Suícidio. Porquê?

Qualquer um de nós pode sentir-se a pessoa mais feliz do mundo como também, noutras ocasiões, como o maior desgraçado à face da terra, desejando morrer e nascer de novo.

Por isso, eu compreendo perfeitamente aquilo por que muita gente está a passar e a coragem em virem para aqui de coração aberto partilhá-lo num acto de desespero em busca de alguma compreensão.
E isso, por si só, merece todo o respeito de gente como nós que vimos para aqui apenas para nos distrairmos.

As nossas sociedades modernas estruturaram-se de uma forma tal que em lugar de seguir o seu propósito evolutivo de servir o ser humano, acabam por torná-lo escravo dela, excluindo todos aqueles que não se «encaixam» no seu padrão nem dando lugar a sentimentos.
Unicamente, não há tempo para as pessoas.

E o fórum não é excepção, pois como espelho da sociedade, é um lugar onde a maioria gasta centenas de horas em tópicos a falar do cu ou das calças e poucos são os que vêm até aqui prestar um apoio ou tentar compreender… enquanto outros apenas dão aqui um saltinho para humilhar e descriminar. Eu sei que não é fácil encarar, mas devia ser mais fácil tentar, pelo menos, compreender.
Talvez, por esse motivo, tantos se suicidam sem sequer desabafarem com alguém ou procurar ajuda.
A culpa também é de uma sociedade sem tempo para escutar e afoita em ajuizar sem conhecimento de causa. Criámos um sistema injusto onde quem não se encaixa no padrão é simplesmente excluído.
 
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Mas deixando de fora os outros, vou falar para vós – os que estão a passar um mau bocado – e dizer-vos que vos compreendo.
Olhais para vós, para a vossa vida, para a vossa presença aqui e perguntais “Porquê?”, “Para quê?”.
Sentis da forma mais profunda o abismo que se abre entre vós e os outros.
Sentis enorme aquilo que os outros acham insignificante e insignificante aquilo que absorve a existência dos outros.
Sentis e não quereis sentir.
Passar no meio dos desafortunados e sentir inveja, passar no meio dos mendigos, pobres e abandonados e sentir ainda mais infelicidade do que eles revela a força desse inexplicável sentimento que ninguém compreende.

Ninguém gosta de espreitar esse lugar onde vocês estão, chamado desespero, desesperança, revolta, falta de vontade...
Um sítio onde ninguém quer estar e para o qual todos fazem questão de não olhar, ignorando-o.

Assim, conscientes da inconsciência dos outros, gritem aos céus, a deus, a tudo e a nada. Revoltem-se, sigam um caminho nunca antes trilhado até se cansarem e depois regressem a casa, fechem os olhos e sintam a essência daquilo que vocês realmente são – uma existência.
Ela é uma preciosidade que vocês têm. Ela é aquilo que vocês realmente são. Ela é a vossa força. Ela é aquilo que jamais alguém vos poderá tirar.

Preservem-na e guardem-na em lugar seguro. Defendam-na com a própria vida vivendo.
Depois, assegurem-se de que não sois fracos, mas fortes, pois estais no limite onde ninguém quer estar, para onde ninguém quer olhar e do qual ninguém sequer quer saber… e ainda estais vivos resistindo. Essa é a vossa maior luta; essa é a vossa maior vitória; essa é maior homenagem que podereis prestar à vossa existência; essa é a prova de que grandes são as pessoas que conseguem aguentar nas horas de maior dificuldade.

Por isso, não sois uns fracos, mas sim uns resistentes. Não sois cobardes mas sim uns lutadores que somam uma vitória a cada dia que passa. Não sois uma vergonha mas sim uns sobreviventes. Isso, só por si, faz com que sejais dos mais especiais e incríveis seres humanos à face da terra.

Nesse momento lembrem-se que não estais sós. Como vós, existem milhões de pessoas espalhadas por esse mundo fora e outras tantas que já passaram por isso e venceram, e que o podem testemunhar na 1ª pessoa.

Somos como o relampejar de uma luz na escuridão, de tão breve que é a nossa vida. Se hoje é a tempestade, a sua finitude assegura que num amanhã chegará a bonança, encarregando-se a vida de mudar tudo quando menos esperamos.
Sigam as palavras de Nietzsche: “Existe no mundo um único caminho por onde só tu podes passar. Onde leva? Não perguntes, segue-o!”

Talvez o que eu disse não sirva de muito, mas é tudo aquilo que eu posso dar.
Procurem-me a mim e a outros e falem sempre que precisarem, pois estaremos por aqui para vos escutar.
E nunca desistam de vocês, pois se um dia formos nós a precisar de vós seria bom escutar das vossas bocas a vossa vitória e sentir a força das vossas palavras a segurarem-nos.

Se a minha mão cheia de palavras não chegar para vos suster na beira do abismo onde estais, então que venham mais mãos juntar-se à minha para vos puxar para a vida.
E, por favor, façam questão de marcar presença aqui pois não toleramos prescindir da vossa preciosa companhia.[;)]
 
O texto é interessante, bem escrito e as ideias são boas, mas retira toda a emotividade ao texto e diz-me com que ficas! Ficas apenas com um conjunto de letras que foram um texto, mas sem emoção, sem sentimento de que servem.
O suicídio, a depressão, é muito mais do que alguns possam pensar, só quem passa por situações realmente aflitivas é que pode avaliar o real peso das coisas.
Costumo dizer sempre isto: é curioso constatar que num tribo completamente desinstruída a comunidade pode ser feliz e numa comunidade que se diz cada vez mais desenvolvida não há muita gente que possa afirmar com toda a convicção que é feliz, e vários estudos apontam para uma correlação positiva entre o Suicídio e o "Desenvolvimento".
cumprs

Acho que a correlação está certa e até faz sentido. Quando uma sociedade é pobre e pouco desenvolvida, e é uma condição generalizada, ninguém se sente diferente, complexado, pressionado em "ser alguém" e ambicionar casa, carro, viagens, roupas de marca, educação, etc.
 
Em vésperas de comemoração do Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio:

No próximo dia 10 de Setembro comemora-se internacionalmente o 50º Dia Mundial De Prevenção do Suicídio.
Os dados disponíveis apontam para que 1.000.000 de pessoas se suicide por ano em todo o mundo, 2.740 pessoas por dia, 114 por hora, 2 por cada segundo que passa. Em Portugal, as estatísticas oficiais dizem que são mais de 1.000 mortes por ano.
Com a crise internacional económica e financeira há previsões de um aumento do suicídio na Europa.
Em Portugal, em conformidade com as comemorações da Associação Internacional de Prevenção do Suicídio em colaboração com a Organização Mundial da Saúde, a Sociedade Portuguesa de Suicidologia (SPS) promove um Encontro sob a temática da Prevenção dos Suicídios em Sociedades Multiculturais, a decorrer na Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, no próximo Sábado, dia 10 de Setembro, pelas 14.30h. O programa é disponibilizado no documento em formato ‘pdf’ anexado.
Programa
Coordenação Nacional para a Saúde Mental

Bem-vindo(a) ao sítio da SPS
 
É interessante, eu verificar a total ausência de noticia como de sensibilização deste dia na comunicação social...

O silencio que se gera em torno disto quando para mim, discutir formas de minimizar fins trágicos, enquanto os casos de vitimas se vão sucedendo, e deixamos ficar-nos inertes perante tais situações.

Somos capazes de nos levantar e indignar perante uma tal guerra que pode matar uns tantos de seres, e aqui, calamos com outros tantos que morrem vitimas das suas próprias mãos.

Quando é que começamos a resolver isto de vez e olhar como um problema?

Sim meus amigos, isto realmente chateia-me...
 
concordo mas, em vez de colocares citações de notícias, seria muito mais agradável ler comentários teus e isso, sim, teria um maior feedback... [;)]
 
concordo mas, em vez de colocares citações de notícias, seria muito mais agradável ler comentários teus e isso, sim, teria um maior feedback... [;)]

E para uma pessoa que não esteja nas suas melhores capacidades, não pode até incitar a, ao ler algum tetemunho mais intenso, aqui fica a dúvida a quem mais esclarecido me possa resolver.

A noticia tem o seu valor, mais até, quando não existe que é dar espaço e abertura para discutir este tema.

Quanto à minha experiência não tenho muito acrescentar, há momentos da vida que pode passar por todos nós, e em flashes que tivesse tido sempre tentei pesar sobre isso e dar graças por uma atitude irreflectida descambasse quando se vive num momento de extrema angústia. Pensar nisso meteu-me medo e abriu-me perspectivas sobre o modo como as pessoas tombam desta forma.

O suicida na verdade não quer se matar mas quer matar a sua dor.
Augusto Cury
 
só quem passa por essas situações entende... todos temos fases menos boas... e temos que nos apoiar em quem amamos (e que nos ama).

E peguem nessas pessoas para sensibilizar o processo que leva a esse acto de forma a clarificar os demais, que por não terem passado não compreendem de forma tão clara. Aonde anda isso? Dêem valor as pessoas e os seus testemunhos...

Por cá não no nosso pais as ideias não devem ser muitas, mas vou atravessar o atlântico para puxar um exemplo:


Ou se tiver de ser de cá,:

[video]http://videos.sapo.pt/tDk8oRrgz285VEI1l33N[/video]

[video]http://videos.sapo.pt/RNz5zOfkrYZcIPsJSVEY[/video]

[video]http://videos.sapo.pt/FnBncFwEQCD1mHwDWba5[/video]

Não vejo é divulgação...
 
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dos vídeos que puseste, o melhor foi o do Pedro Tochas... simples e optimista... e com humor...

há algum tempo vi num programa a falar duma doença (não a menciono porque são imagens impressionantes) e percebi o quão somos felizes com o pouco que temos...

devemos aproveitar a vida e dar-lhe mais valor... e pensar que só o acordar já é uma vitória.
 
Última edição:
Já se falou que o amor pode tomar diversas formas, lançando-se a escada acerda daquilo que afinal será o amor de irmão...?
Mais do que será o amor de irmão, importa questionar o que será um verdadeiro irmão?

“Um irmão pode não ser um amigo, mas um amigo será sempre um irmão.” (Franklin, Benjamin)

Para mim, ser irmão não é um estado de graça herdado à nascença: a este estado cabe apenas lugar para o irmão de sangue.
Os irmãos de sangue têm de se mostrar amigos assim como os amigos têm de se fazer irmãos para merecerem o nosso respeito. O amor de irmão vai muito para além dos laços de sangue quando consideramos um amigo como um irmão com o qual poderemos contar em qualquer ocasião.

Já dos irmãos de sangue não se poderá dizer a mesma coisa. Quantos não há que conflituam com os seus manos prezando o amor de pai querendo-o só para si num acto de egoísmo e ciúme que apenas encontra paralelo em algumas espécies na natureza que o fazem por uma questão de sobrevivência. É o caso das crias de cuco que nascem num ninho alheio começando logo por expulsar os ovos ou crias do ninho hospedeiro para ficarem com todos os cuidados dos pais adoptivos só para si.
Infelizmente por este motivo existem inúmeros irmãos que não o sabem verdadeiramente ser. Já desde tempos bíblicos que tal acontece e muitas vezes por culpa dos próprios pais que em vez de lançarem a concórdia e manifestarem a equidade entre os filhos fazem precisamente o inverso.

Mas das coisas mais bonitas que existem é o amor de irmão, seja ele de sangue ou não. O companheirismo, compreensão e entreajuda entre eles criam gestos de cumplicidade que se estendem ao longo de uma vida.
Por isso considero maravilhoso quando casais com filhos adoptam crianças sem lar integrando-as na sua família como se fossem filhos de sangue. E quando todos se dão como irmãos fruto da educação dos pais, eis que se assiste a algo de maravilhoso. Este é o motivo pelo qual considero que no amor entre irmãos influi muito a forma como os pais educam os seus filhos, sem preferências nem diferenciações.

E tão bom quando ao longo desta nossa jornada encontramos um companheiro a quem podemos chamar de irmão. Alguém que vai caminhando ao nosso lado sempre atento para evitar que caiamos. Uma irmandade que se escolhe pela amizade incansável que demonstram e não pelos laços de sangue. Quantas pessoas não têm o privilégio que ter amigos que são como irmãos? Estes são irmãos que se escolhem e cujos laços muitas vezes são bem mais fortes do que o vínculo de sangue. Irmão é uma palavra que tem de se aprender a ser… e a sentir.

o que está aqui escrito significa muito, principalmente nestes casos mais extremos de sofrimento...
 
Os meios de comunicação social preferem ignorar o suicídio a procurar uma forma elevada de fazer a cobertura de um problema que mata 3.000 pessoas por dia.






Passou praticamente despercebido, a 10 de Setembro, o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. Em Portugal, há uma "política" de não noticiar suicídios, com receio de incentivar mais pessoas a por fim à sua própria vida. E de facto, estudos científicos apontam certa forma de noticiar suicídios como um factor de risco. Mas esses estudos também fazem notar que há uma forma certa de noticiar suicídios.
O assunto pode e deve merecer a atenção da sociedade civil e esta deve pressionar os órgãos de comunicação a prestar-lhe apropriada atenção. Como se pode ignorar um problema que, segundo as organizações de prevenção do suicídio, mata UM MILHÃO de pessoas por ano? Este ano, no Dia da Prevenção do Suicídio, a Organização Mundial de Saúde (OMS) lançou um alerta aos governos sobre a necessidade de mais e mais eficazes medidas de prevenção.
O suicídio pode ser prevenido e evitado, se for dada respostas às suas causas, invariavelmente ligadas à saúde mental. 90% das vítimas de suicídio sofriam de uma doença do foro psiquiátrico quando morreram. É comum esses problemas serem acompanhados pela toxicodependência – um grave factor de agravamento.
Não é possível reduzir o número de suicídios sem pressão sobre os Governos, exercida pelo público e pelos média, para que o problema não seja esquecido. E por muito grave e importante que seja a crise actual, nada justifica o egoísmo de ignorar o sofrimento de milhões de pessoas em famílias destruídas pela morte prematura e procurada de um dos seus.
A organização Suicide Prevention International recomenda que as notícias sobre suicídios e sobre o fenómeno do suicídio evitem pormenores sobre o método utilizado, especulações sobre o estado de espirito da vítima, apresentação do suicídio como resposta natural a certos problemas, e declarações exaltadas de familiares.
Recomenda-se que a cobertura aborde o fenómeno em vez de casos específicos, progressos no tratamento, histórias de sucesso em que o reconhecimento de sinais de alerta e tratamento salvaram vidas, desmascarar mitos sobre o suicídio, e falar sobre intervenções humanas que salvaram vidas.
Arrisco-me a calcular que alguém que lê estas linhas sofreu, ou conhece quem sofreu, um suicídio na família. E, por isso, sabem que não sendo impossível, é muito difícil travar uma pessoa decidida a por termo à sua vida. Por isso, todo tempo urge.
O primeiro passo é procurar mais informação. Um destino óbvio, é a Sociedade Portuguesa de Suicidologia, que se dedica ao estudo e prevenção deste grave problema de saúde pública. Pode aceder ao site para tentar saber mais sobre o suicídio e a sua prevenção.
Os jornalistas interessados podem consultar um documento da Organização Mundial de Saúde e da Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio, com sugestões sobre formas aceitáveis de abordar o suicídio e os suicídios.
O suicídio propaga-se com o silêncio. Que se faça luz e barulho... Muito barulho! Porque enquanto o leitor percorria estas linhas quatro pessoas puseram fim à sua própria vida!
É tempo de fazer luz sobre o tabu do suicídio - SIC Notícias
 
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O objetivo faz parte do Plano Nacional de Saúde Mental 2007/2016, mas a sua concretização foi acelerada devido ao aumento esperado de depressões causadas pela crise.
A comissão será liderada por Álvaro de Carvalho, diretor do Programa Nacional da Saúde Mental, da Direção Geral de Saúde, que explicou à agência Lusa que "a principal causa de suicídios é a depressão", embora Portugal tenha registado, num eurobarómetro divulgado em 2010, "um consumo médio de antidepressivos cinco vezes superior à média europeia".
Por isso e porque a crise económica levou a União Europeia e a Organização Mundial de Saúde a lançar alertas para a probabilidade de as depressões aumentarem, a prevenção passou a ser a palavra-chave, acrescentou Álvaro de Carvalho.
Um estudo da OMS/Europa, que visou perceber o impacto de crises anteriores na saúde mental, indica que "nos países de desenvolvimento médio e elevado como Portugal, as situações de suicídio têm aumentado por questões de ansiedade e depressão", afirmou o especialista.
Por outro lado, os números de mortes por suicídio em Portugal não são fiáveis, considerou.
"Há muitas dúvidas sobre os números efetivos de suicídios em Portugal", disse, explicando que "Portugal é um dos países da Europa com maior número de mortes por causas não identificadas, 1/8mas 3/8 entre 2002 e 2004, a Direção Geral de Saúde promoveu uma revisão de todas as certidões de óbito com causa não identificada e concluiu, como se esperava, que um grande número tinha a ver com suicídios".
Esta situação, segundo o especialista, deve-se a aspetos sociológicos como a tradição religiosa que é a necessidade de acionar seguros de vida, que não abrangem as mortes por suicídio.
Embora as medidas ainda não estejam definidas -- a própria comissão ainda está em processo de constituição --, Álvaro de Carvalho explica que as iniciativas de prevenção passam, nomeadamente, por sistematizar o diagnóstico e terapêutica da depressão, sobretudo a nível dos cuidados primários, e a articulação com as equipas de saúde mental e com outras entidades clinicas.
Da comissão fazem parte, entre outros, o coordenador português da Aliança Europeia contra a Depressão, Ricardo Gusmão, o psiquiatra Daniel Sampaio, o fundador da Sociedade Portuguesa de Suicidologia, Carlos Brás Saraiva, o presidente da mesma sociedade, José Carlos Santos, o diretor da delegação de Lisboa do Instituto de Medicina Legal, Jorge Costa Santos, além de Álvaro de Carvalho, como coordenador.
A comissão vai integrar ainda três académicos estrangeiros "que aceitaram fazer parte como consultores deste grupo", disse o responsável.
A coordenação será feita também em colaboração com os diretores dos 10 agrupamentos de Centros de Saúde onde o suicídio tem maior expressão, 10 coordenadores das unidades de saúde familiares piloto com elevada expressão de suicídios e os diretores dos departamentos de saúde mental dos hospitais.
O grupo incluirá ainda representantes das ordens dos Médicos, dos Psicólogos e dos Enfermeiros, da Associação de Profissionais de Serviço Social, da Associação de Medicina Geral e Familiar, dos Médicos de Saúde Pública, dos telefones SOS, e envolverá ainda associações empresariais e sindicais, agentes da autoridade, bombeiros, câmaras municipais e outras entidades com capacidade de intervenção junto da população em maior crise, como por exemplo sacerdotes.






Lusa


Plano de prevenção nacional de depressões e suicídios começará no final do Verão - SIC Notícias
 

Não acredito que terá grande resultado. Pelo que vejo frequentemente a nível profissional, e a nível pessoal, tendo em conta que tenho uma amiga que se tentou suicidar umas quantas vezes, e teve mais de 1 ano à espera de uma consulta de psicologia/psiquiatria (não sei precisar ao certo), e ainda tive de telefonar para o hospital a perguntar se estavam à espera que ela se matasse, para a chamarem para a consulta.

Infelizmente, a saúde mental em Portugal é extremamente desprezada e espezinhada!
 
Em 2011, suicidaram-se mais 53 do que no ano anterior. Só na Polícia houve 19 casos desde 2010. Professores também são profissão de risco.João (nome fictício) usou a arma de serviço para se matar nos balneários da Esquadra de Trânsito de Coimbra. Foi um dos onze polícias que se mataram no ano passado. Já em Janeiro deste ano e no espaço de três semanas, duas professoras da Secundária D. Maria, em Coimbra, puseram fim à vida. São casos que reflectem uma tendência de aumento do número de suicídios.
Só no ano passado, mataram-se 1.208 pessoas: mais 53 do que no ano anterior e mais 110 do que em 2009. Dados do Instituto de Medicina Legal (IML), mostram, aliás, que nos últimos três anos os suicídios aumentaram 10% em Portugal.
Os idosos entre os 75 e os 79 anos são os que mais pesam nestes números. De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2010 foram 120 os que se mataram: mais 18 do que no ano anterior.
Casos na PSP triplicam
Nos últimos dois anos, 19 polícias puseram fim à própria vida. Só na PSP, o número de suicídios triplicou. Em 2010 foram três os agentes daquela corporação que acabaram com a própria vida, enquanto no ano passado foram sete – o número mais alto desde o início da década.
Todos eram homens, nove usaram a arma de serviço, mas a maioria escolheu morrer na sua própria casa. Só dois se suicidaram nas esquadras.
No mesmo período, a GNR registou nove casos de suicídio: um deles cometido por uma mulher. «Só um ocorreu dentro das instalações da GNR, mas fora das horas de serviço», explica fonte daquela polícia. Dos nove militares, sete tinham entre 31 e 36 anos e pertenciam às patentes mais baixas: três eram sargentos, três cabos e três guardas.
«Os problemas financeiros estão quase sempre na origem destes actos», comenta Paulo Rodrigues, presidente do maior sindicato da PSP. «É uma profissão mal paga e com muitos riscos», diz o sindicalista, preocupado com o efeito que os cortes da austeridade possam ter na classe.
Professores em stresse
José Carlos Santos, da Sociedade Portuguesa de Suicidologia, avisa que a crise pode fazer estes números crescer ainda mais e lembra que «profissões com acesso a meios para o suicídio são sempre consideradas de maior risco». É o caso de profissionais de saúde, «com acesso a drogas e produtos tóxicos», mas também de agentes policiais, que todos os dias manuseiam armas.
No caso dos professores, o stresse e a violência do meio escolar podem ser detonadores de tendências suicidas. «A indisciplina dos alunos e o ambiente da escola provocam um desgaste tremendo que pode deixar ainda mais frágil quem já tem problemas em casa», comenta Ana Grancho, da Associação Nacional de Professores (ANP), que não tem, contudo, números sobre o suicídio naquela classe. «Não temos dados sobre isso. A única situação de que tive conhecimento foi através da linha SOS Professor e foi tratada com sucesso por um psicólogo da associação».
Ernesto Paiva, director da Secundária D. Maria, em Coimbra, também hesita em fazer a ligação entre a profissão e o suicídio de duas professoras de Biologia, que se mataram em Janeiro. «Uma delas tinha acabado de voltar de uma baixa psiquiátrica prolongada. Voltou ao serviço na sexta e na terça matou-se», conta o director, que não viu sinais de alerta na segunda docente. «Era amiga da outra colega, que estava com uma depressão, mas nada indicava que pudesse fazer o mesmo».
O caso deixou em choque aquela que é considerada pelos rankings a melhor escola pública do país e levou o director a pedir à Sociedade Portuguesa de Suicidiologia para intervir. «Fizeram algumas sessões para professores e pais e estão agora a dar acompanhamento aos alunos».
Já em Dezembro o suicídio de uma docente impressionou o país. Márcia Santos, de 34 anos, atirou-se de um viaduto da A24 (Vila Real) com a filha ao colo.
A bebé de 22 meses escapou com vida, mas a docente contratada que ficara este ano lectivo no desemprego não resistiu à queda de 40 metros.
Suicídios aumentaram 10% - Sociedade - Sol
 
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