Sim, iríamos muito longe se não fosse esta comichão que persistentemente se nota sempre e quando surge algo que inova, que promete, que muda conceitos e quebra estereótipos... Parece quase um medo de ... nada, daí que seja quase ridículo porque parece medo de crescer!...
Somos um povo de mentalidade envelhecida, em vez de velha, pois isso significaria que seria sábia nos quase mil anos de história que temos. Mentalidade fechada, ultrapassada, coalhada em preconceitos e estigmas de "pseudo-superioridade consumística", que dão nível e status, e que levam a que surjam receios de invasão nos patamares de exclusividade quando surge um produto "de combate" e de excelente "
value for money", mas quase "proletário". Deus nos valha, que gigante Adamastor será que lá vem?!... [

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Grande abraço. [

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Baseando-me nas leituras e linhas-de-orientação das cadeiras que incluíam os estudos da Cultura Portuguesa durante a formação académica, todo este tipo de reacções, bem como a opinião pública e reacção a factos mediáticos é fácil de explicar.
O portuguese tem medo de crescer e de saír da sua caverna ridícula porque está há séculos a viver de saudosismos e de esperança e ainda está a viver à custa de imagem de marca e de resultados conseguidos à custa de uma saída da caverna há 7 séculos. É possível, de forma muito mais detalhada e extensiva, observar isso no curso da história deste país, até mesmo durante o século XX e actualmente.
A ajudar à festa, temos:
1) Uma influência infinita da culturas mediterrânica e judaica, centrada: no modelo tradicional de família que, por sua vez, é conscientemente dominada pelo homem e pelos valores da masculinidade (somos uma das sociedades mais machistas do Mundo), mas inconscientemente dominada pela mulher e no papel da mãe no núcleo familiar;
2) A influência também ela infinita do Cristianismo e do poder da Igreja Católica enquanto instituição representativa em Portugal. E, independentemente, de haver cada vez menos crentes e fiéis a esta religião, a sua influência ainda há de cá permanecer durante muitos séculos na mente colectiva de Portugal.
Isto explica:
1) Porque é que estamos há séculos a viver à sombra da bananeira dos resultados do passado; a evoluír por arrastão relativamente àqueles com quem temos contactos (Espanha em primeiro lugar, porque, quer gostemos, quer não, dependemos de Espanha e vice-versa); a viver de saudosismos.
2) Porque é que deixámos um regime totalitário permanecer no nosso país por quase 5 décadas, sem nos queixarmos muito nas primeiras.
3) Porque é que, vamos continuar a ser ultrapassados por outros países ao nível do desenvolvimento geral.
4) Porque é que somos cada vez mais pobres (proporcionalmente à UE, porque esta cresce muito mais do que nós), mas porque continuamos a achar que podemos "viver como eles", nem que seja por aparências - e isto reflecte-se, no Estado, no Governo e nas nossas casas e dos nossos vizinhos.
5) Porque é que preferimos um Audi A4 usado a um Seat Exeo novo ou porque é que preferimos escolher equipamentos opcionais relacionados com a estética e com o embelezamento, do que com a segurança e a funcionalidade.
6) Porque é que mesmo o ordenado mínimo e médio seja uma miséria comparativamente à média da UE (pelo menos da UE dos 15), continuamos a endividar-nos para podermo-nos encher de produtos de consumo de que, por vezes, não precisamos, apenas porque o vizinho já começa a ter e nós não.
7) Porque é que desdenhamos de todos os produtos de marca branca ou que sejam de marcas com pouca imagem, mesmo sabendo que a qualidade é, muitas vezes, exactamente a mesma.
8) Porque é que a xenofobia, o racismo ou a homofobia (muitas vezes camuflados e disfarçados, já que agora, cada vez mais, parece mal expressar isso socialmente) têm tanta expressão. A justificação para isto é fácil: sendo distúrbios da personalidade (que podem ser patológicos), são o reflexo do medo irracional de realidades alheias à matriz fixada, justificadas pelo medo óbvio de nunca saír da caverna (tal como disse mais acima).
9) Porque é que aqui se diz que "carro X é só para gays ou gajas" e fica mal um "homem a sério" ao volante de um (se bem que, depois vamos a ver, e a maioria dos que os conduzem... são homens).
10) Porque é que temos a leis do casamento e das uniões de facto do Código Civil que desrespeitam a Constituição como documento máximo, suportando a negação na... instituição casamento como rito religioso (errado!), como forma de procriação e de continuidade da espécie (errado!) e no modelo tradicional da família (errado) em vez de nos apoiarmos na (dis)funcionalidade dos mesmos.
11) Porque é que não temos qualquer confiança na classe política e nos colarinhos brancos do país e permanecemos impávidos e serenos sem actuar... sem bem que adoramos protestar, fazer algo é que está quieto - a não ser que venha um doido qualquer que inicie alguma coisa, mas só assim, porque de outra forma, se o vizinho não fizer nada, eu também não faço (Deus me livre!).
12) Porque é que somos fãs de tudo o que fôr telenovelas (sejam elas mediáticas ou produções ficcionais para televisão) e de tudo o que der para remexer e espiolhar a vida alheia. Os nossos tetra-avós faziam-no nas aldeias há 100 anos, porque é que não havemos de continuar a fazê-lo (de outras formas, ok)?
E podia continuar por aí fora...