Eutanásia

É que sinceramente, se está ciente daquilo que está a fazer, não está assim tão necessitado para morrer.

Isto vai mesmo além do que possas imaginar.

Nem todas as doencas/situacoes que te causam sofrimento te impedem de estar consciente, pensar o contrário só demonstra ignorancia.


Aconselho a visitarem um IPO ou algo do genero e darem uma volta por lá, falando com as pessoas a ver se nao mudam de opinao.
 
A piada é a hipocrisia do nosso país perante estes temas, então.
Areia para os olhos e um tema para escamotear os problemas realmente importantes do nosso país. Isto é dar doces aos jornalistas.

Sim, como disseste e muito bem, a eutanásia em casos extremos já é quase que assistida.

Os velhos colocados de lado para morrer e muitos deles sozinhos em casa, sem família e cuidados (porque também não têm família ou voz para pedir ajuda). Sobre isso não há referendos.

Só quem nada percebe do assunto acha que "a eutanásia em casos extremos já é quase que assistida".

É o que dá chamar eutanásia a tudo.

Recoloco aqui este post porque se devia começar por conhecer os diferentes conceitos antes de emitir opiniões sem nexo, ie, ignorantes.

Também existe uma grande confusão entre eutanásia, morte assistida e suicídio assistido. São termos diferentes e que geram muita confusão em quem comenta o assunto.

Acrescento ainda que os casos que estás a tentar encaixar na eutanásia (ou o que descreveu o JBranco como praticado nos hospitais na base da "morfina") não é, sequer, nenhuma das anteriores.
 
Estás a dizer que alguém que esteja em constante sofrimento é alguém que está consciente do que está a fazer? :confused:

E queres que profissionais de saúde atestem isso? Os psiquiatras que conheço, e que serão os médicos chamados a atestarem isso, têm muitas dúvidas. [;)]

O problema não é tão simples como possa parecer.

A dor não implica que a pessoa não esteja consciente das suas decisões. Aliás, se a pessoa está com dores, e não existe uma cura, a solução é obrigar a mesma a continuar com dores? Não pode decidir por si mesma?

Relativamente aos profissionais, no estudo abaixo (a médicos franceses), indica que pelo menos 40% deles são a favor da mesma ser legalizada.

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC194087/

EDIT: Adiciono um estudo português, em que a percentagem de médicos a favor é superior a 50%

https://www.tsf.pt/portugal/socieda...vor-da-legalizacao-da-eutanasia-11160388.html
 
Última edição:
Só quem nada percebe do assunto acha que "a eutanásia em casos extremos já é quase que assistida".

É o que dá chamar eutanásia a tudo.

Recoloco aqui este post porque se devia começar por conhecer os diferentes conceitos antes de emitir opiniões sem nexo, ie, ignorantes.



Acrescento ainda que os casos que estás a tentar encaixar na eutanásia (ou o que descreveu o JBranco como praticado nos hospitais na base da "morfina") não é, sequer, nenhuma das anteriores.

O que quiseres chamar, haja ou não aqui ideias diferentes ou conceitos/nomes diferentes, a verdade é que somos todos uns verdadeiros ignorantes e no fundo acho que referendar isto é só um tiro no pé.

As pessoas pouco ou nada percebem do tema e pouco ou nada perceberão.

As que percebem, até podem afincar pé e nunca apoiar por questões religiosas.
 
Estás a dizer que alguém que tenha uma doenca terminal e que seja mais do que comprovado que a unica coisa que está a espera é do dia da morte, nao pode estar consciente e conscientemente pedir para morrer?


Ás vezes leio alguns comentários e parece que acham que eutanasia é para aquelas pessoas que estao com uma dor de cabeca e dizem "Quero morrer" e já está alguém lá com o tal bastao aprovado pelo governo por trás e tau!!!
Se nao der tempo de acabar a frase dá direito a bonus.

Talvez não tenhas percebido, mas a minha observação é baseada em opiniões médicas (vários psiquiatras), que têm dúvidas em atestar sanidade mental e uso das faculdades plenas, quando objectivamente existe uma situação (doença/whatever) que as influencia.

Mas sou sou todo ouvidos para conhecer opiniões melhor credenciadas e sustentadas.
 
Nem todas as doencas/situacoes que te causam sofrimento te impedem de estar consciente, pensar o contrário só demonstra ignorancia.


Aconselho a visitarem um IPO ou algo do genero e darem uma volta por lá, falando com as pessoas a ver se nao mudam de opinao.
As doenças oncológicas são terríveis. na fase final os actos médicos pouca diferença têm de actos de sadismo, ou tortura. E no entanto a pessoa permanece sempre consciente. É horrível.

Ocorre-me o exemplo de uma senhora que a única vez que a vi chorar foi quando ela pediu para que a deixassem morrer. Ela não pediu para a matarem, ela simplesmente pediu para que a deixassem em paz, para que parecem com os tratamentos, o que naturalmente acarretaria a morte. Uma coisa horrível.

10 anos mais tarde já se sente outro tipo de humanidade quando as pessoas estão em estado terminal. Penso que já se progrediu qualquer coisa.

Mas concordo que é um assunto muito complexo.
 
A dor não implica que a pessoa não esteja consciente das suas decisões. Aliás, se a pessoa está com dores, e não existe uma cura, a solução é obrigar a mesma a continuar com dores? Não pode decidir por si mesma?

Relativamente aos profissionais, no estudo abaixo (a médicos franceses), indica que pelo menos 40% deles são a favor da mesma ser legalizada.

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC194087/

EDIT: Adiciono um estudo português, em que a percentagem de médicos a favor é superior a 50%

https://www.tsf.pt/portugal/socieda...vor-da-legalizacao-da-eutanasia-11160388.html

Pode decidir tudo por si mesma, claro.

Mas conheces algum processo de eutanásia que dependa apenas das decisões da própria pessoa?
 
Talvez não tenhas percebido, mas a minha observação é baseada em opiniões médicas (vários psiquiatras), que têm dúvidas em atestar sanidade mental e uso das faculdades plenas, quando objectivamente existe uma situação (doença/whatever) que as influencia.

Mas sou sou todo ouvidos para conhecer opiniões melhor credenciadas e sustentadas.

Então os psiquiatras com quem interagiste não te devem estar a dizer a verdade, já que existem testes para não só verificar e julgar a sanidade mental e o uso das faculdades plenas, como existem também testes para aferir a dor que a pessoa está a sentir.

Na Bélgica, segundo o estudo abaixo, "só" 3% dos casos é que podem estar ligados a um mau diagnóstico (ou seja, um diagnóstico em que a pessoa está a sofrer alteração de humor, demência, etc).

https://bmcpsychiatry.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12888-017-1369-0
 
Então os psiquiatras com quem interagiste não te devem estar a dizer a verdade, já que existem testes para não só verificar e julgar a sanidade mental e o uso das faculdades plenas, como existem também testes para aferir a dor que a pessoa está a sentir.

Na Bélgica, segundo o estudo abaixo, "só" 3% dos casos é que podem estar ligados a um mau diagnóstico (ou seja, um diagnóstico em que a pessoa está a sofrer alteração de humor, demência, etc).

https://bmcpsychiatry.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12888-017-1369-0

Excelente, vamos avançar com um processo cujo resultado é a morte das pessoas mas que em 97% dos casos está certo. Os outros 3% temos pena.

Tenho de avisar os psiquiatras que conheço desses teste de sanidade. Seguramente eles não devem conhecer senão não teriam dúvidas, não é?
 
Excelente, vamos avançar com um processo cujo resultado é a morte das pessoas mas que em 97% dos casos está certo. Os outros 3% temos pena.

Tenho de avisar os psiquiatras que conheço desses teste de sanidade. Seguramente eles não devem conhecer senão não teriam dúvidas, não é?

97% é uma excelente percentagem. Erros de diagnóstico, em medicina, não são assim tão raros e as consequências são também graves, não é por isso que paras tratamentos.

EDIT:
Já agora
https://en.wikipedia.org/wiki/Psychiatric_assessment
 
Última edição:
Tretas, é óbvio que o processo tem de iniciar com vontade do próprio (em teoria), mas na prática depende de terceiros, incluindo também na Bélgica.

Por isso não depende só do próprio já que tem sempre de envolver terceiros, especialmente médicos.

Apenas e unicamente a tua decisão de iniciar o processo é que pode iniciar o processo. Ninguém pode pedir para que tu sejas objeto da eutanásia, tem sempre de partir de ti. Portanto não, não é tretas, apenas tu podes iniciar o processo, cabe depois ao médico decidir se concede esse desejo ou não.

Mas sim, a lei belga é "tretas".
 
Pode decidir tudo por si mesma, claro.

Mas conheces algum processo de eutanásia que dependa apenas das decisões da própria pessoa?

A ideia é precisamente essa, a pessoa tem de estar cosnciente, doenca terminal em que nao ha hipotese de recuperacao e a pessoa pede para morrer...

Mas nao é, claro, pediu para morrer, vem de lá uma enfermeira e um médico já de bastao na mao, em que a enfermeira trás um panel e caneta numa mao e na outra uma bandeja, nao vá ás vezes a placa ou a os dentes sairem por causa da bastonada já depois de a pessoa ter assinado que queria morrer.
 
As doenças oncológicas são terríveis. na fase final os actos médicos pouca diferença têm de actos de sadismo, ou tortura. E no entanto a pessoa permanece sempre consciente. É horrível.

Ocorre-me o exemplo de uma senhora que a única vez que a vi chorar foi quando ela pediu para que a deixassem morrer. Ela não pediu para a matarem, ela simplesmente pediu para que a deixassem em paz, para que parecem com os tratamentos, o que naturalmente acarretaria a morte. Uma coisa horrível.

10 anos mais tarde já se sente outro tipo de humanidade quando as pessoas estão em estado terminal. Penso que já se progrediu qualquer coisa.

Mas concordo que é um assunto muito complexo.

Muita gente nao tem ideia do sofrimento (eu também nao) que é estar a espera do dia D sem poder fazer absolutamente mais nada a nao ser, esperar.
 
Excelente, vamos avançar com um processo cujo resultado é a morte das pessoas mas que em 97% dos casos está certo. Os outros 3% temos pena.

Tenho de avisar os psiquiatras que conheço desses teste de sanidade. Seguramente eles não devem conhecer senão não teriam dúvidas, não é?

Obtuso, obtuso....
Ninguém vai inventar a roda... Nos países onde está legislado há um protocolo a seguir onde já estão seleccionados os instrumentos de avaliação, e há-os para todos os gostos e feitios, não é novidade nenhuma para nenhum profissional da saúde mental!!
Como em tudo na vida, nada é infalível.
 
Esse exemplo encaixa em que conceito, que não um dos anteriores?

Eutanásia num sentido etimológico e clássico do termo = "boa morte" = morte sem sofrimento. Os gregos e romanos referiam-se ao termo para expressar o desejo da felicidade de morrer "serenamente durante o sono, sem dor e sem consciência".

Na era moderna passou a designar o acto de matar sem dor em caso de doença terminal, incurável e com sofrimento (físico ou psicológico). Implica necessariamente a antecipação do momento da morte (através de uma acção praticada pelo próprio ou por outra parte).

Há 4 tipos principais de eutanásia:

- activa: com administração de substância letal por outra parte.

- passiva: suspensão de suportes/tratamentos activos que sustentam a vida.

- indirecta: administração de analgesia -que pode ser letal- num doente que não está num processo de morte imediata/de curto prazo.

- suicídio medicamente assistido: o próprio doente toma a substância letal, isto é, é auxiliado.

Outra coisa -QUE NÃO É EUTANÁSIA- é a sedação paliativa, isto é, a analgesia e promoção de um estado de semiconsciência/inconsciência quando se entrou num processo de morte imediata/de curto prazo inevitável. Neste caso não há antecipação da morte e culmina-se numa morte medicamente assistida.

Outra coisa - QUE NÃO É EUTANÁSIA- é interromper ou não efectuar medidas invasivas e que não antecipam mas que também não são capazes de modificar um processo de morte imediata/de curto prazo inevitável/inultrapassável. O exemplo típico é uma colheita de sangue ou outros procedimentos potencialmente invasivos (introdução de uma sonda para alimentação forçada) num doente que está neste tipo de processo de morte.

Portanto, por favor parem lá com as idiotices ignorantes de que o doente oncológico que está sob morfina ou outro qualquer opioide numa enfermaria de um qualquer hospital é "mais ou menos" eutanasiado.

São coisas demasiados sérias para serem discutidas como se fosse tudo igual. "Ou mais ou menos a mesma coisa".

P.S. O caso em discussão na Holanda do comprimido letal vendido gratuitamente após os 70 anos e sem prescrição médica para quem "está cansado de viver" nem sequer entra em qualquer tipo de eutanásia. A ser assim constitui simplesmente um meio de suicídio estatalmente promovido.
 
Última edição:
Inclino-me para o lado favorável a partir de certo ponto, dependendo da qualidade de vida e condições do paciente. Se há casos em que o estado do paciente até parece tornar a questão consensual, noutros não o será. Este assunto é muito complexo e delicado e estou longe de ter uma opinião bem clara e delimitada.

Preferia uma extensa discussão pública e com muita dose de esclarecimento a culminar num referendo, nomeadamente por parte de profissionais de saúde em vez de deputados. Algo que considero importante numa questão tão delicada é que a população a compreenda bem antes duma possível alteração e sua prática.

Por outro lado, e não desvalorizando a eutanásia, parece-me mau timing querer tomar uma decisão dessas sem consultar a população e numa altura em que o SNS está entregue ao Deus Dará e com tantas evidências dum funcionamento cada vez mais débil.
 
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