Recomeçar do ZERO!

mas eu já fiz a minha escolha.
1º curar-me e depois começar uma carreira.

Há uma coisa que não percebeste. A tua doença não tem cura. Vais ter que viver com ela toda vida. Não é o facto de estar em casa a tomar antidepressivos que te vai curar... Qd voltares ao stress do trabalho vais cair novamente ( mais tarde ou mais cedo).

Por isso tens de definir já o que queres fazer da vida. Adiar não serve de nada só te prejudica no sentido em que perdes a prática e a resistência ao Stress.

Boa sorte!
 
Pois eu quero começar do zero... Quero ir para o Canadá,

Deves saber que lá exigem trabalhos comunitários no currículo para arranjar emprego, pelo que vai-te preparano caso não tenhas... [;)]


Pois eu posso dizer que de certa forma já comecei do 0, pois vivi 28 anos sempre no mesmo sítio, em casa dos meus pais, e de um dia para o outro fui para um sítio a 90km daí, viver num pequeno quarto encima de uma garagem e trabalhar numa oficina em que só trabalhava 1 pessoa (o dono).

Estive 3 meses assim e depois vim para Espanha, com um currículo relativamente fraco, num sítio aonde não conhecia ninguém, etc etc. Apenas tinha uma equipa que acreditava em mim e tudo fez para que as coisas corressem pelo melhor. Vamos a ver se com a crise as coisas não mudam...

Boa sorte a quem está a pensar em começar do 0.
 
Há uma coisa que não percebeste. A tua doença não tem cura. Vais ter que viver com ela toda vida. Não é o facto de estar em casa a tomar antidepressivos que te vai curar... Qd voltares ao stress do trabalho vais cair novamente ( mais tarde ou mais cedo).

Por isso tens de definir já o que queres fazer da vida. Adiar não serve de nada só te prejudica no sentido em que perdes a prática e a resistência ao Stress.

Boa sorte!
Existe pessoas que conseguem superar estes estados, mas o estigma provocado pela doença é a maior causa que se terá de viver com ela.

O maior problemas será as recaidas, e que, após cada uma recaida, sofrerá em cada maior percentagem de sofrer uma próxima, após cada tratamento, e aqui terá de existir um acompanhamento ao doente ao longo da vida de modo a não sofrer de momentos depressivos profundos.

Definir prioridades e ponderamente, arranjar algo que te preencha e gostes, quando te sentires com capacidades, será um bom meio e uma terapêutica, que te poderá ajudar a superar isto.
 
Última edição:
Basicamente, comecei do 0 no inicio de 2005.

Resumindo a minha história:
- Em 2004, durante todo o ano, trabalhei quase até à exaustão psicológica.
- O meu dia de trabalho resumia-se a 16 horas de trabalho, em média.
- Tive horários das 08h às 04h.
- Devido a esse excesso de trabalho, perdi imenso peso. Já tinha familiares extremamente preocupados. Comecei mesmo a ter problemas de saúde.
- Apesar de tudo isto, consegui entrar na faculdade nesse ano, para estudar à noite. Comecei em Setembro 2004.
- Como no trabalho a pressão era imensa, e o reconhecimento era nulo, decidi pôr um ponto final e despedi-me em Outubro 2004.
- Também em Outubro, acabei definitivamente uma relação que andava "tremida".

Entre Novembro e Dezembro 2004, estabeleci objectivos credíveis, aclarei as ideias, dediquei-me à faculdade, comecei a fazer desporto e voltei a aproximar-me de amigos que tinha perdido algum contacto.

Uma semana após estar desempregado, fui convidado para trabalhar num novo projecto, através de um antigo colega de trabalho, a começar em Janeiro de 2005.

Neste momento, estou a acabar o meu curso, já fui convidado para trabalhar noutra empresa, e já atingi muitos dos meus objectivos.

Olhando para trás:
- A situação foi muito grave. Apesar de me sentir esgotado, motivei-me a mim mesmo a dizer que tudo ia melhorar.
- Falem com amigos sérios, com familiares e peçam opiniões. Mas a decisão final é sempre vossa.
- Estabeleçam objectivos de vida.
- Façam desporto, hobies, leiam livros, etc.. para desanuviar a cabeça.
- Mentalizem-se que a mudança pode ser dificil, mas alarga os vossos horizontes.
 
Não queria abrir um outro tópico e resolvi pegar neste. Acho q serve para o pretendido.

Passa-se por certas experiências na vida em que somos forçosamente obrigados a começar de novo. Refiro-me, por ex., a um divórcio em q nos apercebemos q aquela pessoa não é a q queríamos para os nossos objectivos de vida. Outros casos há em q, embora não queiramos, a vida faz com q tenhamos q começar do zero. A questão aqui é o tempo q demora a estarmos preparados para tal, se é q se consegue estar preparado. Até q ponto é q o passado nos condiciona a vivência do futuro?
 
Acho que os planos da vida pessoal e da vida profissional por ex. devem estar em diferentes patamares. Eu penso desta maneira, hoje podemos estar a viver com alguém mas de um momento para o outro podemos nos confrontar com uma separação. Depois depende da capacidade de nos recompormos mentalmente, esta fase poderá ser mais ou menos complicada, claro. É seguir caminho. Nos planos de uma vida a dois tento sempre salvaguardar o que é meu e os projectos que posso realizar sozinho no futuro, pois não sabemos o dia de amanhâ.
 
E qdo a separação é forçada? Tipo por viuvez? É algo q nunca se deseja e com o qual é extremamente difícil lidar. Então qdo a relação q se tinha era a idealizada... No entanto, chega-se a um ponto em q se parece ficar adormecido no passado. Mesmo q seja o q mais se quer até certa altura, a determinada altura sente-se q, apesar de não se poder passar um borracha no passado, "faz mal" viver com base em recordações. Por mto q se queria seguir em frente não se consegue :(
 
É engraçado o desenterranço deste tópico, dado que intervi no mesmo à quase 3 anos (faltam 2 meses). E a minha vida já deu umas quantas voltas neste tempo que passou... [:D]

De momento o que mais quero é recomeçar do ZERO. Sair daqui para fora é a minha prioridade principal para ter um novo rumo profissionalmente.

O resto não me faz confusão (estar longe da família e amigos), também para isso existe o Skype e afins!! [:D] E agrada-me a possibilidade de conhecer novas pessoas e culturas, não no sentido de substituir os meus verdadeiros amigos, esses são únicos, mas a vida também se torna enfadonha quando estamos sempre rodeados pelas mesmas pessoas e com as mesmas rotinas... [;)]
 
E qdo a separação é forçada? Tipo por viuvez? É algo q nunca se deseja e com o qual é extremamente difícil lidar. Então qdo a relação q se tinha era a idealizada... No entanto, chega-se a um ponto em q se parece ficar adormecido no passado. Mesmo q seja o q mais se quer até certa altura, a determinada altura sente-se q, apesar de não se poder passar um borracha no passado, "faz mal" viver com base em recordações. Por mto q se queria seguir em frente não se consegue :(

Só te posso recomendar isto:
- Não perder o contacto com amigos, mas aqueles amigos com quem podem falar à vontade, ou mesmo com familiares próximos.
- Estabeleçam objectivos de vida.
- Façam desporto, hobbies, leiam livros, voluntariado, etc.. para desanuviar a cabeça (ou tentar manter a cabeça o mais ocupada possível).
- Mentalizem-se que a mudança pode ser dificil, mas alarga os vossos horizontes.
- Se possível (e se houver condições financeiras para tal), faz uma viagem lá fora, nem que seja apenas uma semana, a um sitio completamente diferente, que gostassem de conhecer...
 
Bom Topic

Já recomecei do 0 (profissionalmente falando) 2 vezes, ou seja sair concreto sem nada à espera.

Actualmente sou dono da minha vida profissional e subsisto com o mínimo de conforto.

Sentimentalmente considero mais difícil recomeçar do Zero, nomeadamente para relações de partilha de vida.
 
Não queria abrir um outro tópico e resolvi pegar neste. Acho q serve para o pretendido.

Passa-se por certas experiências na vida em que somos forçosamente obrigados a começar de novo. Refiro-me, por ex., a um divórcio em q nos apercebemos q aquela pessoa não é a q queríamos para os nossos objectivos de vida. Outros casos há em q, embora não queiramos, a vida faz com q tenhamos q começar do zero. A questão aqui é o tempo q demora a estarmos preparados para tal, se é q se consegue estar preparado. Até q ponto é q o passado nos condiciona a vivência do futuro?


Até ao ponto que deixarmos. Tão idiota é o que vive agarrado ao passado como o que só pensa no futuro. A vida obedece a um equilibrio. O passado serve para aprendermos com ele e para retirarmos o que for proveitoso para que quem somos, o que somos e o que queremos ser seja melhor perceptível. É também o que nos moldou. Está imutável, mas o futuro não. O futuro é o espaço onde idealizamos o que queremos vir a ser, ter e fazer, mas também não é garantido. É ilusório e efémero, portanto é algo que deve ser planeado mas não visto como pré-definido e que "será assim".

Em termos de relacionamentos, o passado serve para te aperceberes de certas coisas que poderás eventualmente corrigir, no entanto, uma nova relação com outra pessoa é precisamente isso, algo novo, portanto o que resultou ou falhou pode ou não aplicar-se. O que não devemos nunca - apesar de ser difícil - é culpar à partida e condicionar a pessoa nova em função da anterior, quer para o que consideramos bom, quer o que consideramos mau.
 
Nunca recomecei do zero, embora pense que por pior que seja, nunca se recomeça do zero. A experiência passada de alguma coisa deve servir, mais não seja para não fazer os mesmos erros.
 
Até ao ponto que deixarmos. Tão idiota é o que vive agarrado ao passado como o que só pensa no futuro. A vida obedece a um equilibrio. O passado serve para aprendermos com ele e para retirarmos o que for proveitoso para que quem somos, o que somos e o que queremos ser seja melhor perceptível. É também o que nos moldou. Está imutável, mas o futuro não. O futuro é o espaço onde idealizamos o que queremos vir a ser, ter e fazer, mas também não é garantido. É ilusório e efémero, portanto é algo que deve ser planeado mas não visto como pré-definido e que "será assim".

Em termos de relacionamentos, o passado serve para te aperceberes de certas coisas que poderás eventualmente corrigir, no entanto, uma nova relação com outra pessoa é precisamente isso, algo novo, portanto o que resultou ou falhou pode ou não aplicar-se. O que não devemos nunca - apesar de ser difícil - é culpar à partida e condicionar a pessoa nova em função da anterior, quer para o que consideramos bom, quer o que consideramos mau.

Então e quando se sente falta dum novo relacionamento mas pura e simplesmente não se consegue? É o q se passa comigo. Fico sempre a pensar q estou a enganar duas pessoas!

Tive um relacionamento mto feliz e q posso dizer q estaria perto do ideal. No entanto, a minha mulher adoeceu e faleceu cedo demais. Doença oncológica. Passo a vida a ajudar os outros a ter melhores condições de saúde e sempre me senti culpado por não a ter conseguido ajudar. Pode parecer estúpido mas vivo com um sentimento de culpa enorme.
 
Então e quando se sente falta dum novo relacionamento mas pura e simplesmente não se consegue? É o q se passa comigo. Fico sempre a pensar q estou a enganar duas pessoas!

Tive um relacionamento mto feliz e q posso dizer q estaria perto do ideal. No entanto, a minha mulher adoeceu e faleceu cedo demais. Doença oncológica. Passo a vida a ajudar os outros a ter melhores condições de saúde e sempre me senti culpado por não a ter conseguido ajudar. Pode parecer estúpido mas vivo com um sentimento de culpa enorme.

Claro que não é estúpido, é normal. Mas, tu tens de conseguir chegar à conclusão que há coisas que estão para além das capacidades de qualquer pessoa. A morte é inevitável e a sua ocorrência incontrolável. Por vezes parece-nos que não, primeiro porque não queremos aceitar tal aleatoriedade e depois porque vemos, ouvimos e conhecemos casos de pessoas que se salvam das mais variadas situações onde parece haver morte certa ou iminente. Mas em todas essas ocasiões há apenas um adiar. Nada disto significa que doa menos perder alguém de quem se gosta, mas aceitar é um primeiro passo necessário. Tentar compreender também não vale a pena porque está para além da nossa capacidade de compreensão; as nossas emoções ainda são aquilo que mais nos define. Por muito racionais que sejamos o lado emocional quando explode ganha sempre.

Não sei há quanto tempo estás assim, mas percebo o que dizes no primeiro parágrafo. Parte de ti quer seguir em frente, mas não sabes bem como. Penso que terás medo de que possa acontecer de novo, que terás medo de encontrar felicidade como se isso fosse de certa forma trair a memória da tua mulher, que terás medo de sofrer, de um modo geral. Não sei, cabe-te a ti ponderar e analisar o que sentes mesmo.
Acho que enquanto não conseguires identificar exactamente o que te leva a não avançar, não conseguirás mesmo porque inconscientemente irás sempre criar barreiras e obstáculos.
E não vou estar aqui a fingir que sei o que sentes, até porque mesmo em situações semelhantes as pessoas não reagem todas da mesma maneira, e aquilo por que passaste eu não passei, mas não podes hipotecar todo o teu futuro em função de uma memória, por melhor que ela seja. Até duvido que isso fosse coisa que a tua mulher quisesse.
 
Claro que não é estúpido, é normal. Mas, tu tens de conseguir chegar à conclusão que há coisas que estão para além das capacidades de qualquer pessoa. A morte é inevitável e a sua ocorrência incontrolável. Por vezes parece-nos que não, primeiro porque não queremos aceitar tal aleatoriedade e depois porque vemos, ouvimos e conhecemos casos de pessoas que se salvam das mais variadas situações onde parece haver morte certa ou iminente. Mas em todas essas ocasiões há apenas um adiar. Nada disto significa que doa menos perder alguém de quem se gosta, mas aceitar é um primeiro passo necessário. Tentar compreender também não vale a pena porque está para além da nossa capacidade de compreensão; as nossas emoções ainda são aquilo que mais nos define. Por muito racionais que sejamos o lado emocional quando explode ganha sempre.

Não sei há quanto tempo estás assim, mas percebo o que dizes no primeiro parágrafo. Parte de ti quer seguir em frente, mas não sabes bem como. Penso que terás medo de que possa acontecer de novo, que terás medo de encontrar felicidade como se isso fosse de certa forma trair a memória da tua mulher, que terás medo de sofrer, de um modo geral. Não sei, cabe-te a ti ponderar e analisar o que sentes mesmo.
Acho que enquanto não conseguires identificar exactamente o que te leva a não avançar, não conseguirás mesmo porque inconscientemente irás sempre criar barreiras e obstáculos.
E não vou estar aqui a fingir que sei o que sentes, até porque mesmo em situações semelhantes as pessoas não reagem todas da mesma maneira, e aquilo por que passaste eu não passei, mas não podes hipotecar todo o teu futuro em função de uma memória, por melhor que ela seja. Até duvido que isso fosse coisa que a tua mulher quisesse.

Estou assim há 2 anos. Com 2 filhos, um deles no pico da adolescência.

Dediquei-me ao trabalho e à família e sempre disse que iria "proteger" os meus filhos duma outra pessoa. Pq sei que nenhuma outra mulher chegará aos pés dela, seja em q sentido for. Tb não consigo "cortar" os objectivos de vida de outra pessoa, ainda por cima qdo passam pela maternidade e é ponto assente que fechei a loja. Portanto, o que penso no meio de tudo isto é que não tenho o direito de moldar as decisões dos outros com base nas minhas. Isso e um grande sentimento de culpa creio que são os motivos de não ter saído deste impasse.
 
Fizeste bem.

Em que zona é que estás? [;)]

Vancouver.

Proximo passo é tirar um cursozinho de 5 meses (começa em Maio), fazer um part-time no entretanto e em 2013 ver se consigo aliar a educação que trouxe daí mais a desse curso para aos poucos ver se consigo algo melhor. Reconhecerem aqui os diplomas portugueses foi muito mais complicado e caro do que pensava, por isso vou deixar isso para quando estiver mais estabelecido economicamente.

Até agora há algumas diferenças culturais. Outras coisas são muito parecidos como em Portugal. O atendimento em qualquer lugar é muito mais simpático do que em Portugal. Alias encontrar trabalho aqui é muito mais fácil. Falar com um gerente de qualquer lugar para perguntar se há alguma vaga para fazer umas horitas ou para um part-time é muito mais fácil do que quando andei à procura de trabalho em Portugal. Pode haver um não mas é dado com uma explicação e não num tom crítico como parece ser o método generalizado conforme a experiência que eu tive.

Por vezes fico a pensar que as coisas são mais caras mas se for fazer a convergência euros/dólares canadianos, a maioria das coisas fica ela por ela. Também tem que se saber onde comprar. Como exemplo,há supermercados pequenos que conseguem vender uma libra de bróculos por 69 cêntimos e a 100 metros de distância outra vender a 79. Mas ninguém se queixa da concorrência.

Impressionante como para arranjar qualquer tipo de trabalho é preciso um certificado qualquer pago por nós, nem que seja com um dia de formação. Em Portugal estava a ficar assim e se formos pela bitola daqui prevejo o mesmo daqui a uns anos.

Ter um automóvel aqui sem ter um emprego é um suicídio económico. Todos os custos envolventes são muito mais caros do que em Portugal, especialmente seguros e estacionamento. Vá lá que dentro da cidade não me posso queixar, a rede de transportes é excelente. E para quem se queixa dos meninos da farda, aqui conseguem ser muito piores a passar multas!

Noitadas são muito mais caras. Infelizmente tenho um orçamento apertado e não têm sido muitas, mas o que gasto aqui numa noite bem bebida, consigo gastar em 4 ou 5 noites em Portugal. O alcool é muito caro aqui, mesmo havendo cerveja e bebida branca canadiana. Mas mesmo assim as liquor stores tão sempre cheios e ao fim de semana então é um fartote.

Nos restaurantes no mínimo 10-15 % de gorjeta. Mas as companhias com quem tenho andado assim me têm "obrigado". Paga-se bem mas as doses são grandes! Pagar a conta do restaurante a meias quando se convida uma menina para sair também é mentira. Paga o macho e é se quiser que haja nem que seja o mínimo de actividade debaixo dos cobertores mais logo! [:D]

Muita chuva, algum frio (tem custado um pouco), 2 ou 3 dias de neve (chegaram a dizer que iria ser o Inverno mais frio desde há muitos anos, mas até agora nada). E pronto são 6 meses e picos disto e até agora não há grandes queixas. Vamos ver como vai ser daqui para frente.
 
Estou assim há 2 anos. Com 2 filhos, um deles no pico da adolescência.

Dediquei-me ao trabalho e à família e sempre disse que iria "proteger" os meus filhos duma outra pessoa. Pq sei que nenhuma outra mulher chegará aos pés dela, seja em q sentido for. Tb não consigo "cortar" os objectivos de vida de outra pessoa, ainda por cima qdo passam pela maternidade e é ponto assente que fechei a loja. Portanto, o que penso no meio de tudo isto é que não tenho o direito de moldar as decisões dos outros com base nas minhas. Isso e um grande sentimento de culpa creio que são os motivos de não ter saído deste impasse.

Dois anos ainda é pouco tempo. Pode parecer que não, mas é, e na tua situação específica (filhos) ainda menos tempo é. Se por um lado os filhos ajudam a que a pessoa (tu) continue com objectivos de levar a vida para a frente também por eles, por outro lado também eles estarão com carga emocional elevada e são, como é óbvio, uma constante memória do que perdeste e do que perderam, como família. Disso não há fuga, nem deve haver porque apesar da família estar diferente continua a ser a tua, a vossa família e partiu daquela base. Mas é aqui que entra o que te disse inicialmente de não ficarmos agarrados ao passado. Repara que tu já estás a catalogar uma futura pessoa com base no teu passado. A próxima pessoa não tem e não deve ser vista como "competindo" com a tua falecida mulher. Aquilo que nós sentimos por uma pessoa e o que vivemos com ela pode ser completamente diferente do que sentimos e vivemos com outra sem que uma seja melhor ou pior. Uma outra mulher não será a substituta da tua e a mãe dos teus filhos será sempre a tua falecida esposa. Nada disto invalida que tu e os teus filhos possam dar a hipótese a outra pessoa de fazer também parte das vossas vidas. Até hoje poderás não ter encontrado a pessoa que "encaixou", mas tens de te possibilitar a ti próprio a hipótese de deixar isso acontecer.
Tenta encarar isto com o seguinte exemplo: O teu segundo filho veio anular o primeiro, ou veio completar ainda mais as vossas vidas e trazer condicionantes (boas e más) novas?
E claro que não tens o direito de moldar os outros, mas na vida as coisas hoje são assim, amanhã são assado, por isso se te permitires a ti próprio um pequeno espaço, uma tentativa de arriscar e tentar ser feliz podes encontrar quem te faça sentir de outra forma porque aquilo que sentimos hoje também por vezes é muito diferente do que sentimos amanhã.
O sentimento de culpa é o mais complicado. Enquanto que as outras coisas que te disse dependem muito de factores e pessoas externas em sinergia contigo, o aceitares que não tens culpa absolutamente nenhuma depende só de ti. Mas tens de conseguir.
 
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