Seremos demais?

BLADERUNNER

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Enquanto há um século atrás éramos 1,650 mil milhões, hoje somos já perto de 7 mil milhões de seres humanos a povoar o planeta. Mas para a sustentação desta civilização incivilizada em crescimento populacional descontrolado são necessários cada vez mais recursos. Já o cientista John Beddington, principal conselheiro do governo britânico, tem previsto que daqui por 20 anos (em 2030) seremos gravemente afectados por uma catástrofe mundial derivada ao aumento populacional e às carências energética, de alimentos e de água no mundo.
Os oceanos, que julgávamos inesgotáveis, estão a ficar sem reservas de peixe. Exemplo disso é o bacalhau que foi reduzido a apenas 10% do que havia há algumas décadas. O abate sucessivo de florestas para a plantação selectiva, a agricultura e extracção de madeira estão a aumentar a desertificação da superfície terrestre. A excessiva poluição dos solos, dos rios e mares, e da atmosfera está a tornar o planeta cada vez mais inabitável. O aumento do buraco no ozono e a diminuição da espessura desta camada gasosa, o efeito de estufa, o degelo dos glaciares polares, o aumento do nível da água do mar e o aquecimento global são uma realidade actual (só nos pólos a temperatura já subiu 3ºC no último século). O surgimento crescente de catástrofes naturais de dimensões épicas, a indiferenciação das estações do ano e as alterações climáticas que já nem os cientistas conseguem prever, deixaram há muito de fazer parte da ficção científica. Dois terços das espécies terão desaparecido por completo da face da terra antes sequer da maioria de nós termos terminado as nossas vidas. E como se isto por si só não bastasse, a pobreza, a fome e a doença continuam a aumentar de forma avassaladora. Este será o legado que deixaremos aos nossos descendentes: uma herança de morte e destruição.

Nesta fase de maturidade da humanidade, já não faz sentido continuarmos a proceder com o objectivo de conseguir o máximo possível de reprodução com vista à preservação da espécie. Nós, que nos julgamos superiores aos animais, quando muitas vezes não primamos por comportamentos inexplicavelmente pior do que o deles, acabamos por ter uma conduta igualmente primitiva no capítulo da perpetuação dos genes. Assim, vamo-nos multiplicando de uma forma inacreditável e imparável arrasando o nosso mundo.

Todavia, a meu ver, as religiões são das maiores responsáveis por toda esta calamidade. “Por causa e em nome de Deus é que se tem permitido e justificado tudo, principalmente o mais horrendo e cruel.”1 Apregoam a vida, sendo que muitas vezes a vida está logo à nascença condenada ao sofrimento, à fome, à doença e à morte. São contra a contracepção e o controlo da natalidade sabendo de antemão que nos países subdesenvolvidos onde grassa a miséria, a fome e a morte pela míngua, é aonde mais a população se multiplica. Mas desse modo se alimenta a poderosa indústria do tráfico humano de crianças, de órgãos, de escravatura e de serviços sexuais que alimenta o mundo desenvolvido a quem lhe convém este estado miserável de coisas. Tanta hipocrisia em nome de Deus. Tanto fanatismo e cegueira de um mundo que deixa tudo isto acontecer. Por algum motivo Einstein dizia que “A ciência sem religião é manca, a religião sem a ciência é cega.” Fomenta-se a vida a todo o custo enquanto a cada 46 segundos nasce uma criança na pobreza. Ao mesmo tempo que 30% de população no mundo desenvolvido se esforça por não engordar, os restantes 70% procura comida para sobreviver. Até onde toda esta falsidade nos irá levar? Quando é que iremos ter vergonha daquilo que estamos a fazer e ter a coragem de parar para actuar?

O ser humano ainda não acabou de destruir esta sua casa, mas consciente do mal que está a causar e de que mais tarde ou mais cedo tornará este planeta inabitável, começa já a procurar outros mundos que possam albergar vida para o podermos povoar assim que este deixar de nos ser útil. Actuamos como um vírus que se vai multiplicando no hóspede que o alberga contaminando e destruindo tudo ao seu redor, até ao ponto de provocar a sua morte, passando depois para outro corpo estranho onde voltará a parasitar explorando-o da mesma forma.
A reposição do equilíbrio do ecossistema regenerando-se os recursos naturais que estamos a esgotar iriam contribuir para uma existência mais harmoniosa do ser humano com um planeta que não é só seu. Por isso, sou apologista de que deveríamos controlar verdadeiramente a população mundial através de um planeamento e controlo da natalidade (muito diferente da aberração feita na China) para podermos assegurar um mínimo de dignidade de vida para aqueles que nascem. Todos nós somos responsáveis por cada um dos nossos semelhantes que vive no limiar da pobreza ou que morre vítima da fome ou falta de cuidados de saúde. E por isso, eu digo: já somos demais… a passar fome.

Alguém concorda comigo? Seremos nós, afinal, já demais?

1(Saramgo, José)
 

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Sim, somos demais!

Há quem ache que somos de menos... que não há crianças a nascer para sustentar a reforma dos mais velhos.
 
Claro que somos demais, mas este "somos" é global e temos de ver as coisas assim. Porque no Ocidente, no primeiro mundo, nem procriamos por aí além. Mas em África, na Índia, na China as pessoas reproduzem-se de forma inacreditável, não esquecer que só a Índia e a China detêm um quarto da população do mundo e a tendência é aumentar.

Soluções para essa gente não fazer tantos filhos? Não sei, é um problema cultural e não há como resolver, não se pode impedir as pessoas de terem os filhos que querem mesmo que não lhes possam dar o mínimo de condições.
 
Sim somos demais, não sei quanto tempo mais haverá recursos naturais para tanta gente.

Mas o problema nem está propriamente em países como Portugal em que este ano (li uma noticia ai há uns dias...) só houve um aumento da natalidade devido aos imigrantes.
 
Não li esse texto do velho Saramago, se é que foi ele que o escreveu, mas ele que tanto se insurge contra os maus tratos de que Língua Portuguesa é alvo, devia saber que a ordem de grandeza da população mundial é de 6-7 mil milhões de pessoas, e não 6-7 biliões.

Em Portugal:

um bilião é um milhão de milhões, 1.000.000.000.000 - 12 zeros
mil milhões, 1.000.000.000 - 9 zeros
 
Sim, somos demais!

Há quem ache que somos de menos... que não há crianças a nascer para sustentar a reforma dos mais velhos.

Acho que não há um equilibrio, há países a envelhecerem, e há outros países onde não param de nascer crianças.

Quanto ao tópico em si:

YouTube - Ska-P Decadencia con Letra

Primeiro os grandes poluem tudo, e depois pedem para o mexilhão ter consciencia ambiental [8b]

decadencia

texto:
Nos piden sin cesar, responsabilidad
cuidar el campo, cuidar el mar
Hay que reciclar y no contaminar
no gastes agua, es fundamental
Vuelve a resonar otra prueba nuclear
envenenando tierra y mar
Deforestación, cáncer de pulmón,
el amazonas ya es terminal
Ahora que se hunde el barco, me pides consideración
Ahora que se hunde el barco, me pides colaboración
Ya comenzó, la cuenta atrás, se nos acaba el tiempo
Ahora que se hunde el barco, no esperes un milagro
No se respetó el tratado universal
Kyoto fue una frivolidad
Nuevo incendio forestal, alta rentabilidad
buena manera de especular
Ahora que se hunde el barco, me pides consideración
Ahora que se hunde el barco, me pides colaboración
Ya comenzó, la cuenta atrás, se nos acaba el tiempo
Llórame, llórame
Oh oh oh, ya no hay marcha atrás, respirarás tu radioactividad
Oh oh oh, ya no hay marcha atrás, podrás sentir la decadencia
Industrialización, consumo sin control
más armamento de destrucción
Qué queréis de mí! pudisteis elegir
vuestra codicia nos condenó
Ahora que se hunde el barco, me pides consideración...
Oh oh oh, ya no hay marcha atrás, respirarás tu radioactividad...
 
Gastamos demais e gerimos mal os recurso.

Seremos eventualmente demais.

Vejam quantos planetas precisam para vos sustentar

WWF Footprint Calculator



Mudar isto?

"Cidadãos a eleger políticos responsáveis, que não pactuam com políticos corruptos ou sistemas económicos que apenas existem porque é possível explorar a ignorância e as pessoas."

Parece-me bem, mas demasiado utópico.
 
Não li esse texto do velho Saramago, se é que foi ele que o escreveu, mas ele que tanto se insurge contra os maus tratos de que Língua Portuguesa é alvo, devia saber que a ordem de grandeza da população mundial é de 6-7 mil milhões de pessoas, e não 6-7 biliões.

Em Portugal:

um bilião é um milhão de milhões, 1.000.000.000.000 - 12 zeros
mil milhões, 1.000.000.000 - 9 zeros

Não foi Saramago, fui eu mesmo quem escreveu. Realmente tens razão quanto aos números. Nos EUA é correcto o que tinha escrito, mas por cá é efectivamente como disseste. Obrigado pela correcção.[;)]

Estamos a chegar a ponto limite de sustentabilidade. As pessoas continuam a pensar que os recursos do planeta são infinitos e vamos explorando a nossa Terra. Para mim, neste momento, mais humanos é sinónimo de mais destruição, mais mortandade na natureza e mais pobreza no mundo.

Mas para as grandes empresas mais pessoas é sinónimo de mais consumidores, logo mais faturação. O resto que se dane: o mundo que poluem e as pessoas que passam mal.
 
Não deixa de ser assustador, mas isto levanta-nos a outra questão que tem a ver com o uso e abuso de antibióticos que estão a tornar os vírus cada vez mais resistentes.
Aliás, as farmaceuticas debatem-se cada vez mais com a dificuldade que têm em vencer as novas mutações virais, algumas das quais até há pouco tempo eram quase inofensivas.
 
Uma coisa é certa:muito ou pouco vamos continuar a aumentar.Das duas uma:ou mudamos a bem a nossa forma de estar e usar o planeta ou a natureza encarregar-se-á de repôr o equilibrio natural.Não é por falta de avisos que um dia seremos apanhados desprevenidos...

Quanto à relação de desiquilibrio que já tinha referido antes entre zonas do Mundo veja-se por exemplo o caso de Portugal dentro de portas;é o oito(o interior) e o oitenta(o litoral)num pedaço de terra tão pequeno;devíamos ter os 10 milhões de população melhor distribuidos...
 
Uma coisa é certa:muito ou pouco vamos continuar a aumentar.Das duas uma:ou mudamos a bem a nossa forma de estar e usar o planeta ou a natureza encarregar-se-á de repôr o equilibrio natural.Não é por falta de avisos que um dia seremos apanhados desprevenidos...

Quanto à relação de desiquilibrio que já tinha referido antes entre zonas do Mundo veja-se por exemplo o caso de Portugal dentro de portas;é o oito(o interior) e o oitenta(o litoral)num pedaço de terra tão pequeno;devíamos ter os 10 milhões de população melhor distribuidos...

Concordo. Não é por acaso que defendo um Las Vegas no Alentejo. Traria muita fixação de população no interior do país.
 
Quanto à relação de desiquilibrio que já tinha referido antes entre zonas do Mundo veja-se por exemplo o caso de Portugal dentro de portas;é o oito(o interior) e o oitenta(o litoral)num pedaço de terra tão pequeno;devíamos ter os 10 milhões de população melhor distribuidos...
Até o TGV foi planeado como se só o litoral do país fosse habitado.

Estabelecer estruturas produtivas e consequentemente pessoas no interior, implica a construção de meios de comunicação e até eventualmente, incentivos fiscais as empresas e as pessoas.

Mas as empresas e pessoas não são boys e os sucessivos governos não tem interesse nisso.
 
Uma coisa é certa:muito ou pouco vamos continuar a aumentar.Das duas uma:ou mudamos a bem a nossa forma de estar e usar o planeta ou a natureza encarregar-se-á de repôr o equilibrio natural.Não é por falta de avisos que um dia seremos apanhados desprevenidos...

O ponto principal é que se continua a investir pouco em investigação cientifica, que poderia possibilitar uma exploração mais contida e sensata dos recursos naturais.

Puxei o link da pegada ecológica precisamente por, e como eles dizem, gastarmos como se existissem mais planetas terra, mas por enquanto só temos este.

Mesmo que a religião e o fanatismo, a corrupção, a falta de valores, a exploração humana e a pobreza fossem só uma embaraçosa recordação da nossa historia, reduzir a população humana, talvez seja a menor das nossas preocupações, pois como dizes a natureza repõe sempre o equilíbrio.
 
Relacionado com este tópico há um tema que é importantíssimo e que passa um pouco despercebido.Tem a ver com a manutenção das nossas culturas devido fundamentalmente à baixa taxa de natalidade dos países ditos desenvolvidos, à elevada taxa de natalidade dos países sub desenvolvidos e em vias de desenvolvimento e ainda ao facto dos imigrantes que se radicam nos países mais desenvolvidos terem taxas de natalidade muitíssimo superiores à taxa dos países de acolhimento.
Não estou suficientemente documentado para explanar este sub-tema, mas vou-me documentar e depois posto aqui.

Um outro assunto que me chamou a atenção neste tópico foi a opinião de que a diminuição dos bancos de pesca do bacalhau se devem ao aumento das capturas pesqueiras.Penso que não é só isso, acho que os excessos dos ambientalistas também trazem algumas consequências nefastas. Neste caso refiro-me à proibição da caça ás focas, cujo numero está a crescer exponencialmente, e como o bacalhau é um dos principais alimentos das focas, principalmente ainda na sua fase juvenil, explica um pouco a diminuição deste peixe nos bancos de pesca.
Não podemos esquecer que o homem também é um predador, e se proibimos a caça de algumas espécies , corremos o risco de que os animais que não caçamos extingam outros de que necessitamos.
Isto são apenas pontos de reflexão.
 
Até o TGV foi planeado como se só o litoral do país fosse habitado.

Estabelecer estruturas produtivas e consequentemente pessoas no interior, implica a construção de meios de comunicação e até eventualmente, incentivos fiscais as empresas e as pessoas.

Mas as empresas e pessoas não são boys e os sucessivos governos não tem interesse nisso.

Se fosse só o TGV, até a linha férrea normal assim o é :sh). E as que vão até ao ´"fim do mundo", quantas são electrizadas?

Mas mesmo que houvesse linhas férreas mais para o interior, seria necessário um investimento muito grande.
 
(...)

Neste caso refiro-me à proibição da caça ás focas, cujo numero está a crescer exponencialmente, e como o bacalhau é um dos principais alimentos das focas, principalmente ainda na sua fase juvenil, explica um pouco a diminuição deste peixe nos bancos de pesca.

Não podemos esquecer que o homem também é um predador, e se proibimos a caça de algumas espécies , corremos o risco de que os animais que não caçamos extingam outros de que necessitamos.
Isto são apenas pontos de reflexão.
As focas não caçam especificamente bacalhau tb comem moluscos e marisco assim como outros tipos de peixe.

Já existiam focas e bacalhau antes de haver humanos (e isso nunca colocou os bacalhaus em perigo de extinção), além de que o bacalhau apanhado no atlântico norte apresenta sinais de fome extrema (o que significa que o problema esta na cadeia alimentar do peixe), ora se há menos peixe, devia haver mais comida e não é isso que se verifica.

Provavelmente a poluição nas plataformas continentais, o excesso de pesca de juvenis para produtos de peixe processado (barrinhas de peixe e filetes panados) e adultos, bem como o aquecimento global que afecta a distribuição do plâncton ao alterar as temperaturas do oceano, serão os responsáveis e não a predação natural, pela diminuição do bacalhau.
 
Grande como um TGV?

[;)]


O TGV é um investimento muito grande, e sou apologista, primeiro investir nas nossas linhas férras, que ligassem uma larga maioria dos pontos do país.
Mas isto já é um problema que vem de há muitos anos. Quando investimos nas linhas férreas em Portugal, já foi tarde, uma vez que poucos anos depois melhorou-se as estradas, o que ficou para 2º plano a linha férrea em portugal. As linhas mais desenvolvidas é apenas entre Lisboa e Porto [8b].

Desde sempre que em Portugal que houve um maior interesse pelo Litoral, esquecendo-se do Interior, aqui é apenas um exemplo de como a populãção está mal distribuida.
 
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