Karma da amante?

Fico à espera do bom exemplo desse caso. Concerteza que o haverá...



“Antes de mais nada devo deixar claro que não é um pedido de desculpas. Muito menos um enunciado de justificativas vãs, comum aos covardes ou àqueles que vivem preocupados em excesso com a opinião dos outros. Aos 71 anos, vivendo a hora do balanço de uma existência que é um sulco bem traçado e profundo, já não mais preciso, e nem devo, correr atrás de possíveis enganos. Vivo o momento em que as sombras já esclarecem e que as ausências são lindas expressões de perenidade e criação. Sombras e ausências podem ser tudo, ao passo que luzes e presenças confundem os mais precipitados, os mais jovens. Vivi com François 51 anos; estive com ele em muito desse tempo e me coloquei sempre. Há mulheres que não se colocam, embora estejam; que não se situam, embora componham o cenário da situação presumível. Uma vida de altos e baixos. Quando se vive assim em comum, cria-se uma solda e a consciência de que é preciso viver depressa. Concentrar talvez seja a palavra. Por isso tentei entendê-lo, relacionar-me com sua complexidade, com as variações de sua pessoa e não seu caráter... Quem entende ou, pelo menos luta para compreender as variações do outro, o ama realmente. E nunca poderá dizer que foi enganada ou que jamais enganou. Não nos enganamos, nos confundimos quando nos perdemos da identidade vital do parceiro, familiar ou irmão. Ou jamais os conhecemos. Quem não conhece, não tem enganos. Nas variações do outro, não cabe o apaziguador que destrói tudo antes do tempo em forma de tranquilidade. Uma relação a dois não deve ser apaziguada, mas vibrante, apaixonada, e não enfastiada. Nessa complexidade vi que meu marido era tão meu amante quando da política. Vi, também, que como um homem sensível poderia se enamorar, se encantar com outras pessoas, sem deixar de me amar. Achar que somos feitos para um único e fiel amor é hipocrisia, conformismo. É preciso admitir docemente que um ser humano é capaz de amar apaixonadamente alguém e depois, com o passar dos anos, amar de forma diferente. Não somos o centro amorável do mundo do outro. É preciso aceitar, também, outros amores que passam a fazer parte desse amor como mais uma gota d´água que se incorpora ao nosso lado. Aceitei a filha de meu marido e hoje recebo mensagens do mundo inteiro de filhos angustiados que me dizem “Obrigado por ter aberto um caminho. Meu pai vai morrer, mas eu não poderia ir ao enterro porque a mulher dele não aceitava”. É preciso viver sem mesquinhez, sem um sentido pequeno, lamacento, comum aos moralistas, aos caluniadores e aos paranóicos azedos que teimam em sujar tudo. Espero que as pessoas sejam generosas e amplas para compreender e amar seus parceiros em suas dúvidas, fragilidades, divisões e pequenas paixões. Isso é amar por inteiro e ter confiança em si mesmo.”

Carta aberta de Danielle Mitterrand, sobre a amante do marido
 
Última edição:
A Danielle esteve muito bem. Só a idade permite esta sabedoria...

Quanto ao Hollande, vem novamente trazer à luz do dia a questão da privacidade da vida privada dos políticos. Na falta de um pacto jornalístico (que aconteceu com Mitterrand na França e acontece com Portas em Portugal, por exemlo), a imprensa que faz estas coisas devia ser punida severamente...
 
Última edição:
A Danielle esteve muito bem. Só a idade permite esta sabedoria...

Quanto ao Hollande, vem novamente trazer à luz do dia a questão da privacidade da vida privada dos políticos. Na falta de um pacto jornalístico (que aconteceu com Mitterrand na França e acontece com Portas em Portugal, por exemlo), a imprensa que faz estas coisas devia ser punida severamente...

Esse tipo de pactos têm tendência a ser cada vez mais desrespeitados. O Sarkozy também já sofreu com a invasão da vida privada. O Chirac foi o último a ver as escapadelas protegidas pela imprensa.

O mesmo com as monarquias. Há 50 anos era impensável expôr um membro de uma família real. Estavam acima da imprensa sensacionalista.
 
Esse tipo de pactos têm tendência a ser cada vez mais desrespeitados. O Sarkozy também já sofreu com a invasão da vida privada. O Chirac foi o último a ver as escapadelas protegidas pela imprensa.

O mesmo com as monarquias. Há 50 anos era impensável expôr um membro de uma família real. Estavam acima da imprensa sensacionalista.

E então? Não terão também os políticos de se adaptar às condicionantes do que é ter um legar de destaque na vida pública e social de um país? Não quero dizer que vivam para as revistas ou que tenham que fazer comunicados a propósito dos sapatos última moda que usam, mas se até o Papa tem Twitter e usa essa via para comunicar com os "Fãs", porque é que um ministro tem que estranhar assim tanto este interesse pela sua vida privada?
 
E então? Não terão também os políticos de se adaptar às condicionantes do que é ter um legar de destaque na vida pública e social de um país? Não quero dizer que vivam para as revistas ou que tenham que fazer comunicados a propósito dos sapatos última moda que usam, mas se até o Papa tem Twitter e usa essa via para comunicar com os "Fãs", porque é que um ministro tem que estranhar assim tanto este interesse pela sua vida privada?

Eu não disse se achava bem ou mal, apenas referi a mudança.
 
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