PeLeve
Well-known member
Mas, talvez me tenha escapado, que entidade atribuiu a "classificação" dessa criança "diferente" para ela chegar "rotulada" a uma turma incompreensivelmente superpovoada (exemplo, aliás, do que se passa na maioria das nossas escolas)?citação:Originalmente colocada por prius
Há 3 anos ouvi falar pela primeira vez nesta nova tipologia de gente especialíssima quando me calhou numa turma do 8º ano um aluno "diferente"!
A psicóloga da escola deu-nos alguma ajuda em como lidar com este caso novo, antes das aulas começarem, porque as reacções do menino eram habitualmente estranhas e completamente imprevisiveis!
Como sou optimista por natureza, desvalorizei o caso inicialmente mas, cedo me apercebi que a escola inclusiva para todos, não é a adequada para estes meninos especiais!
Não é em turmas de 20 e tal alunos que podemos atender às especificidades individuais de cada um, durante os 90 minutos de aula; foi uma aventura ao início, com comportamentos, atitudes e reacções adversas a tudo o que tivesse a ver com postura de aluno numa aula a decorrer...
havia sempre tentativas de destabilização do sistema e de pôr a minha autoridade em causa, muito embora comigo nunca tenha conseguido levar a melhor!
A meio da aula o menino indigo levantava-se e dizia:
«Bem, tchau, gostei muito... até à próxima !!!» e, saía porta fora...
Isto era uma constante, já podem imaginar o resto... uma tragédia todo o ano, foi o aluno que me deu mais trabalho e causou maior desgaste, entre todos os que já tive!
Brincava nas avaliações, gozava comigo, respondia as maiores barbaridades nos testes e, curioso, no fim dava a quantificação em valores às perguntas que havia respondido, "autoavaliava-se" sendo que o somatório no total dava sempre "20"...
Bem, esta comédia, este circo durou um ano lectivo, com todas as consequências negativas no comportamento geral da turma, que pelo fenómeno de imitação social em meio escolar, tornou estes meninos como os piores em tudo naquela escola! É que exemplos destes na adolescência não é nada fácil... subvertendo completamente os que lhes estão próximos.
É que, pela descrição (e não estou, note-se, a colocar em causa nada do que é dito), essa criança parece muita coisa, desde um simples desadaptado (por qualquer razão social), passando por um sobredotado, até, efectivamente, um índigo!
Na verdade os rótulos (no sentido perverso do termo...) causam muitas chatices nos adultos e muitas mais nas crianças que chegam a ser muito cruéis para com os diferentes! Numa turma de vinte e muitos alunos um que se destaque pela positiva ou pela negativa influencia sempre os outros, sendo frequente os maus alunos (por simples incapacidade) contagiarem muitos dos melhores piorando-lhes o desempenho, mas é também frequente um aluno de referência numa turma mediana sentir-se isolado...