulas), seriam muito prejudicadas. E quanto mais prejudicadas fossem, pior seriam os seus resultados de desempenho, resultando em que as escolas com os melhores alunos (não necessariamente os melhores professores) fossem beneficiadas, e as outras seriam fortemente prejudicadas (embora até possam ter os melhores professores do mundo).
E se fores ter em atenção o meio onde a escola está inserida, como vais inserir critérios de correcção, e serão eles justos?
É um problema muito complexo.
Claro que é muito complexo.
Além de que o financiamento pode não ser todo decorrente deste critério. Mas antes uma boa parte que leve voluntaria ou involuntariamente a querer recrutar bons professores.
Agora essas situações que falaste não são a maioria. Não se pode deixar de fazer uma coisa só porque essa coisa não é perfeita, e existe situações aqui e acolá onde tem de ser ajustada. Porque nada é perfeito.
Eu sei que nós, aqui, gostamos muito de achar que existem sistemas perfeitos, mas eles não existem. Existem sistemas melhores e piores.
E acredito que possa haver critérios de ajustação.
Tal como acredito que o cheque-educação seja a solução. As escolas decidirem que tipo de alunos querem e um aluno de famílias pobres, se for um bom aluno, possa andar numa boa escola.
E isto não é nada de outro mundo, lá está, para sistemas do tipo anglo-saxónico onde, por exemplo, as disciplinas são divididas pelo seu aproveitamento e onde um aluno pode estar na turma A a matemática (mais exigente, com um programa mais completo, com um ritmo maior) porque é bom a matemática e estar na turma B a história (menos exigente, com um ritmo mais calmo) porque é um aluno mau à dita disciplina.
Agora aqui neste país é que isto é um crime, saltam aí os eduquês todos com as suas balelas teóricas do socialismo real e pardais ao ninho...
Depois reclamam que, cada vez mais, as escolas públicas tenham pior qualidade e que os pais, desde que possam, não queiram pôr os seus filhos lá.
E depois admiram-se dos níveis de reprovação existentes.
Reclamam ainda depois que os professores são maus, quando um professor tem 2 problemas gravíssimos que conduzem a pouca ou nenhuma qualidade no ensino:
1. Independentemente de ser bom ou não, progride da mesma forma. Mérito?? Precisa disso? 'tá bem abelha...
2. Que tem de fazer um compromisso diário permanente porque tem turmas completamente heterogéneas, prejudicando os miúdos que podem dar mais, porque outros não podem dar esse mais.
Mas eu sei que toda esta maneira de pensar é raríssima em Portugal, deixa lá.
É muito mais fácil adoptar as posições mais fáceis.