O Desgoverno da Educação

Esta parte dos erros e das re-colocações está muito mal feita, principalmente pela parte do ministério pois as pessoas já se instalaram em novas escolas, muitos pagaram rendas e por aí fora...
Mas também acredito que hajam aí coisas mal contadas de ambos os lados...
 
Não era a Manuela Ferreira Leite, alias não são todos maus ministros? Atendendo ao curto periodo que conseguem aguentar no ministério sem cair, é de admirar que o Crato seja o pior. A memória é curta mas já houve inúmeros problemas no passado tanto com a colocação de professores, nova rede escolar, o magalhães etc, mas tudo isso já foi esquecido.



No privado faz-se uma petição e o prof vai embora de vez não vai para outra escolinha da rede ser escondido e ter a sua vidinha nem fica no quadro em casa a ganhar. No privado (sem acordos com o Estado) se não tiver clientes fecha a porta, no público cai logo o Carmo e a Trindade se qualquer coisa acontece.

As pessoas não acreditam no ensino público a partir do momento que passou a funcionar como centro de emprego para professores e deixou de ensinar alunos e principalmente por ser incapaz de oferecer um emprego a quem não quer ir para o ensino superior. A maioria dos alunos contentaria-se em acabar o secundário e poder trabalhar numa profissão, mas há claros interesses de quem está no ensino de empurrar o aluno para o superior, nunca houve tantos cursos como agora há, mas sobretudo, nunca o ensino formou tantos desempregados como actualmente! E o pior é que o mercado continua à procura de pessoas com skills que ninguém sabe fazer pois o ensino se recusa a ensinar as pessoas.

Os professores desacreditaram-se a si mesmos perante a sociedade ao longo dos anos, a partir do momento que a capa de noticias em tempo de crise é a luta politica contra os cortes e "por um ensino melhor" que ninguém sabe o que é nem explicam, focando-se essencialmente na premissa que melhores salários traduzem-se em melhor ensino, o que não é de todo verdade. Não vejo ninguém a dizer "é pá, vamos ver os outros modelos de ensino europeu, quem está no topo? A Finlândia? Vamos até lá e pedir depois que nos ajudem a melhorar e adaptar o sistema", pelo contrário, o que vejo é precisamente:

CGTP e companhia: "O nosso ensino não presta, faltam professores e capital, abaixo o Crato"
Público: Mas olhem que na Finlândia...
CGTP e companhia: "O nosso ensino é dos melhores, na Finlândia não é um mar de rosas, não precisamos de importar nenhum modelo, o nosso é adequado, queremos é melhores salários..."


E pronto graças a esta dicotomia e claros interesses nada funciona e as pessoas deixam de acreditar. Eu não tenho filhos mas optaria por pagar pelo privado pois já desde o tempo que andei no ensino deixei de acreditar no mesmo, desde que entrei para o 10º ano percebi que a escola me estava a usar para seu proveito, para me entreter com conteúdos, como se fosse um ATL e não para me ensinar uma qualquer profissão ou me abrir portas no mercado de trabalho.

Eu só irei acreditar no ensino público quando o modelo actual for completamente alterado e passar-se a preocupar com a ligação ao mercado de trabalho. Formar pessoas para a vida e para o mercado de trabalho. Basta de cultura geral!

Podes colocar um exemplo disso?

Mas a Finlândia é um bom exemplo de financiamento, tendo em conta que eles gastam o dobro de Portugal e tem metade dos alunos[:cool:]
 
As pessoas não acreditam no ensino público a partir do momento que passou a funcionar como centro de emprego para professores (...)

Não acreditam no Ensino Público, nem como alternativa vão dar crédito à Filosofia da Escola da Ponte. Só tem o que merecem.[:D]

Continuem a importar exemplo de lá de fora e como se isso fosse o suprassumo da razão e remendar a bota que vai mais que descalça.
 
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Podes colocar um exemplo disso?

Mas a Finlândia é um bom exemplo de financiamento, tendo em conta que eles gastam o dobro de Portugal e tem metade dos alunos[:cool:]

Está dado o exemplo, não é preciso ir buscar fora do fórum.
É aqui que está o problema, há sempre uma desculpa, nunca se visiona o modelo, procuram-se desculpas para não se fazer. Se a economia deles é superior e até nos sustentam, é natural que invistam mais, mas também é natural que a economia seja superior se o modelo de ensino está mais ligado ao mercado de trabalho... Não vale a pena criar uma descredibilização do modelo quando já existem estudos internacionais que sustentam o seu sucesso.
A questão não se prende com financiamento, prende-se sobretudo como é feito o investimento e se o modelo é adequado. Não adianta ter 20 mil milhões para investir se é para fazer mais do mesmo. Já tivemos mais financiamento disponível nos anos 90 e até pouco antes de 2008 e que mudou? Serviu para projectos megalómanos e construção de mais e mais infraestruturas, contribuindo para aumento da despesa, mas sem nunca resolver o mais importante que é: ensinar com seriedade, ensinar para oferecer aptidões válidas tanto para a vida como para trabalhar.

É muito simples alterar a forma como o financiamento é feito, complicado é fazer isso sem esbarrar em quintas e quintais.
 
Viva! Viva o pior ministro da educação da história de Portugal![:vm)]



É isto que não consigo entender. Se isto acontecesse num privado, era o fim do mundo! O planeta até começava a girar ao contrário... Como é no público é "deixa andar, viro-me para outro lado."

O que é que sugeres que se faça?
 
Expliquem-me:
Houve um concurso de professores-
Os professores foram colocados.
Descobriram-se erros.
Volta-se atras com as colocações para corrigir os erros.
E agora ha problemas e os directores não querem obedecer ao ministro.

É isto?
Diretores de escolas recusam cumprir ordem de Crato - Portugal - DN

1. Houve um concurso de professores baseado numa forma incorrecta e ilegal;
2. Professores, sindicatos e federações, alertaram para o erro e ilegalidade;
3. Crato afirmou que não havia erro e adiou o problema, assegurando ainda que nenhum professor já colocado seria despedido;
4. Os erros e ilegalidades foram provadas e o Crato pediu desculpa, tirando professores das escolas e organizando novo concurso;
5. Passado quase 1 mês do início do ano lectivo, há alunos sem professores e vai iniciar um novo concurso;

A postura dos directores é simples: querem professores. Estão fartos do circo. O MEC colocou lá a Maria para dar Inglês. Só que a Maria não podia ser colocada. Portanto a Maria deixou as suas turmas e agora vai entrar o Manuel para dar Inglês.

O que é que sugeres que se faça?

Simplesmente que as pessoas não aceitem o que se está a passar. Que protestem, que reclamem, que façam exercer os direitos dos seus filhos. Hoje o presidente da associação dos directores das escolas perguntava o que iria o ministério fazer face aos alunos que vão começar as aulas 1 mês depois e vão fazer os exames nacionais no mesmo dia... Onde andam os pais desses miúdos?
 
Não era a Manuela Ferreira Leite, alias não são todos maus ministros? Atendendo ao curto periodo que conseguem aguentar no ministério sem cair, é de admirar que o Crato seja o pior. A memória é curta mas já houve inúmeros problemas no passado tanto com a colocação de professores, nova rede escolar, o magalhães etc, mas tudo isso já foi esquecido.

A memória não é curta. O parque escolar, o Magalhães, entre outras coisas não foram esquecidas. Mas nenhum ministro rebentou com o ensino como este rebentou. Podemos (e devemos) criticar o esbanjamento de verbas públicas no parque escolar. Mas não nos esqueçamos que este ministro também esbanjou. Aliás, remodelou escolas e fechou-as. Assim como não nos podemos esquecer que foi este ministro que aumentou o número de alunos por turma de forma a diminuir professores por escola e aumentou as vagas para psicólogos nas escolas. Ou que foi este ministro que retirou dezenas e dezenas de professores de NEE e misturou tudo no mesmo saco. Entre outras.


No privado faz-se uma petição e o prof vai embora de vez não vai para outra escolinha da rede ser escondido e ter a sua vidinha nem fica no quadro em casa a ganhar. No privado (sem acordos com o Estado) se não tiver clientes fecha a porta, no público cai logo o Carmo e a Trindade se qualquer coisa acontece.

E o que tem isto a ver com o que se passa? É possível falar de educação sem o ataque aos professores? Todos nós, eu incluído, quero apenas os melhores professores no ensino público. Esta situação nada tem a ver com isso.

As pessoas não acreditam no ensino público a partir do momento que passou a funcionar como centro de emprego para professores e deixou de ensinar alunos e principalmente por ser incapaz de oferecer um emprego a quem não quer ir para o ensino superior. A maioria dos alunos contentaria-se em acabar o secundário e poder trabalhar numa profissão, mas há claros interesses de quem está no ensino de empurrar o aluno para o superior, nunca houve tantos cursos como agora há, mas sobretudo, nunca o ensino formou tantos desempregados como actualmente! E o pior é que o mercado continua à procura de pessoas com skills que ninguém sabe fazer pois o ensino se recusa a ensinar as pessoas.

Os professores desacreditaram-se a si mesmos perante a sociedade ao longo dos anos, a partir do momento que a capa de noticias em tempo de crise é a luta politica contra os cortes e "por um ensino melhor" que ninguém sabe o que é nem explicam, focando-se essencialmente na premissa que melhores salários traduzem-se em melhor ensino, o que não é de todo verdade. Não vejo ninguém a dizer "é pá, vamos ver os outros modelos de ensino europeu, quem está no topo? A Finlândia? Vamos até lá e pedir depois que nos ajudem a melhorar e adaptar o sistema", pelo contrário, o que vejo é precisamente:

Sempre disse que quando não se sabe o melhor é copiar por quem sabe. É a Finlândia? Seja! É Singapura? Seja! Estudem a questão, adaptem à nossa cultura e sociedade e bota pra frente!!
Não se esqueçam é que na Finlândia não há professores a trabalhar ilegalmente 10 anos no mesmo sítio ou a levar no corpo até chegar a uma cama do hospital.

CGTP e companhia: "O nosso ensino não presta, faltam professores e capital, abaixo o Crato"
Público: Mas olhem que na Finlândia...
CGTP e companhia: "O nosso ensino é dos melhores, na Finlândia não é um mar de rosas, não precisamos de importar nenhum modelo, o nosso é adequado, queremos é melhores salários..."

E a opinião da CGTP é a minha ou a tua?

E pronto graças a esta dicotomia e claros interesses nada funciona e as pessoas deixam de acreditar. Eu não tenho filhos mas optaria por pagar pelo privado pois já desde o tempo que andei no ensino deixei de acreditar no mesmo, desde que entrei para o 10º ano percebi que a escola me estava a usar para seu proveito, para me entreter com conteúdos, como se fosse um ATL e não para me ensinar uma qualquer profissão ou me abrir portas no mercado de trabalho.

Eu só irei acreditar no ensino público quando o modelo actual for completamente alterado e passar-se a preocupar com a ligação ao mercado de trabalho. Formar pessoas para a vida e para o mercado de trabalho. Basta de cultura geral!

Basta de cultura geral? Essa nem comento...

Claro que há interesses na educação. Um deles, os manuais escolares, tem servido para eu colocar aqui no fórum todos os anos para verbas que gastamos com isso. Outro, o lobby do ensino privado já foi divulgado na TVI, e agora temos o ministro que mais luta para o aumento desse mesmo lobby.
 
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Eu só irei acreditar no ensino público quando o modelo actual for completamente alterado e passar-se a preocupar com a ligação ao mercado de trabalho. Formar pessoas para a vida e para o mercado de trabalho. Basta de cultura geral!

Fantástico, finalmente alguém teve o desplante de colocar por escrito aquilo que muita gente já sabe como sendo o pensamento de uma franja da sociedade, a escola pública deverá apenas formar pedreiros e soldadores... Quem quiser ser na vida mais que isso deverá ir para o ensino privado [8b]
 
Fazendo um update.

A minha filha desde ontem, já tem professora - vamos ver até quando -, mas continuam a haver salas que não têm.

Na sexta-feira, três professores que estavam colocados e a dar aulas, desde o início do ano, foram ''notificados'' que na segunda-feira já não se apresentariam na escola.

Está instalado o caos.

Acho que se deveriam juntar as Associações de Pais, os professores, e outros que mais, e avançar com um processo judicial contra o Ministério da Educação, para que alguém fosse responsabilizado por este descalabro.

O Sr. Mário Nogueira, que segundo me disseram nunca fez nada na vida, não sei se é verdade ou não, deveria nesta altura pensar numa situação destas.

Aqui pelo concelho, e em outras zonas onde tenho família ou amigos, a informação é de que muitas crianças continuam sem professores.
 
Aqui pelo concelho, e em outras zonas onde tenho família ou amigos, a informação é de que muitas crianças continuam sem professores.

E apesar das constantes promessas que "é hoje" ou do "amanhã está resolvido" assim continuarão no mínimo até o início da próxima semana.

Agora fala-se de compensações. Se tivesse sido colocado e agora fosse dispensado colocava o MEC em tribunal. Assina-se um contrato até Junho e depois rasga-se? Até fico zonzo quando ouço aquelas histórias como a da professora que foi para o Algarve, matriculou os filhos, alugou casa para o ano lectivo, e agora ardeu. E vem o Crato dizer que vão para tribunal se quiserem? Bem mal fazem se não forem.

E quero ver quem vai pagar estas indemnizações... É o Crato?
 
É mau de mais... Por acaso sempre pensei que o tipo fosse o suprassumo da competência e afinal...

Pessoalmente só acho piada relembrar que, sem exceção, todas as pessoas que o conhecem pessoalmente logo que o nome dele foi anunciado para a educação me avisaram que eu ia ter uma desilusão.
 
Última edição:
Eu disse num outro tópico que este seria o pior de todos. Não sei se existirá alguém, além dos sonhadores, que discordará disso neste momento. Até comentadores da direita exigem a sua demissão.

E como se não chegasse toda a trampa que fez, muita dela ainda vai tresandar para o próximo a pegar na pasta. Não vai ser fácil, mas que venha o Tiririca![:D]:sh)
 
Boas,

Da competência do cRato já sabia que o homem pouco tinha. Aliás, dos blogs e do que escrevia na imprensa, era sempre a deitar abaixo a escola publica e a formação. Desde que lá está, consegui finalmente implodir a escola pública, levando os contribuintes a considerarem o ensino privado (a maioria das vezes de pior qualidade que o público) e a deixar de oferecer formação aos profissionais da educação. A falta de recursos nas escolas é notória, e se não fossem os cursos financiados pelo POPH, os meninos estariam em piores condições nas escolas.
A solução não passa pelos sindicatos, mas sim pela mobilização dos pais e encarregados de educação. Esses é que têm o poder de alterarem o rumo das coisas.
Já agora, a incompetência do ministério não é de agora, mas desde o tempo da especialista e finanças e educação Manuela Ferreira Leite.

PS - Por acaso conhecem a formação do ministro da educação e ciência':confused:
 
Se o crato é competente ou não, não sei. Segundo consta não é.

De qualquer forma isto dos professores descontentes não é nada de novo.

Há uns anos atrás no tempo do socrates enviaram autocarros cheios de profs para se manifestarem na Av da Liberdade em Lisboa.

QUando eu era puto nos anos 90 tambem ficava quer tempos sem ter professor, na primaria.

Seja como for e seja qual for o ministro, os profs nunca estão contentes, que é como quem diz estão sempre descontentes demais.

Se é com razão ? sem razão? acredito que haja as 2.

Mas após reuniões com professores e associação de pais, é preocupante saber que muitos profs só servem para denegrir esta classe, pagando o justo pelo pecador.

Muitos dizem, ou diziam " tenho plafond de 10 faltas injustificadas por ano e vou esgotá-las todas " e atenção diziam isto à frente dos pais, entre outras situações similares, de se estarem completamente a borrifar para a qualidade das aulas.
E muias vezes são estes os que mais reclamam.
 
Só posso dizer que tenho dois filhos, um na faculdade e outro no 12º ano, e em mais de 20 anos de prática nunca nenhum ano letivo começou tão mal como este começou. É que nem tem comparação.

Compreendo e respeito a questão dos professores mas o que naturalmente mais me preocupa e a rebaldaria a que o meu filho esta sujeito precisamente no ano em que vai entrar para a faculdade.
 
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