O percurso do outro:
Só foi apensado ao processo no dia 19 de Novembro de 2003
Neste Processo Individual constam dados biográficos de JPL e uma série de referências à sua passagem na CPL relatados pelos seus educadores, perceptores e psicólogos:
A adaptação de JPL à Casa Pia de Lisboa não é fácil. Referências às atitudes anti-sociais que envolvem este educando vêm de longa data. Começam em 1992. De Setembro de 1992 a Julho de 1993, o educando fugiu 18 vezes do Lar.
Em Setembro de 1992 as tendências de comportamentos perversos já se manifestavam.
Constam dos registos do Lar que o JPL, no Colégio Nuno Alvares, levava os colegas para os WC e obrigava-os a brincar com o seu órgão sexual.
Os anos que antecedem a sua expulsão, de Janeiro de 1998 a Março de 2000 encontram-se registados pelos Educadores
1998
Janeiro -O educando obrigava ou ele próprio baixava as calças às raparigas para as ver despidas, apalpando-as seguidamente;
Março - O educando roubou sucessivamente três telemóveis de professoras;
Abril - O educando roubou uns Walkmans a um grupo de jovens que visitou o Colégio;
Maio - O educando furta um boné em Belém;
Junho - O educando foge do Lar. No mesmo mês, trata com agressividade e malcriadamente os educadores afirmando que ninguém manda nele;
Julho - O educando foge do Lar e temporariamente esteve ausente (do Lar e das aulas);
Agosto - O educando vai passar uns dias com a tia roubando-lhe coisas para posteriormente vender;
1999
Fevereiro - O educando é mal-educado para com o monitor e tenta agredi-lo;
Abril - O educando arromba uma porta de uma sala de aulas para furtar e foi mal-educado com o funcionário que o apanhou;
Maio - O educando foge do Lar durante a noite e vai ter com o irmão mais velho que é homossexual;
Junho - O educando foge de novo do Lar e vai refugiar-se no Casal Ventoso;
Julho - O educando furta do Lar Gil Teixeira Lopes uma bicicleta e uns ténis a um colega;
Agosto - O educando leva para casa da tia vários toxicodependentes que a levaram a solicitar a intervenção da polícia;
Setembro - O educando furta do Colégio 8.000$00;
Novembro - O educando participa numa agressão colectiva a um colega;
2000
Janeiro - O educando fecha uma professora na sala de aulas e é agressivo para com o funcionário que intervém em sua ajuda;
Fevereiro - O educando pede ao Educador de serviço para sair, este não o autoriza, o
João foge do Lar e só aparece à noite. Em reunião do conselho de turma todos os intervenientes afirmam que não podem aturá-lo, que não conseguem cumprir a sua missão pelos sucessivos conflitos.
Fevereiro - Assume ter relações sexuais com um homossexual a troco de 5.000$00. O educador de serviço tenta saber mais informações sobre esta situação e recebe como resposta agressividade batendo-lhe com a porta do seu quarto com violência. O educador abre a porta e repreende-o. Contudo, o João utilizando palavrões ofende o educador que lhe dá um abanão. O educando, foi participar do educador à polícia que se deslocou ao Colégio para identificar o educador e proceder à respectiva participação.
Março - O educando molesta uma senhora em Belém e tenta agredir o marido da senhora. Esta situação mereceu a intervenção da polícia que se desloca ao Colégio para identificar o JPL e proceder ao levantamento de auto de averiguações.
É apanhado com droga dentro do Colégio e no processo de expulsão de JPL pode ler-se que o mesmo tem "comportamentos infames características de um delinquente altamente perigoso nas suas relações com os restantes educandos (...) Nem um acto de arrependimento, nem um gesto de compreensão pelo empenhamento e apoio que lhe tem sido prestado pelos profissionais do Colégio. Reagiu como um pequeno marginal. Ameaçando, na presença da educadora, o director do Colégio, afirmando, "se me denuncia eu mando tratar de si.""
Em conclusão, sobre JPL, o director escreve que entende ser "altamente perigoso para a saudabilidade dos cerca de 1500 jovens que estão à nossa responsabilidade, mantê-lo na instituição."