[Antevisão] Renault Alpine (2017)

Nos últimos 20 anos há toda uma sucessão de erros na abordagem do produto premium. A falta de imagem vai somando falhanço após falhanço ao ponto de agora se dizer que é a causa do problema. Não era.

As marcas generalistas têm mais dificuldade em vender carros quanto mais formos subindo de segmento. E não é por serem maus carros, é sobretudo porque em determinada ordem de preços já fica difícil alguém dar meia centena de milhar de Euros por um Toyota, Peugeot, Renault, VW ou Hyundai. Se alguns modelos tiveram problemas? É verdade mas também é verdade que mesmo se não tivessem tido problemas não iriam ter grande sucesso porque sem imagem de marca nenhuma marca generalista consegue ter sucesso no segmento E.
 
(...)

O problema destas marcas é que não souberam ao longo de muitos anos oferecer produtos com aprumo qualitativo comparativamente à concorrência alemã.

a peugeot é que poderia ter feito um brilharete com o 505, tinha uma carroçaria de 3 volumes, mais convencional do que os 2 volumes da renault e da citroen, e ainda beneficou do motor v6 prv. e fallhou redondamente ao não apostar no mercado americano, onde o 505 já tinha tido boa aceitação.
apostou tudo no 405 e lançou uma enorme campanha no canada e nos estados unidos, deixando de lado o 505, essa campnha revelou-se um monumental falhanço porque o carro era caro e pouco adequado.

a par dos modelos germanicos, a Volvo e a Saab é que sempre souberam posicionar os seus modelos nos estados unidos, de maneira smart.


voltando à Alpine,
começou com carros que utilizavam motores de renault dauphine e foi crescendo, até que se posicionava ao nivel da porsche.

um titulo de campeão do mundo de ralis, e o A110 estava acima dos porsches 914 e nos calcanhares do 911,
evoluiu e quando recebeu o V6 prv no A310, o carro ficou ao mesmo nivel da Porsche em termos de potência, habitabilidade, e competência para a estrada, pecava por um interior e alguns acabamentos artesanais. estavamos no sfins dos anos 70.
a imagem tambem sofreu ao passar de Alpine-Renault à Renault-Alpine.

o Reanult-Alpine no entanto evoluiu muito pouco, ficous-se por 200cv com o pack Gt quando o 911 já estava com 231cv. o Alpine Gt apareceu de seguida, mas com 160, 180 ou 200cv, não tinha argumentos para o porsche 944, era simplesmente mediano para o que prometia.
a Renault ainda lançou o A610, com 250cv que estava perfeitamente alinhado com o Porsche 964, e o desempenho era comparavel, infelizmente a Renault espetou-lhe com um interior "fatela" do nivel do Renault 21.

Tivesse a Renault suportado os esforços da MVS e se calhar a historia era outra, esse era o verdadeiro Gt francês.
no entanto esforçou a associar o nome de uma marca popular à Alpine, enquanto poderia bem ter mantido a Alpine semi-independente, e por exemplo associar o nome à Formula 1.

Agora vamos lá ver mas a Alpine teria melhor sorte se o nome Renault não estivesse escarancancado no carro,
a VW detém a Bentley, mas não lhe espetou VW Bentley .... eram metade das vendas que desapareciam.
 
Última edição:
Os carros de luxo ingleses em termos de fiabilidade também não são grande coisa, efectivamente os alemães (tirando a Opel) estão à frente no que diz respeito a segmentos altos em relação aos outros. Para sustentar um Range Rover ou um Jaguar V6/V8 é preciso abrir bem os cordões à bolsa e ter muita paciência[:D]
 
Os carros de luxo ingleses em termos de fiabilidade também não são grande coisa, efectivamente os alemães (tirando a Opel) estão à frente no que diz respeito a segmentos altos em relação aos outros. Para sustentar um Range Rover ou um Jaguar V6/V8 é preciso abrir bem os cordões à bolsa e ter muita paciência[:D]

Até parece que os carros premium alemães também não têm os seus problemas. Todas as marcas têm as suas melhores e piores fases, a Mercedes teve uma fase terrível ali no início da década de 00 (tal como outras marcas), com bastantes problemas dispendiosos nos seus modelos de topo, a VW/Audi mais tarde também teve problemas com alguns dos seus motores e caixas DSG, entre outros. Acho que os construtores japoneses são aqueles que conseguem manter um bom nível de fiabilidade de forma mais contínua. No fundo todas as marcas europeias têm os seus "cancros", é preciso saber escolher e também ter alguma sorte.
 
a peugeot é que poderia ter feito um brilharete com o 505, tinha uma carroçaria de 3 volumes, mais convencional do que os 2 volumes da renault e da citroen, e ainda beneficou do motor v6 prv. e fallhou redondamente ao não apostar no mercado americano, onde o 505 já tinha tido boa aceitação.
apostou tudo no 405 e lançou uma enorme campanha no canada e nos estados unidos, deixando de lado o 505, essa campnha revelou-se um monumental falhanço porque o carro era caro e pouco adequado.

O 505 era muito conservador e começava a mostrar as suas limitações e idade em meados da década de 80. Se por um lado continuava senhor soberano no que concerne a comportamento e conforto, mecanicamente estava a ficar muito atrás do que melhor se começava a fazer na altura. Vá, podias escolher entre o PRV V6 remaniado e gastador ou pelo Turbo com o seu 2.2 do arco da velha (origem Chrysler, o mesmo usado no infame BX 4 TC), ainda mais potente mas mais gastador e viril, pelo mesmo preço. [:cool:] E claro, a Diesel (com ou sem turbo), não havia Pai para ele. [:p] [;)]



voltando à Alpine,
começou com carros que utilizavam motores de renault dauphine e foi crescendo, até que se posicionava ao nivel da porsche.

um titulo de campeão do mundo de ralis, e o A110 estava acima dos porsches 914 e nos calcanhares do 911,
evoluiu e quando recebeu o V6 prv no A310, o carro ficou ao mesmo nivel da Porsche em termos de potência, habitabilidade, e competência para a estrada, pecava por um interior e alguns acabamentos artesanais. estavamos no sfins dos anos 70.
a imagem tambem sofreu ao passar de Alpine-Renault à Renault-Alpine.

Um Alpine foi sempre um Alpine, em nome próprio. O chato da coisa é que apartir de um determinado momento, quase sempre vias em letras garrafais o nome "Renault" (sobretudo do GTA para a frente) e as confusões a isso associadas. Embora, os carros tenham sido vendidos sob o nome Renault, nomeadamente em Inglaterra por lá já existir uma coisa chamada Sunbeam Alpine.


o Reanult-Alpine no entanto evoluiu muito pouco, ficous-se por 200cv com o pack Gt quando o 911 já estava com 231cv. o Alpine Gt apareceu de seguida, mas com 160, 180 ou 200cv, não tinha argumentos para o porsche 944, era simplesmente mediano para o que prometia.
a Renault ainda lançou o A610, com 250cv que estava perfeitamente alinhado com o Porsche 964, e o desempenho era comparavel, infelizmente a Renault espetou-lhe com um interior "fatela" do nivel do Renault 21.

Não sejas mauzinho...

ALPINE-a610-1382.jpg



mas sim, há ali muita peça que partilhava com o Clio (e ainda o Super5 e mesmo o R5!) à época e essas coisas podem ser fatais como o destino no que toca a percepção de qualidade e exclusividade. [:D]
 
Isso é verdade, a Mercedes foi a única marca Alemã que sobreviveu independente desde o século XIX até aos dias de hoje. A hegemonia Alemã começou com o crescimento da BMW e da Audi a partir dos anos 80 mas antes disso eram marcas praticamente desconhecidas no Mundo automóvel, são marcas relativamente recentes.

Acho que se a Fardier de Cugnot não tivesse batido contra o muro também ainda era uma marca actualmente.. E essa até é Francesa! [:D]
 
Hoje paradoxalmente temos um Touran mais modulável que o Scénic, o que é a todos os níveis surreal.

...

A Espace deixou morrer toda a sua clientela alta (a única que a comprava por ser a Espace apesar de Renault) com uma qualidade de construção continuamente medíocre e um nível de fiabilidade precário. Esta última interpretação (V) é uma jogada honesta para tentar reverter todo o problema criado pela inação mas, provavelmente, vem tarde para salvar o que quer que seja. E no final de contas, onde está mesmo a Espace nesta Espace? Pois.

Não se percebe como a Renault deixou a Espace IV agonizar-se por tanto tempo no mercado. A última evolução, não lembra sequer ao Diabo.

E se a (verdadeira) Espace ficou pelo caminho, com a Scénic a Renault aplicou novamente a receita, deixando cada vez mais de parte algo que lhe era tão caro, do qual tanto se gabava e era plenamente reconhecida.

Podemos começar a dizer adeus aos monovolumes, grandes ou pequenos, na Renault. A nova Scénic quer ser uma espécie de SUV (com a agravante de se ter já um SUV de idêntica dimensão sem lhe ter custado muito no desenvolvimento), a versão Grand Scénic, perdeu toda e qualquer modularidade que se exige de um veículo familiar de 7 lugares compacto de uma marca que marcou e popularizou este conceito. Renegar a valores próprios em prol da rentabilidade nem sempre dá bom resultado.
 
Não se percebe como a Renault deixou a Espace IV agonizar-se por tanto tempo no mercado. A última evolução, não lembra sequer ao Diabo.

E se a (verdadeira) Espace ficou pelo caminho, com a Scénic a Renault aplicou novamente a receita, deixando cada vez mais de parte algo que lhe era tão caro, do qual tanto se gabava e era plenamente reconhecida.

Podemos começar a dizer adeus aos monovolumes, grandes ou pequenos, na Renault. A nova Scénic quer ser uma espécie de SUV (com a agravante de se ter já um SUV de idêntica dimensão sem lhe ter custado muito no desenvolvimento), a versão Grand Scénic, perdeu toda e qualquer modularidade que se exige de um veículo familiar de 7 lugares compacto de uma marca que marcou e popularizou este conceito. Renegar a valores próprios em prol da rentabilidade nem sempre dá bom resultado.


mas o Espace foi um projecto Matra :) e foi inicialmente proposto a Peugeot, que o desvalorizou :sh)
 
mas o Espace foi um projecto Matra :) e foi inicialmente proposto a Peugeot, que o desvalorizou :sh)

A MATRA era muito boa nisso, a desenvolver projectos. Tinha um R&D de topo (entretanto cedido aos Italianos da PininFarina).

A Espace foi desenvolvida por eles, nomeadamente o conceito de banco independentes e o formato da carroçaria. Mas convenhamos, a Renault extrapolou e muito a modularidade inicial do projecto.
 
Não sejas mauzinho...

ALPINE-a610-1382.jpg



mas sim, há ali muita peça que partilhava com o Clio (e ainda o Super5 e mesmo o R5!) à época e essas coisas podem ser fatais como o destino no que toca a percepção de qualidade e exclusividade. [:D]

Deixa cá ver. Além do volante do 21, como já foi referido, os reguladores de direção nas saidas da ventilação (super 5), a porta do porta-luvas (conheço, mas não estou a ver de se modelo), hastes dos piscas e limpa vidros (Clio I) e os botões para os vidros electricos (Super5 e outros).
 
Não se percebe como a Renault deixou a Espace IV agonizar-se por tanto tempo no mercado.

A Espace IV é um excelente MPV e a partir da phase 2 melhorou muito em termos de fiabilidade com o bom 2.0 dCi. Tenho ideia que mesmo no final da carreira (10 anos!) ainda vendia alguma coisa.
 
mas o Espace foi um projecto Matra :) e foi inicialmente proposto a Peugeot, que o desvalorizou :sh)

A Peugeot sempre foi a marca conservadora Francesa, nem sei como alinharam no 1008:sh)

A Renault está ali entre a Citroen e a Peugeot em termos de originalidade e criatividade, por isso um projeto como a Espace foi naturalmente abraçado pela Renault.
 
Podes-me mencionar a marca premium francesa possuída pela PSA ou Renault que compete com os alemães, Volvo e Lexus?

Podem ter feito alguns produtos excelentes mas descuraram a presença no segmento premium pois não foram consistentes.

Há uns anos falou-se que a PSA iria renascer a Panhard, e sinceramente parece-me um nome mais apelativo do que DS, que é uma sigla demasiado insonsa.

Eles poderiam ir buscar nomes de marcas de luxo Francesas (teriam de pagar os respetivos direitos) para criarem uma marca de automóveis de luxo como a Guerlain, Givenchy, Cartier, Balmain, etc..
 
Se falarmos no pós-WW2 a partir do qual se definiu o posicionamento que a maior parte das marcas ainda hoje têm, a Citroen até aos anos 60-70, gozava de uma percepção de luxo e elegância junto do consumidor.

Mas sempre faltou o aprumo qualitativo e durabilidade, características que as diversas marcas francesas nunca tiveram como prioridade e que são indispensáveis ao segmento premium. Sempre sobrevalorizaram o fazer diferente ou o joi de vivre em detrimento da robusteza mecânica ou da própria carroçaria.

E a saída do mercado americano não ajudou nada porque não tinham onde escoar produtos de elevado valor.

Até ao momento os únicos representes do premium alternativo à solução alemã óbvia têm sido os suecos (Volvo) e, mais recentemente, a Jaguar/Land Rover. A DS é a primeira tentativa de exactamente procurar trazer o apelo do luxo à francesa ao automóvel (indo buscar muito ao património da relojoaria e padrões da alta costura e luxo de marcas como LVMH) mas, até ao momento, falhou nesse propósito com o seu único produto original (DS5). Logo veremos se o DS7 crossback começa a mudar essa percepção mas duvido.

Na prática o que as últimas décadas nos mostraram: não há ninguém que faça tão bem carros pequenos como os franceses e não há ninguém que faça tão bem carros maiores como os alemães.


Exactamente. Embora acho que estejas a sobrestimar a JLR e a esquecer da Lexus. A Lexus e a Volvo são as verdadeira alternativas ás marcas alemãs, assim como a Land Rover nos SUVs.
Bastava a Lexus lançar carrinhas e ter motores diesel na Europa e teria outro sucesso. A Volvo e a Jaguar/Land Rover, se a Ford tivesse sabido o que fazer com eles, estariam agora provávelmente no mesmo patamar dos alemães. Assim estão com uma década de atraso.
 
Tive que ir lá acima ver se me tinha enganado de tópico, ganda saga offtopic, tá aqui a conversa acaba nas motas ou camiões [:p]
 
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