No computo geral a ideia que fica é que o Linux é um sistema altamente modular e portanto pode ser muito eficiente adaptá-lo para resolver soluções muito concretas. Não será à toa que é tão utilizado como base para tantas coisas, desde sistemas operativos móveis e computadores de bordo nos automóveis, boxes de TV, etc. Isso e o facto de ser grátis, obviamente.
Mas enquanto SO de desktop julgo que se depara com muitos problemas, porque há milhentas configurações de hardware, os fabricantes estão constantemente a implementar novas soluções, e claro, deve ser muito difícil acompanhar as coisas quando são os próprios fabricantes a não colaborar. E aí concordo plenamente com o Bolide quando diz que os fabricantes não perdem tempo com um SO que só tem 2% de quota de mercado nos desktops. A qualidade não é para aqui chamada, nem o Bolide se referiu a isso. A questão deve ser em boa parte económica. Os fabricantes de componentes perguntam-se: devemos aplicar tempo e dinheiro para desenvolver soluções para 2% do mercado? E esses 2% quanto lucro geram? É que podia dar-se o caso de ser tipo Apple, em que o retorno por Cliente é elevado, mas desconfio que isso não se passará no Linux nem de perto nem de longe.
Do ponto de vista de experiência de utilização, estas distros que experimentei transmitem-me muito a ideia de serem um grande estaleiro onde tudo está constantemente em obras, com muitas equipas autónomas a trabalhar, mas sem grande coordenação.
No meio disto tudo o que me chateia mesmo é ser quase obrigado a ir para o Windows por razões de produtividade (get things done), sabendo que vou ter que aturar anti-virus, anti-trojans, anti-malware, que vou ter de andar de olho na fragmentação do disco, enfim, aquelas coisas que sabemos.
Não são 2% de quota de mercado.
São 2% dos computadores pessoais - leia-se, que as pessoas normais usam.
O hardware não é usado apenas em contexto dos computadores pessoais.
Em termos profissionais, a quota de mercado do Linux é muito superior.
https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_Linux_adopters
https://en.wikipedia.org/wiki/Linux_adoption
Em termos de administração pública a tendência é que o Linux venha a ser o
mais usado em desktops/laptops.
Alguns exemplos:
Switching to Linux saves Munich over
IDABC - FR: 'Members of Parliament have easily adapted to Open Source
https://joinup.ec.europa.eu/news/fr-gendarmerie-saves-millions-open-desktop-and-web-applications
https://joinup.ec.europa.eu/community/osor/news/open-source-only-dutch-police-internet-forensics
TN state departments asked to switch over to open source software - The Hindu
To the space station and beyond with Linux | ZDNet
O problema é que estes "não contam para as estatísticas"...
Ou seja...
Há essencialmente dois modos de conhecer o mercado que cada solução tem:
- vendas
- acessos web
Ora, o Linux não é vendido, pelo que dificilmente se sabe por aqui a sua quota
de mercado efectiva.
E pelos acessos web também é difícil saber. Muito provavelmente a maioria dos
desktops Linux usados nestes tipos de ambientes profissionais (principalmente
os da administração pública) não têm acesso à Internet (via browser).
Portanto, não é por uma questão de falta de mercado para os fabricantes de
hardware. Trata-se é de um mercado que não lhes interessa. Quem é que compra
uma NVIDIA para trabalhar? Só se for um nicho de mercado mesmo muito
específico, porque a maioria dos gajos que trabalha em coisas ligadas a grafismos
normalmente usa Mac. A maioria das vendas das placas NVIDIA é para quem
pretende jogar.
Tanto é verdade que o Linux é muito mais usado profissionalmente, que os
computadores com melhor suporte de hardware são precisamente as máquinas
profissionais.
Nomeadamente: DELL e LENOVO
Ubuntu Desktop certified hardware | Ubuntu
E ainda mais que isso: ver impressoras.
As impressoras são fundamentais nos ambientes profissionais. Como tal, é muito
fácil ver disponíveis os drivers para Linux nos sites das próprias marcas de
impressoras.
Ou seja... resumindo...
Se essa cena do "mercado pequeno" de "apenas 2% nos desktops" fosse verdade,
então não seriam apenas as marcas das gráficas de jogos a terem problemas com
o Linux. Do mesmo modo, pela mesma linha de pensamento, se a quota de mercado
de um produto fosse justificação para tudo, o Windows Phone não teria aplicações
nenhumas.
Não tem a ver com a quota de mercado do Linux, tem a ver com o mercado dos
fabricantes.
Do mesmo modo que não tem a ver com a quota de mercado do Windows Phone,
tem a ver com o mercado dos produtores de aplicações.
Tal como a quota pequena do BlackBerry nunca impediu de ter aplicações aos
pontapés... destinadas a profissionais.
Outro exemplo, da própria NVIDIA:
https://en.wikipedia.org/wiki/Nvidia
In addition to GPU manufacturing, Nvidia provides parallel processing capabilities to researchers and scientists that allow them to efficiently run high-performance applications. They are deployed in supercomputing sites around the world.
E os super-computadores correm o quê?
Exacto: LINUX!
https://en.wikipedia.org/wiki/Supercomputer_operating_systems
Since the end of the 20th century, supercomputer operating systems have undergone major transformations, as fundamental changes have taken place in supercomputer architecture.[SUP][1][/SUP] While early operating systems were custom tailored to each supercomputer to gain speed, the trend has been to move away from in-house operating systems to the adaptation of generic software such as Linux.
https://en.wikipedia.org/wiki/Usage_share_of_operating_systems#Supercomputers
[TABLE="class: wikitable"]
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[TH="bgcolor: #F2F2F2, align: center"]Source[/TH]
[TH="bgcolor: #F2F2F2, align: center"]Date[/TH]
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Linux[/TH]
[TH="bgcolor: #F2F2F2, align: center"]
Unix[/TH]
[TH="bgcolor: #F2F2F2, align: center"]Mixed[/TH]
[TH="bgcolor: #F2F2F2, align: center"]
Microsoft Windows[/TH]
[TH="bgcolor: #F2F2F2, align: center"]
BSD based[/TH]
[TH="bgcolor: #F2F2F2, align: center"]References[/TH]
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[TD]TOP500[/TD]
[TD]November 2013[/TD]
[TD]Systems share[/TD]
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[33][/SUP][/TD]
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[TR]
[TD]TOP500[/TD]
[TD]November 2013[/TD]
[TD]Performance share[/TD]
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[TD][SUP]
[33][/SUP][/TD]
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Portanto, não tem a ver com a pseudo-quota de 2% do Linux nos desktops.
Tem a ver com a provável quota de 0,0000000001% do Linux nos... JOGOS!!!