PeLeve
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Eu bem me parecia que a lampreia estava a escassear...:
Há vários anos ainda se encontrava aqui na região de Setúbal. Agora nem vê-la... [s)] E quem não gosta do belo do arroz da dita?... [br
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http://www.barlavento.online.pt/index.php/noticia?id=22903Restaurantes do Algarve especializados em lampreia obrigados a abastecer-se no Norte
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Arroz de lampreia
Os restaurantes algarvios especializados em lampreia, iguaria rara e considerada de "luxo", estão a ser obrigados a abastecer-se com o produto que é pescado no Norte do país devido à escassez de exemplares no Rio Guadiana.
Antigamente apelidada de "peixe dos pobres", a lampreia é hoje um prato muito apreciado e cujo preço nos restaurantes pode ascender aos 80 euros, mas parece estar a desaparecer dos rios, sobretudo a Sul, dizem os especialistas.
A pesca da lampreia vai de Janeiro a Abril e os verdadeiros apreciadores chegam a percorrer centenas de quilómetros para a degustar, mas os restaurantes algarvios queixam-se por ter que mandar vir o produto de tão longe.
Com casa aberta há sete anos, José Maria Leite é dono de um dos únicos restaurantes em Faro especializado em "Lampreia à Bordalesa" ou "Arroz de Lampreia", pratos que conhece desde muito novo, por ser de Celorico de Basto.
Apesar de aqueles pratos serem mais famosos no Norte do país, José Maria diz que tem clientes que vêm de "muito longe" para apreciar o "caviar da Península Ibérica", como lhe chama, mas nem sempre consegue satisfazê-los.
As lampreias que serve em Faro percorrem vivas centenas de quilómetros, desde o Minho, passando depois por um processo de preparação que leva cerca de dois dias, pois têm que estar "de molho" numa infusão para ganhar sabor.
"Se forem mal preparadas, tornam-se 'intragáveis'", diz, acrescentando que o segredo é "saber tirar a tripa" e aproveitar o sangue, base do "Arroz de Lampreia", à semelhança da Cabidela.
A lampreia, que, segundo alguns, "não é carne nem é peixe" por pertencer a uma classe rara de animais, tem um aspecto estranho e nasce nos rios, vivendo no mar até à altura de se reproduzir, quando regressa ao rio.
Existe em Portugal - do Rio Minho ao Guadiana, embora seja mais abundante a Norte -, Espanha e no Sudoeste de França, mas a construção de barragens, a poluição dos rios e a pesca excessiva estão a fazê-la desaparecer.
O director do Instituto de Investigação das Pescas e do Mar (IPIMAR) diz que a escassez atinge não só a lampreia como outras espécies migratórias cuja procura e preço são muito elevados o que leva a que a oferta não a consiga acompanhar.
"Já não se sabe se é mesmo falta da lampreia ou se é por a procura ter disparado que não se consegue satisfazê-la", afirmou Carlos Costa Monteiro à Lusa, acrescentando que há vinte anos comia lampreia "quem não tinha mais nada para comer".
Na zona de Alcoutim, mesmo frente ao Rio Guadiana, abundam os restaurantes especializados em lampreia, mas cada vez menos o prato é confeccionado com "produto local", queixa-se os donos dos estabelecimentos.
"Este ano, todas as lampreias que fizemos foram compradas fora, no Minho", lamenta Isabel Ribeiros, proprietária de um restaurante da zona, que confessa não gostar de lampreia, por ser um "animal esquisito".
Compra-as por cerca de 40 euros o quilo e vende-as no prato por cerca de 70, mas tem pena que não haja a abundância que havia antigamente no Guadiana, porque, dizem os locais, "são melhores do que as do Minho".
O director do Hotel Guerreiros do Rio, mesmo em frente ao Guadiana, numa zona conhecida pela confecção de pratos com lampreia e enguia, também tem tido dificuldade em arranjar os "raros" animais.
Segundo Mário Monteiro, os habitantes locais queixam-se que "a culpa é da Barragem do Alqueva", que fez aumentar a salinidade do rio, característica que a lampreia "não gosta", pois prefere águas mais doces.
Carla Maia, do Centro de Investigação Ambiental Planeta Vivo e que está a fazer um estudo sobre a lampreia no Rio Douro, diz que o facto de a água do mar estar a aquecer também pode ser um factor para a sua escassez.
"A lampreia, para subir o rio, precisa de estímulos relacionados com o caudal dos rios, quantidade e temperatura da água e não tendo esses estímulos não sobe", observa a bióloga.
Há vários anos ainda se encontrava aqui na região de Setúbal. Agora nem vê-la... [s)] E quem não gosta do belo do arroz da dita?... [br