Foi um pouco a minha questão.
Em 2010 já queria mudar. As casas eram baratas, mas o emprego estava mau, e a minha também valia menos do que tinha pago e não a conseguia vender (sem perder muito dinheiro). Por isso nunca arrisquei em nada.
Depois tem vindo sempre a subir. Sempre na esperança que haja algo melhor e a bom preço. Foi foi até hoje. [

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Agora, olha, meti-me de cabeça e vamos lá ver o que isto vai dar.
Mas o teu caso parece-me perfeitamente normal (o upgrade normal que se faz de tipologia e localização com o tempo, à medida que a família cresce e os rendimentos também) e não se enquadra no que referi. Esperaste porque também não encontraste nada que te agradasse aos preços que podias pagar, isso é absolutamente normal!
Dou um exemplo próximo.
Tenho um colega, cujos rendimentos são bastante bons e muito acima da média, que está praticamente desde que eu o conheço com essa conversa que eu falava: ah os preços estão altos, vou esperar que baixe e vou acumulando. Assim nem preciso de empréstimo (meteu essa na cabeça não sei porquê).
Não comprou um T3 nas TwinTowers em 2015 por 275k (onde alugava, partilhando casa com outras 2 pessoas), nessa lógica.
Passaram-se 7 anos. Continua a viver num T1 mínimo nas Telheiras, construção EPUL básica, um ruído enorme em casa da rua. A renda sempre foi simpática e tem continuado simpática (acho que agora anda pelos 600, mas muito tempo abaixo dos 500 neste período todo).
E se hoje já comprava o tal T3 sem empréstimo (aliás já comprava provavelmente 2 daqueles sem empréstimo), a chatice é que o mesmo T3 custa 3x o que a senhoria lhe propôs há 7 anos, portanto continua a precisar de um empréstimo cujo valor absoluto não é assim tão diferente para o mesmo tipo de casa.
Neste tempo todo viveu numa casa muito pior = perda de qualidade de vida.
E agora a conversa dele é que isto vai dar uma trambolhão e vai fazer um excelente negócio a comprar em saldo.
Ao que eu já lhe disse: dificilmente alguém que procura um T3 nas Twintowers vai encontrar -nesse tipo de segmento- grandes quedas, mesmo numa nova "crise".
De um ponto de vista financeiro não fez qualquer sentido não ter comprado substancialmente mais barato, mesmo que com CH, com anos de juros baixos.
Hoje tinha uma liquidez não muito diferente do que tem (entre o balanço do que lhe custaria o CH vs rendas) e utilizava essa liquidez para amortizar, meter-se noutra para investimento e então ir aproveitar os tais saldos que ele acha que vão existir.
Este tipo sempre me pareceu o exemplo extremo da estupidez financeira que ser um mão de vaca às vezes produz. E que tanto querem poupar que acabam a não poupar como pensam...
E, sobretudo e mais importante, acabam a não viver....podendo fazê-lo. Incompreensível.