Mesmo com folga, os aumentos são consideráveis. Estamos a falar de prestações onde os juros quadriplicam em 1 ano, várias centenas de euros a mais todos os meses. Num país de salários médios que mal passam os 1000 euros, são rombos no orçamento familiar. Com custo de vida nas lonas, não há onde ir buscar esses valores.
É normal muita família estar apreensiva. Só mesmo quem fez os empréstimos com taxas de esforço muito baixas não vai ficar entalado num cenário macro de inflação de dois dígitos na zona euro (algo impensável) e salários estagnados (a nossa vida desde 1998, para cima de 20 anos de perda de poder de compra).
Mas isto é um pouco a realidade da ficha a cair em relação ao nosso empobrecimento como país. Havia quem lhe chamasse o diabo que teimava em não aparecer...
Porque taxas de juro a subir e inflação todos estão a ter e a situação não será fácil em toda a Zona Euro.
Mas nós empobrecemos MUITO nos últimos anos e esse empobrecimento estava completamente escondido pela capacidade de crédito barato.
Vamos cair muito mais. Vai ser prego a fundo no acelerador que nos separa, ano após ano, da média da UE.
Final da década é para estarmos no top5 ou mesmo no top3 dos mais pobres da UE27 e isto é dizer que vamos estar com um nível de riqueza equiparado ao pior da Europa da Leste.
O pessoal acha que tudo isto é abstracto mas o concreto vai-se pagar como muitos não imaginavam nem sequer há 3 meses.
E a crise ainda nem chegou, isto é só um efeito colateral do aumento dos juros para conter a inflação que nós por termos todos taxas variaveis afeta logo toda a gente (com emprestimos) ao mesmo tempo, em termos macroeconomicos não é grande ideia. A taxa fixa trás segurança, o que e pode explicar porque alguns paises a preferem.
A crise a sério por enquanto está apenas nos gráficos, que mostram alterações bastante mais agressivas que as vistas em 2008, com efeitos práticos apenas em multinacionais que já estão preventivamente a reajustar a força de trabalho, bem visivel pela primeira vez em Portugal Adidas no norte, a partir de Março é que a crise começa a chegar, quem já está mal tem um problema porque isto ainda vai piorar antes de melhorar.
O Turismo sendo a primeira coisa a refletir a crise a ultima a recuperar não nos deixa numa boa posição, este ano tivemos sorte, além de toda a gente ter feito questão de tirar férias, a nossa localização longe da Ucrania foi um grande trunfo, que era bem visivel até nos preços de avião. Vamos ver se temos mais "sorte" em 2023 porque senão a coisa fica negra.
O preço das casas até pode nem baixar, mas muita gente está com um problema, e os dados dos USA já o mostram, casas compradas nos ultimos anos a preços inflacionados, o airbnb já teve uma grande queda nos USA, os proprietários passaram de investimentos minimamente lucrativos a casas que dao prejuizo, porque não existe procura de airbnb sufeciente e aluguer de longa duração não cobre os aumentos de juros.
Se existe algo que a historia mostra em termos de economia (e fast food!), é que sem falhar, o que se passa nos USA mais tarde ou mais cedo chega cá.
Nós vamos continuar a divergir e muito da UE. E agora vai ficar novamente um pouco mais visivel.