O estudo, divulgado hoje no congresso da Ordem dos Psicólogos, analisou um conjunto de indicadores de processos psicopatológicos em estudantes de quatro das cinco escolas da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, dando particular ênfase à "ideação suicida".
A amostra foi de 366 alunos e a recolha de dados decorreu no ano letivo 2010/2011, através de medidas de ideação suicida, de sintomatologia depressiva, de solidão, de ansiedade social e de vinculação.
"Os resultados obtidos indicam-nos que 12,6 por cento da amostra já apresentou ideação suicida em algum momento na sua vida e 5.5% já pensou seriamente em suicidar-se", disse o autor do estudo, Adelino Pereira, da Escola de Ciências Humanas e Sociais.
Segundo o estudo, os alunos que têm ideias suicidas revelam maiores níveis de sintomatologia depressiva, de solidão, de ansiedade social e nas relações afetivas, menores níveis de conforto com a proximidade e de confiança nos outros.
Os dados relativos à presença de ideação suicida significativa ao longo do último ano, indicam que um em cada 10 alunos pode estar em risco de suicídio devido à frequência de pensamentos suicidas que apresenta.
O mesmo acontece nos dados relativos à semana anterior ao preenchimento do questionário, uma situação que Adelino Pereira considera "bastante preocupante", já que são indicadores de um número expressivo de alunos que pode estar a necessitar de uma avaliação do seu estado mental e, ao mesmo tempo, de apoio psicológico ou de outro tipo de intervenção no âmbito da saúde mental.
"Os dados obtidos com outras amostras universitárias são muito idênticos aos apurados neste estudo, pelo que se exige a elaboração e implementação de estratégias de avaliação e intervenção para a generalidade dos estudantes do ensino superior", defende o psicólogo.
A análise não demonstra diferenças significativas entre homens e mulheres nos níveis de ideação suicida, mas existem diferenças num conjunto de outras variáveis, sugerindo que as mulheres apresentam maiores níveis de processos psicopatológicos.
Relativamente à satisfação com os colegas, com os professores, com o curso e com a universidade, o estudo concluiu que "todas estas variáveis têm algum impacto sobre o equilíbrio emocional dos alunos".
As diferenças de rendimento do agregado familiar também têm impacto nos níveis de ideação suicida e de sintomatologia depressiva.
É possível que os jovens com menores rendimentos desenvolvam "sentimentos de inferioridade ou que se vejam extremamente condicionados no conjunto de atividades sociais em que se podem envolver devido a fatores económicos".
Segundo a Organização Mundial de Saúde, o suicídio é uma das três principais causas de morte em adolescentes e jovens adultos.