Quando entrei na faculdade era meio atadinho. Do que me recordo, na altura tinha uma ideia obscura do que era a praxe, cheia de mitos que já foram aqui referidos.
Cheguei lá no 1º dia, estava a espera para me inscrever e apareceu um tipo que berrou uma pergunta ao meu ouvido. Olhei para ele e novamente levei um berro porque pelos vistos tinha de olhar para o chão. Pensei se seria aquilo seria a famosa praxe ou se era apenas uma exigência de submissão ridícula por um tipo vestido de pinguim. Mantive o contacto visual, já que, com 17 anos, tinha bem à flor da pele a educação de líder, não de escravo. Não gostou e voltou a berrar uma qualquer ordem. Como continuei a manter o contacto visual, teve de mobilizar e lá foi chamar uns amigos, já que prepotência singular não o estava a levar a lado nenhum.
É este minuto e meio a minha experiência de praxe. Nunca comprei aquele fato ridículo nem participei em sessões de maus tratos. Todavia fiz imensos amigos na faculdade, ajudei caloiros, trucidei gajas [

], tive acesso a inúmeras sebentas e exames e nunca me foi barrado o acesso a nada. Foram anos de luxo!
A parte mais gira é que o tipo hoje trabalha para mim.
Agora até me ri ao ler este post, principalmente a última frase[

]
Eu participei na praxe no primeiro ano da faculdade, mas nunca dei demasiada importância àquilo e nem sequer fui a todas as sessões (apenas à semana de recepção do caloiro, que incluía diversas actividades na cidade).
Não vejo a praxe como algo negativo, pois ela pode ser benéfica em alguns aspectos, como ajudar na integração, conhecer colegas e pessoas novas, etc...
No entanto, eu nunca me identifiquei muito com a praxe e nem sequer comprei o traje na altura, por não achar muita piada à submissão imposta aos caloiros, a algumas "brincadeiras", etc...
Também não me imagino nunca a praxar ninguém.
E de facto há muitas outras maneiras de se conhecerem pessoas e de nos integrarmos.
Eu tenho vários amigos na faculdade e a grande maioria deles conheci-os fora da praxe.
Em termos de acesso a sebentas, etc... a praxe não influenciou minimamente, pois felizmente existe um óptimo espírito de partilha no meu ano em relação a material de estudo, etc...
E de facto não deixa de ser verdade que muitos (embora nem todos) que "vivem" para a praxe, são os que têm imensas cadeiras em atraso, passam a vida a beber em jantares, etc...
Essa não é de todo a minha maneira de ser.
Na minha opinião, temos de saber gerir o tempo da melhor maneira possível.
Posso não ter participado em muitas das actividades da praxe, mas acho que na altura aproveitei melhor o meu tempo livre a fazer coisas que gosto, do que a passá-lo em actividades da praxe e a submeter-me a fazer coisas que um "superior" impõe.
Não sei se será assim em todas as faculdades, mas pelo menos eu nunca senti que nenhum colega meu fosse posto de parte porque não participou em determinadas actividades da praxe.
Apesar disso, não assumo propriamente uma posição "anti-praxe" e até acho que as pessoas devem participar, pois é uma experiência diferente e muitos guardam excelentes recordações dos tempos que passaram como "caloiros"...
Eu próprio recordo bons momentos que passei lá (apesar de não ter sido muito tempo)...