Afinal o homem também tem medo
Afinal o homem também tem medo
Sócrates questiona legalidade das escutas à conversa com Vara
José Sócrates disse hoje que o caso das escutas “está a passar todas as marcas” e questionou se é legal, num estado de direito, ter sido escutado durante meses a fio. Por isso aguarda do esclarecimento de Pinto Monteiro.
Em declarações aos jornalistas, Sócrates afirmou que “o que é importante saber” é se “durante meses a fio fui escutado e se isso é possível num estado de direito”.
Repetiu que o facto de o caso “Face Oculta” envolver um amigo seu o deixa “muito triste”, mas que a investigação ao processo “merece ser apoiado pelas entidades públicas” e que o combate à corrupção deve ser reforçado.
Contudo, “outra coisa é saber se durante meses a fio” foram realizadas escutas ao primeiro-ministro, se estas foram “legais e se é possível fazê-las num estado de direito”.
O Procurador Geral da República prometeu revelar na próxima semana se as escutas ao primeiro-ministro são ao não legais, sendo que esta matéria divide os especialistas, uma vez que o novo Código Penal diz que para serem realizadas escutas a um primeiro-ministro, estas têm que ser aprovadas previamente por um juiz.
“Estou à espera que alguém diga que são verdadeiras”, disse Sócrates, desejando que o procurador Pinto Monteiro “nos possa esclarecer a todos”.
Afirmando que este caso das escutas sobre as conversas que manteve com Armando Vara “está a passar todas as marcas”, o primeiro-ministro diz não aceitar “a ditadura de as tornar públicas”, reforçando que são “do domínio privado”.
"Era só o que faltava que agora me pusesse a comentar conversas que tive com pessoas amigas ao telefone e, principalmente, as versões que um jornal diz que eu tive nessas conversas", afirmou, depois de ter negado a notícia do “Sol”, que avançou que Sócrates mentiu no Parlamento quando disse desconhecer o negócio entre a PT e a TVI.
in:
Jornal de Negócios Online