O overbooking é legal e faz sentido até um determinado ponto.
Nos EUA está muito enraizado, nomeadamente nas legacy US3, ao ponto de mal fazeres check-in te perguntarem se aceitas ser voluntário e haver uma lista no painel junto à porta de embarque com o número e nome dos passageiros voluntários e o número que ainda é preciso atingir.
Na maioria das vezes a compensação é "company money", ou seja, passa por vouchers para futuros voos. Para o viajante ocasional não interessa, só mesmo para o flyer regular daquela companhia...
Este caso concreto é uma sucessão de más decisões dentro de uma falha na gestão do check-in desse voo. A decisão de que precisavam de 4 lugares para acomodar funcionários da United deveria, obviamente, ter acontecido antes de embarcarem os passageiros e perceberem que precisavam desses 4 lugares. A situação simplesmente saiu do controlo e depois avançar para a retirada à força, filmada facilmente por qualquer câmara de telemóvel é péssima publicidade que sai muito mais cara do que ter tomado medidas mais generosas de compensação aos passageiros (800$ em vouchers é ridículo quando já se está dentro do avião e até já se passou a fronteira do "denied boarding" dado que os passageiros já tinham embarcado...). Acho que fica como um manual de "what not to do".
O que ficava bem à United é chegar a um acordo com o passageiro, o quanto antes. Primeiro uma conferência de imprensa a pedir desculpas dirigidas, sem tretas de comunicados de PR com palavras ocas. Depois, uma compensação monetária generosa. É a única maneira correcta de terminar a história. E mesmo assim ficou uma péssima impressão da empresa no público em geral. Curiosamente, a United é, talvez, a companhia americana com melhor imagem. Não ficou bem na figura. Nada bem.