Tópico dos aviões

Não achei ninguém fluente.

Eu sou fluente em inglês e achei vergonhoso o à vontade, ou falta dele.

Enviado do meu SM-G950F através do Tapatalk

Sou um curioso da aviação, e volta e meia vou ouvindo estas gravações, e realmente questiono-me como é que se conseguem entender, pessoas que cujo inglês deixa bastante a desejar, ainda por cima em ambientes, que por natureza, exigem clareza na comunicação.

Os pilotos para comunicar em espaço aéreo fora do seu país,onde podem utilizar a sua língua materna, têm de ter um certificado de inglês aeronáutico (inglês ICAO) sendo avaliado por níveis entre 1 e 6 (1 o pior, 6 o melhor). Para terem aprovação, têm de ter 4 ou mais. Esta certificação tem de ser revalidada regularmente, sendo que a sua validade varia em função do nível atingido. Quem obtiver o nível máximo fica com aprovação vitalícia.

Ser aprovado em inglês aeronáutico não significa necessariamente ser fluente a inglês. Quem obtiver os níveis mais altos acabará por o ser consequência, mas esta "língua" tem o seu próprio vocabulário e fraseologias e é nestas que eles têm de ser fluentes. Da mesma forma, alguém fluente a inglês poderá ter dificuldade em entender as comunicações, porque desconhece o vocabulário e fraseologias que são utilizados. É por isso que muitos ficam surpreendidos por, apesar de dominarem o inglês, não perceberem patavina das comunicações mas pilotos e ATC aparentarem não ter qualquer dificuldade.

Outro ponto é a entoação das palavras. Sim, por vezes ouvem-se coisas de bradar aos céus, mas a forma correcta também não é falar com uma pronúncia inglesa impecável. Por exemplo, o "three" deve ser qualquer coisa como "trii" e o "nine" virou "niner" (para evitar confusões com o "nein" alemão). Deve-se vincar as sílabas, exactamente pela comunicação estar frequentemente a ser feita entre pessoas que não são ingleses nativos e por vezes em condições de ruído ou má captação. Digamos que é um inglês mais "cru".

Dito isto, pareceu-me que o inglês deles ontem era perfeitamente aceitável. O problema foi nas alturas de maior aperto, mas isso eram os nervos (mais do que justificados, diga-se) a falar e a dificultar tudo.

Sejamos realistas, a maioria de nós, na mesma situação, não conseguiria juntar duas palavras (mesmo que em português) que fizessem sentido numa frase!
 
Péssima a atuação do ATC português. Para quem acha que os nossos controladores são excelentes, este vídeo é uma excelente prova do contrário. Praticamente não fizeram nada o que é suposto fazer numa emergência deste nível, a não ser dar vectores. Além disso, o nível de inglês para alguem que trabalha 24 horas com aviação parece sofrível.

O que era suposto terem feito e que não fizeram?
 
O que era suposto terem feito e que não fizeram?

Foram negligentes, limitaram-se a responder perguntas e dar instruções básicas quando deveriam ter sido proativos na resolução do problema, nomeadamente com questões mais técnicas e sobre o comportamento errático do aparelho. Nem parece que estão a lidar com uma emergência. O controlador tem obrigação de perceber melhor do que ninguém o que se está a passar dentro do avião, e neste caso em particular não me parece que tivessem a mais pequena ideia

Isto já para não falar do Inglês sofrível. Por exemplo, não me parece que a controladora Tenha percebido a palavra 'ditching'. Foi preciso o piloto dizer 3 vezes a mesma coisa e mencionar 'sea' para que ela respondesse, ao fim de algum tempo.
 
Péssima a atuação do ATC português. Para quem acha que os nossos controladores são excelentes, este vídeo é uma excelente prova do contrário. Praticamente não fizeram nada o que é suposto fazer numa emergência deste nível, a não ser dar vectores. Além disso, o nível de inglês para alguem que trabalha 24 horas com aviação parece sofrível.

Discordo.
Deram tempo, espaço aéreo e silencio. O controlador deve dar paz e salvaguardar o espaço à volta do avião.

ASSIST• Acknowledge the call; get the squawk• Separate the aircraft from other traffic. Give it room to manoeuvre• Silence - on the frequency. Provide separate frequency where possible -this prevents unnecessary clutter for the pilots• Inform those who need to know and those who can help; inform others asappropriate• Support the pilots in any way possible - Start to think of alternative routings,etc.• Time - Give the pilots time to collect their thoughts, don’t harass them forinformation. Time produces good decisions

O pior que há é estar a chatear o avião com informação completamente desnecessária. O trabalho tem de ser feito em off, e foi feito.
Separou o trafego e tirou toda a gente da frequencia, Marinha e força aerea em prontidão, arranjou soluções, e deram tempo para eles colocarem a nave em controlo. Não é de todo objectivo saber o que se passa dentro do avião. Isso só causaria tempo perdido ao piloto/co-piloto a dar informações quando precisam é de estar concentrados em soluções que só eles conseguem obter.
 
Última edição:
Foram negligentes, limitaram-se a responder perguntas e dar instruções básicas quando deveriam ter sido proativos na resolução do problema, nomeadamente com questões mais técnicas e sobre o comportamento errático do aparelho. Nem parece que estão a lidar com uma emergência. O controlador tem obrigação de perceber melhor do que ninguém o que se está a passar dentro do avião, e neste caso em particular não me parece que tivessem a mais pequena ideia

Isto já para não falar do Inglês sofrível. Por exemplo, não me parece que a controladora Tenha percebido a palavra 'ditching'. Foi preciso o piloto dizer 3 vezes a mesma coisa e mencionar 'sea' para que ela respondesse, ao fim de algum tempo.

Não concordo nada.

Os controladores não são pilotos nem técnicos, portanto não lhes cabe a eles solucionar o problema. Até podem ter algum conhecimento e ideia do que se está a passar, mas aquelas não são alturas para "palpites".

Outra questão, e que eles cumpriram muito bem, é que a prioridade nestas situações não é de todo comunicar. É a máxima da aviação: Pilotate-Navigate-Comunicate. Eles estavam com imensas dificuldades logo no primeiro, sem sequer conseguir estabilizar o avião, a última coisa que eles queriam era ter alguém ao ouvido a fazer-lhes perguntas. Quando conseguiam ter algum controlo passavam ao navigate (pedir rumo para o mar) e pareciam voltar a ter problemas no "pilotate". Parece-me que o ATC esteve sempre muito consciente disso e manteve as comunicações ao mínimo e quase sempre perante solicitações deles. Aliás, mesmo quando ela pergunta pelo combustível e pessoas a bordo ressalva para lhe indicarem quando puderem.

As funções deles nestas situações são muito mais de "background", e claramente aí houve muito trabalho feito. Desde logo passaram todos os aviões para outra frequência, para aquela ficar 100% dedicada à emergência. Alertaram os meios de socorro e garantiram a separação entre o voo errático do Air Astana e o restante tráfego. Inicialmente parece-me que ainda começaram a mandar o tráfego em aproximação a Lisboa para esperar de forma a eles poderem aterrar lá de emergência, mas depois perceberam que isso não iria acontecer.

Em relação ao "ditching", sim, pode ter havido aí uma má interpretação. Mas naquele cenário, ainda inicial e sem saber muito bem as condições do avião, com o avião naquela posição, parece-me que se aceita que não lhe viesse à cabeça logo que eles queriam ir amarar no oceano. Não acho que o inglês dela fosse má.

Assim de repente, e que me lembre do que ouvi, só não gostei muito de uma resposta em relação ao tempo a sul, em que ela diz "i believe south is better" ou algo do género. Aqui talvez seja discutível, ou ela sabia que estava melhor ou então pedia um "stand by" para confirmar. No entanto, e naquela situação em que todos os segundos pareciam contar, percebo que tenha preferido dar uma resposta imediata.
 
Quando a parte 2 estiver disponível partilho aqui. As comunicações com os F16 devem ser interessantes.

Temos de realçar o excelente trabalho feito por ATC e autoridades nacionais em ter tudo preparado para as diversas eventualidades. Fiquei surpreendido pela positiva.
 
Péssima a atuação do ATC português. Para quem acha que os nossos controladores são excelentes, este vídeo é uma excelente prova do contrário. Praticamente não fizeram nada o que é suposto fazer numa emergência deste nível, a não ser dar vectores. Além disso, o nível de inglês para alguem que trabalha 24 horas com aviação parece sofrível.

Foram negligentes, limitaram-se a responder perguntas e dar instruções básicas quando deveriam ter sido proativos na resolução do problema, nomeadamente com questões mais técnicas e sobre o comportamento errático do aparelho. Nem parece que estão a lidar com uma emergência. O controlador tem obrigação de perceber melhor do que ninguém o que se está a passar dentro do avião, e neste caso em particular não me parece que tivessem a mais pequena ideia

Isto já para não falar do Inglês sofrível. Por exemplo, não me parece que a controladora Tenha percebido a palavra 'ditching'. Foi preciso o piloto dizer 3 vezes a mesma coisa e mencionar 'sea' para que ela respondesse, ao fim de algum tempo.

Não faço ideia do que tu fazes na vida, mas muito provavelmente algo diferente do que eu faço. Por isso não critico o teu trabalho nem o teu profissionalismo que não faço ideia alguma de como o teu trabalho funciona nem do que é suposto fazeres. Da mesma forma não devias criticar a CTA, já que parece que tu não fazes ideia do que é suposto fazerem.

A CTA fez tudo o que devia ter feito. O trabalho dela não é voar o avião, nem é saber como resolver problemas. O trabalho dela é dar aos pilotos tudo o que eles querem sem pôr em perigo outros e sem demasiado atraso. Pediram para regressar a Alverca. Disse-lhes imediatamente para regressar a Alverca. Pediram depois direcção para o Atlântico/Teja, deu-o. Manteve a frequência vazia caso fosse preciso o piloto dizer algo. E acaba aí um pouco o que é suposto, e o que pode, fazer. Para além de tudo o que foi feito por fora da frequência e que não se ouve na transmissão.

Era suposto fazer o quê? Muito provavelmente sem ser certificada no E190, e sem saber a 100% o que está a acontecer, devia a partir da sala de controlo mandar bitaites? O piloto é certificado, o piloto conhece o avião, o piloto sabe exactamente qual é o problema, e o piloto sabe o que está a fazer. Numa situação de emergência o que não se precisa são treinadores de bancada.

Em relação ao Inglês, o Inglês aeronáutico é diferente. O Inglês, tanto da tripulação como dos dois CTA, foi perfeitamente aceitável. Tinham sotaque? Tinham. Dava para perceber o que diziam? Dava, e é isso que interessa.
 
Última edição:
Quando a parte 2 estiver disponível partilho aqui. As comunicações com os F16 devem ser interessantes.

Temos de realçar o excelente trabalho feito por ATC e autoridades nacionais em ter tudo preparado para as diversas eventualidades. Fiquei surpreendido pela positiva.

Eu já ouvi o ATC, e de facto é impressionante o trabalho de toda a gente.
Só ouvi até ao momento em que mudam de frequencia para Beja.
 
Não estou a discutir o background, é óbvio que esse trabalho foi feito e não se ouve nas comunicações, estamos a falar apenas da parte que se ouve nas gravações, e não me parece que a atuação do ATC tenha sido a mais correta.
Nunca disse que teriam de ser eles a resolver o problema, apenas disse que o ATC tem de conhecer o mínimo sobre instrumentos e funcionamento do aparelho e analisar o que se está a passar para perceber pelo menos que tipo de soluções pode apresentar para ajudar a resolver o problema.
Neste caso em particular, não me parece que os controladores tivessem a mínima ideia da situação com que estavam a lidar. Limitaram-se a seguir instruções sem apresentar soluções alternativas, a não ser quando a situação já estava controlada.
 
Em relação ao Inglês, o Inglês aeronáutico é diferente. O Inglês, tanto da tripulação como dos dois CTA, foi perfeitamente aceitável. Tinham sotaque? Tinham. Dava para perceber o que diziam? Dava, e é isso que interessa.


Sim, nota-se. Quando ela fica perdida ao ouvir a palavra "ditching" (3 vezes seguidas) numa situação de emergência, está tudo dito.
 
Perdida? Não estava à espera disso, é completamente normal.

Comunicação entre CTA e US Airways 1549: https://www.youtube.com/watch?v=Z1xBXopdKNo .
O piloto diz que provavelmente vai acabar no Hudson. O CTA começa a oferecer pistas e aeroportos. Depois disso tudo o piloto diz "We're gonna be in the Hudson". Resposta do CTA: "Say again". Vais-me dizer que o Inglês do CTA também não era bom?

São coisas que não são expectáveis, não é normal, e é raríssimo o CTA que ouve algo disso. É completamente aceitável não ter assimilado à primeira que o objectivo era amarar algures, não voltar para um aeroporto.
 
Não estou a discutir o background, é óbvio que esse trabalho foi feito e não se ouve nas comunicações, estamos a falar apenas da parte que se ouve nas gravações, e não me parece que a atuação do ATC tenha sido a mais correta.
Nunca disse que teriam de ser eles a resolver o problema, apenas disse que o ATC tem de conhecer o mínimo sobre instrumentos e funcionamento do aparelho e analisar o que se está a passar para perceber pelo menos que tipo de soluções pode apresentar para ajudar a resolver o problema.
Neste caso em particular, não me parece que os controladores tivessem a mínima ideia da situação com que estavam a lidar. Limitaram-se a seguir instruções sem apresentar soluções alternativas, a não ser quando a situação já estava controlada.

Eu não percebo nada de aviação, mas não concordo nada com isto. Olha agora o controlador aéreo a ter de conhecer cada aparelho e suas especificidades e dar dicas...

Se o piloto que está à rasca, pode ter dificuldades em interpretar o que lhe está a acontecer à frente do olhos, vai ser alguém sentado numa torre de controlo que vai mandar bitaites?
 
Perdida? Não estava à espera disso, é completamente normal.

Comunicação entre CTA e US Airways 1549: https://www.youtube.com/watch?v=Z1xBXopdKNo .
O piloto diz que provavelmente vai acabar no Hudson. O CTA começa a oferecer pistas e aeroportos. Depois disso tudo o piloto diz "We're gonna be in the Hudson". Resposta do CTA: "Say again". Vais-me dizer que o Inglês do CTA também não era bom?

São coisas que não são expectáveis, não é normal, e é raríssimo o CTA que ouve algo disso. É completamente aceitável não ter assimilado à primeira que o objectivo era amarar algures, não voltar para um aeroporto.

Ia fazer referência exactamente a esse caso.

A diferença é que, no caso de ontem, o avião ainda estava a voar e a 40NM do mar. Só posso especular, mas aquilo que me parece é que ela até percebeu o "ditching" mas achou improvável que fosse isso e assumiu que eles queriam dizer outra coisa, daí ter ficado meio perdida e a perguntar se eles queriam ir largar combustível.
 
EU respeito as opiniões de toda a gente, só não entendo como a controladora (a primeira que aparece na gravação) não consegue perceber que os gajos estavam a voar em círculos e que a informação lida na cabine não era fiável.

Nesse caso, continua a dar "headings" que não os levavam a lado nenhum, como se nada fosse, sem mencionar nada nem perguntar nada ao piloto? Mas que raio de profissionalismo é que vocês estão a falar? A sério? Ela até pode cumprir com a sua tarefa seguindo as normas estipuiladas, mas onde está a proatividade que é exigida numa situação deste nível?
 
Eu não percebo nada de aviação, mas não concordo nada com isto. Olha agora o controlador aéreo a ter de conhecer cada aparelho e suas especificidades e dar dicas...

Se o piloto que está à rasca, pode ter dificuldades em interpretar o que lhe está a acontecer à frente do olhos, vai ser alguém sentado numa torre de controlo que vai mandar bitaites?

Nem mais. Eles até acabam por dizer que a manutenção vai entrar em contacto com eles através da frequência, mas penso que acaba por não acontecer. De qualquer forma, durante as alturas de maior aperto ia dar ao mesmo. De nada lhes servia ter um técnico a dizer para fazer um reset aqui, desligar ali e carregar acolá enquanto estavam completamente descontrolados.
 
EU respeito as opiniões de toda a gente, só não entendo como a controladora (a primeira que aparece na gravação) não consegue perceber que os gajos estavam a voar em círculos e que a informação lida na cabine não era fiável.

Nesse caso, continua a dar "headings" que não os levavam a lado nenhum, como se nada fosse, sem mencionar nada nem perguntar nada ao piloto? Mas que raio de profissionalismo é que vocês estão a falar? A sério? Ela até pode cumprir com a sua tarefa seguindo as normas estipuiladas, mas onde está a proatividade que é exigida numa situação deste nível?

Eles teriam alguma indicação de rumo, nem que fosse a bússola de stand-by. E parece-me que sabiam que estavam às voltas.

De resto, não é claro se eles teriam os instrumentos de navegação a funcionar ou não.
 
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