Tópico das Casas

É o que dá generalizar a torto e a direito.
Eu conheço quem nunca tenha feito férias xpto, tenha carros velhos e está a restaurar a 3ª casa para AL. Quem andou sempre a viajar e agora está preso pelos tintins por causa do aumento das taxas de juro. Quem se está a divorciar e não tenha dinheiro para alugar uma casa sozinha. Quem teve uma casa de mão beijada e não trabalha porque os rendimentos deixam lá um valor singelo mas o suficiente para viver à vontade...

Depois, mesmo que não haja cunhas ou casas oferecidas pelos paizinhos, há pessoas que nascem em determinados meios que conseguem medrar só pela rede de contactos.
 
Parece-me inegável que está mais difícil comprar casa para a malta em inicio de carreira, dado que os rendimentos de acesso ao mercado de trabalho se mantêm praticamente inalterados há muitos anos (>10 anos), e os preços a aumentar.

Mas já há uns 12 anos, aqui o Je e a namorada tiveram como 1ª habitação própria, um velho, mas renovado, T2 num dos prédios mais antigos da Damaia. E não houve mimimis... Houve a noção que aquilo era o inicio e que havia que batalhar para melhorar condições. Já na altura 2 ordenados brutos de 1000€ não chegavam para comprar um apartamento no centro de LX, a menos que a alimentação durante o mês fosse à base de fotossíntese...🤣

PS: Não havia "audes" nem "aifones", nem viagens frequentes a sítios paradisíacos. Agora fiquei deprimido, porque ainda hoje não há nada disso... 😀

De 2010 para 2019 o valor medio dos prédios urbanos transaccionados em Lisboa subiu de 258 mil euros para os 461 mil euros, uma subida de 80%.
Nesse mesmo periodo, o ganho médio das pessoas que trabalham em Lisboa subiu 6%.
 
Nos últimos anos, tive bastantes amigos e conhecidos a "gabar-se" que tinham conseguido contornar a questão do CH não cobrir 100% do valor do imóvel, recorrendo a créditos pessoais. Regra geral, com taxas de esforço absurdas.

Como nunca me quis meter nisso e preferi continuar a juntar dinheiro para a entrada, fui muitas vezes apelidado de burro por estar a pagar uma renda quando podia fazer como eles.

Acontece que agora vejo muitos deles aflitos porque a prestação aumentou.

Imagino a quantidade de pessoas nessa situação por esse país fora...
 
Uma boa oportunidade de sairem mais cedo de casa dos pais é iniciarem uma relação com uma divorciada, daquelas que conseguiu sacar a casa ao ex-marido. Fica o conselho!
 
Isso não é verdade.

Somos da mesma idade (20s altos , perto dos 30s) pelo que sei, e portanto posso também dar o meu contributo.

Fruto da literacia financeira e hábitos de poupança que sempre me foram incutidos, tenho uma poupança MUITO maior do que a malta do meu núcleo e seguramente do que a maioria da faixa de população que tem a nossa idade.

É raro o mês que não poupo quase 50% do salário e já paguei um carro - 21k.

Continuo sem a menor hipótese de comprar casa num futuro próximo aos preços atuais.

Por dois grandes motivos:

1) Para uma casa banal e respetivos impostos (atenção a isto, estamos a falar de um valor de um segmento B novo que vai literalmente para o cano), fico descapitalizado logo na entrada e não quero. Neste momento, para uma entrada de 40k€, só me sentia confortável se tivesse um pé de meia de 80-100k€. E gostava de saber quantos jovens abaixo dos 30 a trabalhar em PT têm poupanças desse tipo.

2) O salário não acompanhou, de todo, o aumento do preço das casas. Vou dar-te um ótimo exemplo: o meu pai, nos anos 80, começou a sua carreira numa big4 onde eu por acaso trabalho atualmente, 30 anos depois. Curioso não é? Pois, mas tem uma diferença: é que o meu pai no final dos anos 80 ganhava lá perto de 200 contos. Hoje em dia, um recém formado que entre, ganha 1200 ou 1300€. E o preço das casas se calhar quadruplicou.

Eu não sou chorão.

Mantenho é o que sempre disse: não vou dar um passo e ganhar um encargo “para a vida” se isso se traduzir em perda de qualidade de vida. Portanto para ser uma decisão ponderada, só mudo de casa quando a entrada fizer com que eu não me descapitalize e quando o valor da prestação seja uma % confortável do meu salário.

Se assim nunca saio de casa? Não sei, vamos ver. Se eu não sair, então conheço muito boa malta da minha idade que não sai de certeza absoluta. Ou isso, ou está a entregar a casa ao banco 2 anos depois.

Não é por nada mas este post só dá razão ao que o ticTac escreveu. ;)
 
De 2010 para 2019 o valor medio dos prédios urbanos transaccionados em Lisboa subiu de 258 mil euros para os 461 mil euros, uma subida de 80%.
Nesse mesmo periodo, o ganho médio das pessoas que trabalham em Lisboa subiu 6%.

Aquele custou <70 mil €, portanto ainda dá margem. Mas obviamente que a Damaia, nem com mudança de nome para Águas Livres ganhou glamour. 🤣
 
Isso não é verdade.

Somos da mesma idade (20s altos , perto dos 30s) pelo que sei, e portanto posso também dar o meu contributo.

Fruto da literacia financeira e hábitos de poupança que sempre me foram incutidos, tenho uma poupança MUITO maior do que a malta do meu núcleo e seguramente do que a maioria da faixa de população que tem a nossa idade.

É raro o mês que não poupo quase 50% do salário e já paguei um carro - 21k.

Continuo sem a menor hipótese de comprar casa num futuro próximo aos preços atuais.

Por dois grandes motivos:

1) Para uma casa banal e respetivos impostos (atenção a isto, estamos a falar de um valor de um segmento B novo que vai literalmente para o cano), fico descapitalizado logo na entrada e não quero. Neste momento, para uma entrada de 40k€, só me sentia confortável se tivesse um pé de meia de 80-100k€. E gostava de saber quantos jovens abaixo dos 30 a trabalhar em PT têm poupanças desse tipo.

2) O salário não acompanhou, de todo, o aumento do preço das casas. Vou dar-te um ótimo exemplo: o meu pai, nos anos 80, começou a sua carreira numa big4 onde eu por acaso trabalho atualmente, 30 anos depois. Curioso não é? Pois, mas tem uma diferença: é que o meu pai no final dos anos 80 ganhava lá perto de 200 contos. Hoje em dia, um recém formado que entre, ganha 1200 ou 1300€. E o preço das casas se calhar quadruplicou.

Eu não sou chorão.

Mantenho é o que sempre disse: não vou dar um passo e ganhar um encargo “para a vida” se isso se traduzir em perda de qualidade de vida. Portanto para ser uma decisão ponderada, só mudo de casa quando a entrada fizer com que eu não me descapitalize e quando o valor da prestação seja uma % confortável do meu salário.

Se assim nunca saio de casa? Não sei, vamos ver. Se eu não sair, então conheço muito boa malta da minha idade que não sai de certeza absoluta. Ou isso, ou está a entregar a casa ao banco 2 anos depois.

De certa forma, estás a dar-me razão. Queres bom nível de qualidade de vida e portanto ficas na casa dos teus pais. É totalmente legítimo, também o fazia se a miúda não quisesse ter dado o passo.

Para que conste, eu dir-me-ia chorão QB. Custa-me claramente que um engenheiro no tempo dos meus pais conseguisse atingir objetivos financeiros de uma forma mais simples e rápido que aquilo que consigo hoje. Olhando ao percurso deles, trabalhar e investir com astúcia 10-15 anos teria chegado.

Pares uma entrada de 40k num casa significa que estás a comprar um apto de 400k. Não é demais para o que ganhas hoje? Não podes tentar viver nos centros se não tens dinheiro para tal. Também não comprei o T4 na foz. Lá só há casas de merda num valor que me sentisse confortável. Conduzo 55k km/ano, tenho avegare commute semanal de 15-20h, é o sacrifício de ter uma casa melhor e viver mais longe onde é mais barato. Volto a dizer, não dá para ter tudo.

É indubitável que hoje é mais difícil comprar casa que há 25, o que eu quero passar é que chorar não muda as condições externas. É mudar as nossas.

Alguém disse aí que sou previligiado, a palavra de ordem dos dias de hoje para quem não nasce pobre. Sim, claro que sou, a rede de segurança é enorme, mas o maior previligio é educação e valores de sacrifício. Nenhum dos meus pais tem curso superior, são agricultores bastante savy que poupam e investem. Não viajam, não tem luxos nem vidas e carros engraçados. Foi o sacrifício que fizeram para criar riqueza, que não a usam também 😃
Algo que fez de mim poupado e empreendedor, foi o facto de nunca ter tido acesso ao dinheiro, obrigando-me a mim a ganhar o meu.

A mensagem, e sem querer julgar ninguém, é:

Imaginem que a vossa vida é um gráfico radar, no tempo dos nossos pais, se ele fossem classe média, conseguiam seriamente andar ali a tocar nos pontos todos com uma teia bem montado e bonita. Hoje, isso é muito mais difícil, e portanto, temos que assumir que não dá para ter tudo.
dos vértices 1. Viagens 2. Casa 3. carro 4. Work-life balance 5. Qlq outra variável.

Numa escala de (1-5), eu tenho viagens nível 3-4 casa 4, carro 1, wlb 1...

Nunca disse que agora é mais fácil que anteriormente, simplesmente, choramos mais e isso não adianta nada. Cabe-nos a nós contrariar o sistema.

​​​​​​​Para quem pouco ou nada tem cá, claramente que a melhor opção é sair.
 
É o que dá generalizar a torto e a direito.
Eu conheço quem nunca tenha feito férias xpto, tenha carros velhos e está a restaurar a 3ª casa para AL. Quem andou sempre a viajar e agora está preso pelos tintins por causa do aumento das taxas de juro. Quem se está a divorciar e não tenha dinheiro para alugar uma casa sozinha. Quem teve uma casa de mão beijada e não trabalha porque os rendimentos deixam lá um valor singelo mas o suficiente para viver à vontade...

Depois, mesmo que não haja cunhas ou casas oferecidas pelos paizinhos, há pessoas que nascem em determinados meios que conseguem medrar só pela rede de contactos.

Eu não quero passar uma imagem de generalização, este é um problema altamente complexo que eu não sei resolver. Eu apenas partilhei um sentimento pessoal baseado no que observo a minha volta, que não englobará mais de 10% das realidades.
 
De certa forma, estás a dar-me razão. Queres bom nível de qualidade de vida e portanto ficas na casa dos teus pais. É totalmente legítimo, também o fazia se a miúda não quisesse ter dado o passo.

Para que conste, eu dir-me-ia chorão QB. Custa-me claramente que um engenheiro no tempo dos meus pais conseguisse atingir objetivos financeiros de uma forma mais simples e rápido que aquilo que consigo hoje. Olhando ao percurso deles, trabalhar e investir com astúcia 10-15 anos teria chegado.

Pares uma entrada de 40k num casa significa que estás a comprar um apto de 400k. Não é demais para o que ganhas hoje? Não podes tentar viver nos centros se não tens dinheiro para tal. Também não comprei o T4 na foz. Lá só há casas de ***** num valor que me sentisse confortável. Conduzo 55k km/ano, tenho avegare commute semanal de 15-20h, é o sacrifício de ter uma casa melhor e viver mais longe onde é mais barato. Volto a dizer, não dá para ter tudo.

É indubitável que hoje é mais difícil comprar casa que há 25, o que eu quero passar é que chorar não muda as condições externas. É mudar as nossas.

Alguém disse aí que sou previligiado, a palavra de ordem dos dias de hoje para quem não nasce pobre. Sim, claro que sou, a rede de segurança é enorme, mas o maior previligio é educação e valores de sacrifício. Nenhum dos meus pais tem curso superior, são agricultores bastante savy que poupam e investem. Não viajam, não tem luxos nem vidas e carros engraçados. Foi o sacrifício que fizeram para criar riqueza, que não a usam também 😃
Algo que fez de mim poupado e empreendedor, foi o facto de nunca ter tido acesso ao dinheiro, obrigando-me a mim a ganhar o meu.

A mensagem, e sem querer julgar ninguém, é:

Imaginem que a vossa vida é um gráfico radar, no tempo dos nossos pais, se ele fossem classe média, conseguiam seriamente andar ali a tocar nos pontos todos com uma teia bem montado e bonita. Hoje, isso é muito mais difícil, e portanto, temos que assumir que não dá para ter tudo.
dos vértices 1. Viagens 2. Casa 3. carro 4. Work-life balance 5. Qlq outra variável.

Numa escala de (1-5), eu tenho viagens nível 3-4 casa 4, carro 1, wlb 1...

Nunca disse que agora é mais fácil que anteriormente, simplesmente, choramos mais e isso não adianta nada. Cabe-nos a nós contrariar o sistema.

Para quem pouco ou nada tem cá, claramente que a melhor opção é sair.

40k de entrada inclui também o IMT.

Eu fiz em tempos uma simulação para um mero T2 de 280k aqui na margem sul e fiquei um bocado assustado com os impostos para a aquisição.

Era tipo 28k de entrada (10%, mas nunca queria dar só os mínimos) e 15k de imposto. Isto são 40 e tal mil euros.

Eu sei que isto podem ser 1st world problems porque quer eu quer a minha namorada temos salários bem acima da média para a idade.

Mas mesmo tendo isso em conta, eu não me sinto capaz de avançar.

Os meus pais pagaram um casarão em 15 anos/20 no máximo. E nunca herdaram um tostão, nem ganhavam 10.000€ por mês.

A razão entre número de meses que é preciso trabalhar para comprar uma casa era muito mais favorável nos anos 90 do que agora. Sobretudo devido ao aumento do preço das casas e estagnação dos salários.
 
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