Excalibur
Banido
Após 6 anos de cárcere pelos seus raptores das FARC, Ingrid Betancourt foi libertada.
[Corrosive MODE ON]
Sobre as FARC ...
[Corrosive MODE OFF]
Ingrid Betancourt reúne-se com a família ao fim de 6 anos
![]()
Ingrid Betancourt já esta em companhia da família, depois de seis anos em cativeiro na selva colombiana. Foi o reencontro pelo qual esperou mais de seis anos.
Após seis longos anos de penosa espera Ingrid Betancourt reuniu-se esta quinta-feira com os seus filhos que viajaram de França para se encontrarem com a sua mãe.
“Este é o momento mais feliz da minha vida em que estou com os meus filhos”, disse entre lágrimas a ex-candidata presidencial no seu segundo dia de liberdade.
Melanie e Lorenzo chegaram na manhã desta quinta-feira acompanhados pelo seu pai num avião oficial enviado pelo Presidente Nicolas Sarcozy acompanhados de um conselheiro, Bernard Kouchner.
Não resistindo à espera, Ingrid logo que o avião parou no parque subiu as escadas e entrou na aeronave onde finalmente pode abraçar os filhos de quem esteve separada mais de seis anos.
Mais tarde, saiu do avião acompanhada pela sua família e enfrentou os jornalistas a quem disse, “o paraíso… é algo parecido com o que estou sentindo neste momento e dou graças a Deus por este momento tão belo”.
Abraçando os seus filhos e com algumas lágrimas escorrendo pelas faces Ingrid Betancourt realço que “são o meu orgulho, a minha razão de viver, a minha luz, a minha lua, as minhas estrelas… por eles consegui continuar a querer sair daquela selva para os voltar a ver”.
“Estou muito orgulhosa por eles, porque lutaram sós com a sua angústia de não estar comigo, batalharam, recorreram à sua personalidade, do fundo da sua alma e deram uma luta maravilhosa”, acrescentou a ex-refém dos guerrilheiros maoistas.
O apelo à reconciliação
Aproveitando o momento e o facto de ali ter os microfones da imprensa, Ingrid aproveitou para fazer um apelo aos Presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e do Equador, Rafael Correia, para que “nos ajudem a restabelecer vínculos de amizade, de fraternidade, de confiança com o Presidente Álvaro Uribe”.
Era uma clara referência ao esfriar das relações do presidente colombiano com o seu homologo Venezuelano e ao rompimento das relações de Rafael Correia com a Colômbia após a invasão de território equatoriano por tropas colombianas para atacar um acampamento das FARC
Betancourt salientou ainda que se está “numa etapa essencial para podermos vislumbrar novas libertações unilaterais”.
Defendeu que outros líderes regionais, como a Presidente da Argentina Cristina Fernandez, poderão ser convidados a participar nas mediações para obrigar a FARC a “abandonar a via do terrorismo” e aceitem entrar pela via da negociação da paz.
Ingrid Betancourt viaja ao fim da tarde desta quinta-feira para Paris, onde irá pessoalmente agradecer ao Presidente Sarkozy e ao povo francês a solidariedade demonstrada com ela e com os seus filhos durante o seu cativeiro.
Foi um militar também refém que manteve Ingrid Betancourt viva
Capitão do exército colombiano; William Perez, tem algumas noções de enfermagem por ter trabalhador no hospital militar em Bogotá, foi o anjo da guarda de Ingrid Betancourt a quem salvou a vida.
“Ele foi o meu enfermeiro nos momentos em que me encontrava pior da minha saúde. Eu devo-lhe um reconhecimento muito particular porque se eu não tivesse a ajuda do William eu não estaria aqui”, sublinhou emocionada Ingrid Betancourt após a sua libertação pelo exército colombiano.
Com 36 anos de idade, William Perez foi ele próprio raptado no dia 2 de Março de 1998 durante um assalto das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) contra o quartel de El Bilar no sul do país, no distrito de Caqueta.
“Ela estava muito fraca e eu tive de lhe ministrar muito soro, tratá-la com muito cuidado porque ela não conseguia engolir nada e vomitava tudo o que ingeria”, contou à comunicação social, o agora também, libertado militar colombiano.
“Eu ajudava-a a subir e a descer, pois ela já não tinha energia nem sequer para andar”, sublinhou o anjo de Ingrid Betancourt.
O militar conta que havia alturas em que os guerrilheiros tinham alguns medicamentos mas não sabiam utilizá-los e Perez ao dar-se conta desse facto passava pelo armazém para recolher medicamentos com que tratou a antiga candidata pelos verdes à Presidência da República.
“A guerrilha tinha medimaneots mas não sabia para que é que eles serviam”, disse.
“Algumas vezes Ingrid disse-me que queria morrer porque não via nenhuma saída para a situação. Ela estava muito doente. As provas de vida que viram e que escandalizaram o mundo datavam no entanto, de uma época em que Ingrid melhorava da sua saúde. Podem imaginar o estado em que ela se encontrava?”, concluiu o homem que durante longos meses lutou para salvar a vida daquela que era como ela uma refém dos guerrilheiros terroristas das FARC.
Não esquecer os que ficaram na selva
Na operação militar que libertou Ingrid Betancourt, foram também libertos dez militares e polícias que estiveram reféns da FARC durante mais de dez anos e foram obrigados a andar d um lado para o outro através da selva, sofrendo de paludismo e lechmaniose.
"Nós estamos muito doentes mas estamos de pé, porque voltámos à vida. Eu quero que os nossos companheiros que ficaram nas selvas saibam que o seu tempo de liberdade vai chegar, que nós esperamos por eles e trabalhamos para a sua libertação”, disse o tenente Raimundo Malagon, raptado em Agosto de 1998.
A operação militar
Membros das forças militares da Colômbia sob o disfarce de trabalhadores humanitários resgataram Ingrid Betancourt, de 46 anos, a refém mais importante das FARC, sequestrada em 2002 quando fazia campanha eleitoral como candidata à Presidência.
A operação de resgate decorreu na floresta do departamento de Guaviare, de acordo com o ministro da Defesa.
Os militares colombianos fingiram ser membros de uma organização fictícia conseguiram convencer os guerrilheiros maoistas que iria levar os reféns, na posse do movimento rebelde naquela área, de helicóptero a outro local, para um encontro aprazado com o actual líder das Farc, Alfonso Cano.
"Os helicópteros, que na realidade eram do Exército pegaram os reféns em Guaviare e os levaram à liberdade", afirmou Juan Manuel Santos, ministro da Defesa da Colômbia. Dois guerrilheiros foram capturados na operação.
"Essa foi uma acção sem precedentes", afirmou o ministro, numa conferência de imprensa dada na sede do Ministério da Defesa, em Bogotá. "Isso entrará na história por sua audácia e efectividade”.
As forças militares colombianas optaram por desencadear esta operação da qual não resultaram nem confrontações nem mortos no campo das FARC, com a expectativa partilhada pela liderança da Colômbia que as FARC aceitem o gesto como sendo de boa vontade e ponham fim a anos e anos de confrontos e raptos.
Estima-se que cerca de 3.000 pessoas estejam sob o poder de grupos insurgentes no país.
"A operação foi absolutamente impecável", disse Ingrid Bettancourt no momento da libertação. "Creio que é um sinal de paz para a Colômbia.
Eduardo Caetano, RTP
2008-07-03 18:07:09
[Corrosive MODE ON]
Sobre as FARC ...
[Corrosive MODE OFF]