Já sabia que ias pegar por aí, e realmente aquilo tem mto cimento em altura e densidade.
Percebo que possa dar alguma "claustrofobia", mas tb lgo ao lado tens um "corredor verde" e já se sabe que zonas de m2 mto valioso ambas as partes interessadas (construtores e CMs) ganham em haver mais cimento...
Telheiras é o bairro mais planeado de Lisboa e é triste verificar que a construção mais recente -e que até nem é/foi EPUL- falha mais em regras básicas de urbanismo que a construção original. WTF? Mas ao invés de melhorarmos, pioramos?
Em Portugal, a verdade nua e crua é esta: só pensamos no interior da casa, "no que é nosso e fica dentro de portas". Aliás, há uma maximização dos espaços interiores em detrimento dos exteriores até a nível de moradias. Completamente negligenciados, regra geral. Pensamos no estacionamento e no alpendre para o automóvel, mas não pensamos em zonas de estar ou jardins. É só ridículo.
Esta falta de uma cultura de valorização do verde vê-se claramente nos centros urbanos onde há uma manifesta falta de linhas de árvores e canteiros nas avenidas e vias principais, nomeadamente as mais recentes. O verde que há é sempre em zonas antigas, pré-anos 70. Zonas novas é tudo pelos mínimos, umas "árvores" raquíticas seguradas por paus, muita calçada portuguesa mas não há um canteiro.
E vê-se também fora dos centros urbanos, no Portugal mais periférico.
Aldeias/pequenas vilas cheias de moradias independentes gigantes e depois com um espaço exterior ridículo ou todo cimentado, nem uma árvore digna ou arbustos. Um jardim mínimo na melhor das hipóteses (mas espaço para estacionamento de carros isso não pode faltar, mais depressa tens o alpendre para o carro do que um alpendre ou logradouro para fazeres uma refeição no exterior da tua brutal moradia).
Mesmo a cultura da marquise é disso exemplo: fechar tudo para maximizar o interior.
Vais a Espanha, Itália, etc., países do Sul com climas simpáticos como o nosso e há uma cultura de varandas maiores, utilizadas, com vegetação, toldos extensíveis. Não é preciso ir longe.
Vejam como foram construídas a maioria das cidades das diferentes províncias espanholas (Valladolid, Burgos, Pamplona, Valência, etc): tudo grandes avenidas onde é impensável não haver copas e copas de árvores frondosas (até pelos benefícios de moderação do calor nos meses quentes).
Aqui em Portugal é tudo desprotegido, uns arbustos raquíticos e até se cortam árvores -nomeadamente plátanos- porque tiram luz natural às habitações ou largam pó.
Refazem-se praças das capitais de várias distrito como no programa Pólis onde se acaba com menos verde do que se começou e sem sombras em cidades como Castelo Branco onde depois ninguém consegue estar durante o dia com o sol a dar na pinha. WTF? Mas é tudo doido?
A única época em Portugal onde remotamente houve algum nível de planeamento urbano foi, para nosso drama de falhanço civilizacional, ainda no Estado Novo.
E isso é mesmo muito triste.
Temos pouquíssimos bons exemplos de bom urbanismo recentes.
Os melhores bairros da cidades de Lisboa são habitação económica dos tempos do Fascismo como frequentemente se discute neste tópico com as referências a Caselas, Encarnações e o diabo a quatro. Isto é só RÍDICULO. Mas diz muito deste falhanço neo-realista em que este país se meteu e que parece que não consegue sair.
Cimento e pedra da calçada. Os grandes amigos de uma rua portuguesa. Verde dá trabalho e gasta água. Deve ser isso.