É e não é. Ou seja, sou capaz de aceitar o argumento de que o utilizador comum poucas vezes terá que abrir o capot. Mas quando tem que ser, a presença do amortecedor é muito apreciada. Além disso é um pormenor de qualidade, e os produtos de qualidade devem distinguir-se nos pormenores também.
É - ou era... - por isso que se paga(va) mais por um VW face aos restantes generalistas e um pouco menos face aos premium. Esta falta do amortecedor é um primeiro indício de poupanças, ainda assim admito que preocupa menos do que uma falha, por exemplo, no revestimento dos compartimentos interiores ou na qualidade dos revestimentos das portas traseiras que no G7 diferem para os das portas dianteiras. É que para isso já temos SEAT e Skoda...
Ora nem mais! Sempre foi nestes detalhes qualitativos que um Golf se demarcou da concorrência e o tornava melhor.
Estes cortes de custos a verificarem-se podem ser o calcanhar de aquiles para esta nova geração.
No entanto, estes cortes não são de agora. Recordo quando o Golf trazia todos os pilares (A,B e C) do carro forrados a tecido. Do V (ou VI) para a frente passou a ser somente o pilar A e B forrado e mais recentemente neste segmento já só costuma vir o pilar A forrado (mesmo nas marcas premium).
A mudança do sistema de suspensões nas motorizações mais acessíveis no Golf VII foi outro corte de custos "imperdoável". O VI tinha multilink em todas as versões.
Neste GolF VIII, além do amortecedor do capot, verifiquei que os ganchos integrados no pilar B também desapareceram. E tão úteis que eram! Fiquei também com a sensação ao ouvir uma review que os materiais das portas traseiras pioraram. Estou convencido que analisando em detalhe, se vão verificar outras pequenas mudanças que o tradicional cliente de um Golf irá aperceber-se.
Quanto à estética do carro, quanto mais olho, mais gosto!
A primeira reação não foi nada agradável, já desde as fotos espia. A frente em fotografia e na maioria dos ângulos não me convenceu mesmo nada. Como referiram em comentários anteriores, os faróis parece que estavam a derreter.
Mas assim que saíram os vídeos, mudei de opinião e fiquei convencido!
A lateral quanto a mim está melhor que nunca. Gosto do remate no vidro do pilar C, mais vincado, proporciona um aspecto mais dinâmico e parece-me que a superfície vidrada lateral diminuiu ligeiramente (ou a cintura está mais elevada?). Ainda assim mantém uma área considerável e que proporciona bem-estar a bordo, principalmente numa época em que os automóveis estão cada vez mais claustrofóbicos nos lugares traseiros.
A traseira e os farolins inspirados no T-Roc para mim resultam bem, nada a apontar. Era, aliás, este o resultado esperado e em face da nova linguagem estilística da marca (as luzes led do VII já deixavam antever esta solução em L invertido).
Relativamente ao interior, gosto bastante. Aprecio a horizontalidade do mesmo, muito ao estilo dos clássicos 911, ou do mais recente 992. Dá uns toques! A solução das saídas de ar numa posição inferior e integrada também é do meu agrado.
Os materiais, visualmente, parecem-me bons e dentro do padrão Golf. Aqui não facilitaram, e bem, porque o que se viu com os lançamentos do T-Roc, T-Cross e em certa medida até do Polo, é de lamentar, considerando os seus preços.
As molduras dos tablets não me incomodam, mas podiam de facto estar melhor resolvidas esteticamente. Espero que a solução adoptada tenha sido, não por questões de custos, mas de durabilidade e fiabilidade. Mas não há dúvidas que uma solução ao estilo do Classe A seria mais apelativa (mas esse em fiabilidade deixa muito a desejar).
O infotainment parece jeitoso de operar e fluído, melhor que a concorrência generalista. É pena a ausência de botões físicos para o ar condicionado (nomeadamente os botões circulares) mas gostei imenso da solução arranjada para alterar o volume e a temperatura. Julgo que o "deslizar do dedo" será bem mais prático do que ter botões táteis de clique. Dada a superfície de contacto ainda ser considerável, não exige fazer "pontaria" ao botão táctil. Do lado esquerdo do quadrante acho interessante o posicionamento dos restantes comandos do AC e luzes.
Considerando o design do Série 1 e a mudança da sua arquitetura, bem como o anónimo Classe A, parece-me que o Golf será uma aposta ganha.
Tive um Golf VI e quando o troquei nem sequer equacionei o Golf VII. A evolução era pouco notória para mim e nunca fui apreciador da estética do VII.
Neste momento sou proprietário de um S1 e nem sequer pondero a troca para a nova geração por diversas questões, entre as quais a nova arquitetura e filosofia.
Mas claramente que este Golf VIII seria novamente um forte candidato para mim se estivesse comprador no segmento C. Só falta ver como sairá o novo Audi A3 e um futuro Volvo V40.
Claro que, com a saída do ID3, este Golf terá a vida complicada e diria que vai começar a ter competição interna. Apesar do ID3 qualitativamente me parecer substancialmente inferior a este Golf e mesmo em termos estéticos (interior e exterior) está longe de ser algo fantástico.
Veremos a estratégia da VW a longo prazo. Se deixará cair o Golf, em conjunto com os motores a combustão, e se transforma o ID3 no seu novo ícone dos tempos modernos, ou se o ID3 será somente um produto de transição.