O FMI, a UE e o BCE vão obrigar Portugal a mudar à força. A crise pode transformar-se numa oportunidade para o País acertar o passo com o futuro.
Quem quer que ganhe as eleições, não vai poder enveredar por políticas que saiam fora do guião que FMI, União Europeia e Banco Central Europeu definirem. A um mês da data marcada para o voto, a ausência de qualquer margem para veleidades aventureiristas é reconhecida tanto pelos agentes políticos como pelo eleitorado.
Percebe-se que os partidos e os respectivos líderes andam a tentar encontrar as fórmulas certas para o discurso de cada um na esperança de que pareçam menos vazios de conteúdo do que aquilo que, na realidade, estão obrigados a ser pelas circunstâncias de penúria em que Portugal caiu e que o lançaram nos braços das instituições internacionais, completamente à mercê da sua vontade e dos seus ditames.
1.
Começa a tornar-se penoso ouvir os responsáveis partidários. Uns, como é o caso dos que estão ligados ao PCP e ao Bloco de Esquerda, insistem numa oratória cansada e agarram-se a chavões ideológicos sem sustentação no tempo presente. Conscientes de que não serão poder, assumem que o melhor é correr por fora, não aceitando colaborar em qualquer solução.
É uma estratégia igual à de outras ocasiões, visando anular ou diminuir o risco de alienação de algum do seu eleitorado. É compreensível, sobretudo, no caso dos comunistas, a quem as sondagens vêm apontando números confortáveis, tendo em conta votações anteriores.
Pior está o BE, que dificilmente disfarça o embaraço e a preocupação com a fuga de eleitores que parece estar a verificar-se para o PS , no que surge como um movimento óbvio de voto útil.
2.
O PS avança pela campanha dentro como se nunca tivesse sido governo. O discurso de Sócrates, dos seus ministros principais e dos mais destacados dirigentes socialistas é marcado por uma dinâmica de ataque à oposição, em particular ao PSD, que só surpreende os incautos.
O primeiro-ministro sempre optou por dizer uma coisa e o seu contrário, consoante os momentos e as circunstâncias. Tem a apoiá-lo uma máquina de propaganda notável para quem a mentira é um conceito relativo, de somenos importância perante os objectivos que interessa alcançar.
A mensagem de que as responsabilidades do PS na crise são mínimas lá vai fazendo o seu caminho, no meio de eleitores cansados de palavras e órfãos de alternativas. Não há quem não identifique a falta de verdade e não perceba a persistência no cultivo da ilusão. Muita gente, no entanto, deixa-se abater por exaustão e por não compreender o que querem e dizem os outros, acabando por optar pela tentativa de descortinar qual o menor dos males, num contexto onde a clareza de posições não abunda.