A insistência de salvar a Lancia, a meu ver, é uma batalha perdida.
Se ressuscitar a Alfa Romeo revela-se um risco oneroso e enorme, recuperar a Lancia ia dar o dobro do trabalho e talvez do guito.
E isto porque, ao contrário da Alfa Romeo, a Lancia tem um problema gigante de reconhecimento fora de Itália.
A aposta na Alfa Romeo é bastante mais lógica, pois existe um superior reconhecimento global desta do que a Lancia alguma vez teve.
Já faz algumas décadas que 90% (e valores semelhantes a estes) das vendas da marca são no mercado doméstico.
Quanto muito, a recuperação da marca apenas pemitiria abranger o mercado europeu, e mesmo assim, teria de haver uma operação megalómana de promoção da mesma.
Após o fim da carreira do Y, o mais certo é a Lancia acabar por ser fechada, como apontavam algumas declarações do grupo durante o ano passado.
Até lá, a marca deixará de ser comercializada nos mais diversos mercados, ficando focada apenas em Itália, onde o Y consegue vendas decentes.
E considerando que vem aí um 500 de 5 portas, parece-me que irá ocupar o lugar que o Y deixará vago, mesmo tratando-se de um carro maior.
Se haveria espaço para a Lancia no futuro?
Acho que sim.
A Alfa Romeo irá ter grande tónica na desportividade, e a Fiat entre os seus dois pilares não deverá ter nada acima do segmento C (exceptuando talvez o freemont).
A família do 500 parece estar a cobrir o espaço que seria da Lancia, focando no aspecto chic e individualista da questão.
Mas ainda existem espaços em vazio.
A meu ver, havia o potencial não para transformar a Lancia num player global, mas numa marca-boutique, selecta e distinta
Mesmo atacando nos mesmos segmentos da Alfa e da Maserati, não significaria que atingiriam os mesmos targets.
A diferenciação poderia advir das carroçarias escolhidas ou das motorizações. Ou porque não tornar a Lancia na lança do grupo no que toca a mostrar o futuro, um pouco como a sub-marca i faz para a BMW?
Existem possibilidades que poderiam garantir não só a sobrevivência da marca, com um aproximar aos valores que a colocaram no mapa em primeiro lugar.
Acredito, que de momento, tal seja impossivel, por falta de guito no grupo.
O investimento massivo na Alfa, uma das razões para o spinoff da Ferrari, e a quantidade enorme de novidades que foram apresentadas aos distribuidores nos EUA para as marcas americanas do grupo, deve estar a esticar ao máximo as possibilidades financeiras do grupo.