Vou dar também o meu contributo.
Fui vendedor de automóveis numa fase da minha vida em que estava desmotivado com os estudos na Universidade. Depois, achei que deveria concluir o curso e pensar em vender automóveis depois. Isso acabou por não acontecer: tive colocação rápida e quase definitiva na área do meu curso.
Mentiria se dissesse que não gostei. Adorei conduzir as excelentes máquinas que me passaram pelas mãos, foi gratificante sentir que já começava a ser procurado por pessoas que nem conhecia (o filho do sócio de um cliente, a namorada do filho do primo do cliente... enfim, uma rede de ligações sem fim) e ainda me lembro da solenidade do momento em que se assinava o contrato e, melhor, da alegria no dia da entrega dos carros.
Não gostei: da aldrabice dos colegas que roubavam os clientes nas retomas; por exemplo: uma retoma estava colocada num comerciante por 500 contos; diziam ao cliente que só valia 400; 100 ficavam, directamente, na mão do artista que, depois, ainda ganhava a comissão do novo.
Tive um colega que nem imagino quanto é que ele ganhava; preferia perder um negócio do que ganhar apenas a comissão do novo!! Era sempre grandes talhadas!!
Ora eu, sem jeito para esses "caldinhos", ganhava apenas o que a comissão do novo me dava. Dava um ordenado da ordem dos 150 contos em 1994.
Justo, na altura, para mim. Ridículo para os grandes "artistas".
Mais problemas: a concorrência "feroz" fazia-nos perder 9 em cada 10 negócios possíveis ...