Eutanásia

Inclino-me para que cada um, possa decidir, até onde quer que vá o «seu sofrimento»....

Outra questão será quem pode/deve ajudar «alguém» a morrer.
 
Este é um tema terrível. Se eu concordo com a perspectiva de uma pessoa poder entender que não quer viver a partir de um certo ponto, seja por sofrimento físico ou moral, ou por sentir que já não lhe resta dignidade, tenho um medo terrível do que pode acontecer em certos casos. Imaginem uma pessoa que ainda pode decidir, mas que se encontra fragilizada, a ser motivada, convencida, estimulada, aconselhada, a ir por essa via, seja porque a família se quer livrar dela, seja porque quem paga os tratamentos quer poupar dinheiro?

As pessoas doentes estão sempre vulneráveis; há que garantir que elas tenham o cuidado mais adequado e que lhes seja garantido todo o conforto e toda a dignidade que merecem.


Exactamente!
 
Tivessemos nós uma Rede de Cuidados Paliativos à altura das necessidades e muito provavelmente esta discussão não faria tanto sentido.

Morrer, não tem necessariamente que implicar sofrimento.....
 
Há uns séculos atrás esta questão nem se colocava

a natureza encarregava-se de acabar com o sofrimento

mas hoje mantém-se as pessoas ligadas a máquinas por tempo indeterminado, vejam o Sharon. Ele já estava morte há 6 anos, mais que morto
 
Não estamos a falar de uma solução amadora tipo "Olha dá-me um tiro." Isto está legislado nalguns países e é feito por pessoas estranhas ao indivíduo em causa, não por amigos ou familiares.

A ideia que aqui expressas, só reforça a minha posição, ou seja, não sei o que faria se, num contexto de Eutanasia, «tivesse» que matar alguém.

Nem sempre a nossa forma de pensar e agir, se mantém inalteravel perante as situações...
 
Há uns séculos atrás esta questão nem se colocava

a natureza encarregava-se de acabar com o sofrimento

mas hoje mantém-se as pessoas ligadas a máquinas por tempo indeterminado, vejam o Sharon. Ele já estava morte há 6 anos, mais que morto

Os países do Sul ainda têm uma visão muito religiosa da morte. O que interessa é ter o coração a bater e viver até aos 100 anos, seja em que circunstâncias for. Nos países germânicos há uma abordagem muito mais prática, no sentido em que só se justifica estar vivo na plenitude das capacidades.
 
Há uns séculos atrás esta questão nem se colocava

a natureza encarregava-se de acabar com o sofrimento

mas hoje mantém-se as pessoas ligadas a máquinas por tempo indeterminado, vejam o Sharon. Ele já estava morte há 6 anos, mais que morto

Já houve gente a acordar de um coma de mais de 6 anos! Aquele norte-americano Terry Wallis teve 19 anos em coma
 
tu achas que se fosse o doente ou a familia do doente havia pessoal ligado às maquinas mais que um mês? não sei ao certo quanto é o custo diário mas não deve ser nada barato



se querem que a pessoa se mantenha "viva" eram encaminhados para hospitais privados, o estado não deve ser uma instituição de caridade

Sustenta ciganos certo ?
 
tu achas que se fosse o doente ou a familia do doente havia pessoal ligado às maquinas mais que um mês? não sei ao certo quanto é o custo diário mas não deve ser nada barato



se querem que a pessoa se mantenha "viva" eram encaminhados para hospitais privados, o estado não deve ser uma instituição de caridade

creio que andas por caminhos muito estreitos ou o estado anda super generoso.
 
Quando vários médicos, de várias especialidades, em "conjunto" com exames complementares de diagnóstico, atestam morte cerebral, o suporte de vida é desligado.

Tudo bem, quando não há nada a fazer que se aceite a realidade, mas a minha questão é quem paga a fatura diretamente ou indiretamente?
como é que vocês funcionam?
 
A partir do momento em que uma pessoa dá entrada num Hospital público, apenas paga as taxas moderadoras. Se ficar internada, se não estou em erro, o valor das taxas moderadoras até é deduzido (ou, pelo menos, era). Portanto, creio que a factura seja paga pelo Estado, aka, contribuintes.

Agora, a questão é: duvido muito que os profissionais de saúde, mantenham suporte de vida ligado, a pessoas que não tenham potencial de sobreviver, ou que tenham diagnóstico de morte cerebral. Até porque os ventiladores e os fármacos, saem bem caros.
 
Na eutanásia o doente não está em condições de decidir por si próprio. Nos casos em que é o doente que decide por termo à vida por opção própria chama-se suicídio-assistido (que obviamente não existe em Portugal).

As pessoas é que estão sempre a confundir as duas coisas.

O que eu entendo por eutanásia: Eutanásia

acho muito insensato e um caminho muito obscuro por fim a uma vida caso o doente não tenha capacidade mental de decidir por si mesmo ou expressar diretamente a sua vontade dentro dos requisitos morais.
 
É um tema muito complexo... O meu pai faleceu minado pelo cancro, a minha mãe por uma leucemia... Os últimos meses foram em ambos os casos de profundo e desumano sofrimento... A minha mãe a certa altura pediu para a deixarem morrer em paz (foi a única vez que vi a minha mãe chorar e eram lágrimas de raiva) desejo que não foi respeitado, o meu pai aguentou até ao fim sem nada pedir...

Apesar de tudo isso não tenho opinião porque a decisão pela aplicação da eutanásia num caso concreto é em si mesma muito subjetiva, é uma decisão cheia de dúvidas e inseguranças. É uma decisão de extrema violência para quem tem de decidir e para quem tem de a executar. É anti-natura, as pessoas equilibradas não estão naturalmente preparadas para matar.

É muito complicado...

É por isto que sou a favor... é demasiado sofrimento. E no caso do meu pai lutou até ao último dia, completamente minado por fracturas provocadas pelas metástases.
 
O que eu entendo por eutanásia: Eutanásia

acho muito insensato por fim a uma vida caso o doente não tenha capacidade mental de decidir por si mesmo ou expressar diretamente a sua vontade.

Para isso temos o testamento vital, que entrou em vigor faz não muito tempo.

Eu, por exemplo, não me vejo a viver numa cama, sem me mexer, totalmente dependente dos outros, durante anos a fio, a comer e a urinar por tubos. Quero chegar à velhice, como é óbvio, mas que seja com qualidade de vida. Não propriamente estar em vegetal numa cama, só para servir de "montra" choratória aos outros.
 
A partir do momento em que uma pessoa dá entrada num Hospital público, apenas paga as taxas moderadoras. Se ficar internada, se não estou em erro, o valor das taxas moderadoras até é deduzido (ou, pelo menos, era). Portanto, creio que a factura seja paga pelo Estado, aka, contribuintes.

Agora, a questão é: duvido muito que os profissionais de saúde, mantenham suporte de vida ligado, a pessoas que não tenham potencial de sobreviver, ou que tenham diagnóstico de morte cerebral. Até porque os ventiladores e os fármacos, saem bem caros.

È so minha opinião mas isso é extremamente ineficiente creio que não valha pena discuti-lo
 
Para isso temos o testamento vital, que entrou em vigor faz não muito tempo.

Eu, por exemplo, não me vejo a viver numa cama, sem me mexer, totalmente dependente dos outros, durante anos a fio, a comer e a urinar por tubos. Quero chegar à velhice, como é óbvio, mas que seja com qualidade de vida. Não propriamente estar em vegetal numa cama, só para servir de "montra" choratória aos outros.

Aqueles comentários católicos do "Ai coitadinho, está tão mal mas pelo menos ainda está vivo" são de puxar o vómito. As pessoas conseguem ser de um egoísmo sem limites.
 
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