Sobre esta luta, vou fazer uma apreciação com duas leituras: A primeira, olhando a F1 como sempre olhei, vendo disputas no braço, sem mariquices, sem interferência de terceiros.
Pois muito bem, sob este ponto de vista, olhando para os pilotos como tipos de barba rija, foi um grande espectáculo, foi aquilo que qualquer adepto da F1 espera ver em pista. O Schumacher apesar dos anos, soube tirar proveito da sua experiência e da velocidade que o seu Mercedes lhe dava como vantagem sobre Hamilton, defendendo-se heroicamente com pequenos excessos mas sem pôr em perigo o adversário. Vimos dpois pilotos de barba rija, embora um deles com a barba já a ficar grisalha. Mas foi um bom momento sem dúvida. É claro que o Hamilton saiu muito prejudicado desta luta porque atrasou-se irremediavelmente da luta pelo primeiro lugar, mas não há que apontar (desta vez) nada ao Schumacher que defendeu a posição dentro dos limites admissíveis.
A segunda leitura, e vista à luz dos novos regulamentos da FIA: Se nos recordarmos do chinfrim que houve neste fórum quando o Hamilton tentou sacudir o Petrov da sua traseira mudando a trajetória por duas vezes, tendo até, senão me engano, sido repreendido pelos comissários, não se percebe porque ontem não foi aplicado o mesmo critério ao Schumacher, tendo este mudado a trajectória várias vezes durante as voltas que demorou a luta entre ambos. E neste caso a mudança da trajetória do alemão, foi no sentido de tapar a passagem do Hamilton e não a de sacudir este da sua traseira. Os mesmo vícios do futebol. Para cada caso, um critério ao gosto do árbitro/comissário.
Bastar-me-ia apenas fazer o comentário à luz dos actuais regulamentos, mas quis também fazer sob o ponto de vista como eu sempre vi e gosto de ver a F1, até para realçar o contraste da aberração em que se está a tornar a F1, não só no aspecto regulamentar, como no aspecto disciplinar, que é, como se pode ver, de muito duvidosa imparcialidade.
E esta falta de imparcialidade, da qual Hamilton tem sido a grande vítima, está a dar os seus frutos aos responsáveis deste cenário, nas consequências do modo de pilotagem do Hamilton. De tanto malharem nele, está a notar-se no inglês algum receio na abordagem das ultrapassagens, e não só, porque até quando lhe batem por trás, atiram com as culpas nele, e o homem acaba por admitir as culpas só para que acabe o rebuliço em volta dele. Se disser que não é o culpado, a novela não pára, admitindo a culpa, os críticos f
icam todos contentes e mudam de conversa. è um pouco o que se passa nalguns processos judiciais: O réu mesmo que inocente, tem como única possibilidade em escapar a uma pena pesada, o de admitir a culpa. Ontem vi na pilotagem do Hamilton na luta com Schumacher, o medo de tocar no carro do alemão. Hamilton hoje corre limitado pelo medo de tocar no adversário, estando muito longe do piloto que sempre vi nele: Determinado. Basta ver a facilidade com que o Button passou pelo Schumacher, simplesmente porque Button corre livremente sem a pressão da guilhotina.
Para terminar, e ainda a propósito do esquecimento dos comissários na aplicação do actual regulamento no que toca à obstrução do adversário, que até já foi aplicado ao Hamilton (a quem havia de ser) e que o próprio Ross Brawn receou o pior quando mandou o Schumacher dar mais espaço ao Hamilton, eu fiz três perguntas no local próprio ao Luís Vasconcelos, se o esquecimento dos comissários se devia a uma de três questões: - Se era pelo respeito da idade do alemão. - Se era pelo prestígio dos sete títulos. - Se era por o Schumacher ser branco.
As duas primeiras ainda são admissíveis e quero crer que sejam essas as razões, embora antidesportivas.
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