Eutanásia

Turboyoda, estás completamente ao lado da minha observação, que nada tem a ver com ser ou não obrigatório.

Os processos de eutanásia, segundo os diplomas votados, falam em processos que passam por vários médicos dando a entender grande escrutínio.

O que quis dizer é que esse escrutínio será enviesado porque apenas os médicos pró eutanásia serão consultados. Ninguém vai pedir parecer a quem sabe que vai dificultar o processo.

É o que tens dado a entender, mas de qualquer maneira, o que pretendias? Um médico apenas a aprovar o processo? É algo demasiado complexo para ser aprovado sem o parecer de várias pessoas da area, logo se fosse só um médico a assinar/autorizar, aí sim é que me preocuparia.

Quanto aos pró ou contra, no meu trabalho, se eu sou contra algo, regra geral tento nao lidar com o assunto, pelo que apenas irem meter as maos no assunto se for obrigado a tal.
 
Diria que médicos contra a eutanásia pedirão escusa de envolvimento nos processos, o que não significa que todos os processos que passem pelas comissões (ou por médicos pró eutanásia) sejam aprovados.
No fim de semana li um artigo sobre a eutanásia aqui na Holanda, e engana-se quem entende que é um processo fácil até para os médicos/agente que crêem que a eutanásia é uma solução.

Ou seja: ao contrário da histeria que se tem criado, é um processo exigente no qual os pacientes têm direito à escolha.
E eu que pensava que estava toda a gente a fugir da Holanda porque a eutanásia estava disponível nas máquinas de vending.
 
Diria que médicos contra a eutanásia pedirão escusa de envolvimento nos processos, o que não significa que todos os processos que passem pelas comissões (ou por médicos pró eutanásia) sejam aprovados.
No fim de semana li um artigo sobre a eutanásia aqui na Holanda, e engana-se quem entende que é um processo fácil até para os médicos/agente que crêem que a eutanásia é uma solução.

pode vir a ser muito mais fácil:

[h=1]Holanda debate comprimido letal gratuito para maiores de 70 anos "cansados de viver"[/h]
A Holanda debate a utilização do comprimido letal a maiores de 70 anos "cansados de viver". Prevê-se que a medida entre na legislação ainda este ano e que não seja preciso prescrição médica.

A Holanda está a debater a distribuição gratuita de um comprimido letal a pessoas com idade superior a 70 anos que estejam “cansadas de viver”, adiantou o ABC.

Neste sentido, o governo holandês publicou recentemente um estudo sobre o alcance populacional a que este método de suicídio se dirige e que pode ser uma realidade este ano.
O estudo divulga que há um grupo da população holandesa com mais de 55 anos que “têm um desejo de morrer consistente e ativo”, apesar de estarem em perfeitas condições de saúde. Esse grupo representa 0,18% de um total de 10.000 pessoas, não sendo por isso um número significativo.
A eutanásia já é legal na Holanda desde 2002, mas só está disponível apenas em situações de doença terminal e de grande sofrimento, sendo a decisão assinada por dois médicos independentes. O governo pretende agora alargar a prescrição a idosos que sintam que completaram a sua vida, sem que seja necessária uma prescrição médica.



A Holanda é o país onde há mais banalização social da morte assistida de doentes. Quando a primeira lei da eutanásia foi aprovada, em 2002, pelo menos 1880 pessoas fizeram uso do comprido mortal, diz o ABC. Atualmente, com as condições de uso ampliadas, são quase 7.000 as pessoas que todos anos recorrem ao seu uso, acrescenta a mesma fonte.


A grande influência
Há quarenta anos, Huib Drion, tornava-se o académico mais controverso da Holanda ao afirmar que o Estado deveria disponibilizar um comprimido que provocasse a morte a cidadãos com mais de 70 anos, de forma a estes poderem decidir em que momento querem por termo à vida. O holandês publicou o livro “A escolha do final da vida para os mais velhos”, que influenciou o debate parlamentar que resultou na aprovação da lei da eutanásia. O livro foi escrito depois de um familiar de Drion lhe contar a experiência horrível em viver os últimos anos de vida num lar, revela o The Irish Times.

“Muitas pessoas encontrariam uma grande tranquilidade se pudessem ter um meio para por fim às suas vidas de uma maneira aceitável num momento em que para eles seja o mais adequado”, pode ler-se no livro de Huib Drion.
Drion considerava que o comprimido mortal devia estar disponível gratuitamente, sob prescrição médica, para todas as pessoas com mais de 70 anos e com doenças incuráveis, diz o The Irish Times. O medicamento foi nomeado de ‘comprimido Drion’, homenageando o autor da ideia.
Drion foi um juiz do Supremo Tribunal da Holanda, professor de Direito e autor de vários ensaios académicos. O juiz holandês morreu de causas naturais, em 2004, aos 86 anos.

Quem está a favor
O partido D66 da ala liberal, parte da coligação que sustenta a maioria do governo em Haia, tem influenciado também as opiniões sociais sobre a morte assistida, tendo inserido no seu programa eleitoral a questão do comprimido letal para idosos. O partido liberal considera que o governo tem sido lento a levar a cabo a ideia e por isso vai avançar com a sua própria legislação, adianta o La Vanguarda. “O ministro [De Jonga] obviamente sente menos urgência do que eu”, disse Pia Dijkstra, parlamentar do D66, que argumenta que “os idosos que já viveram o suficiente devem poder morrer quando decidirem”.
Durante um debate, em junho de 2019, o governo holandês lançou uma campanha virtual para incentivar pessoas a pensar sobre o fim das suas vidas, onde são apresentadas instruções sobre os cuidados paliativos que não questionam as vontades que os afetados pelos sintomas de demência expressam de morrer, diz o ABC.

Quem está contra
Para que as cidadãos holandeses possam ‘desligar’ da vida quando considerarem que chegou a sua hora é necessário, não apenas uma mudança na lei, mas uma profunda consideração e debate sobre o tema, considera o The Irish Times.
O maior obstáculo do primeiro-ministro Mark Rute tem sido a falta de aprovação da União Cristã, um partido minoritário de bases religiosas, que discorda da proposta em casos em que não haja um sofrimento profundo. “A missão do governo é proteger as pessoas, especialmente as mais vulneráveis ​​e as mais velhas, e não ajudar ao suicídio”, diz a deputada Carla Dik-Faber citada pelo ABC.

“Os idosos podem se sentir desnecessários numa sociedade que não valoriza a velhice. É verdade que existem pessoas que se sentem sozinhas, outras podem ter uma vida de sofrimento e isso é algo que não é fácil de resolver, mas o governo e toda a sociedade devem assumir a responsabilidade. Não queremos ‘consultores de fim de vida’, queremos ‘guias de vida’. Para nós, todas as vidas são valiosas.”, acrescenta Dik-Faber ao mesmo jornal.
O tema é tão relevante do ponto de vista político que pode causar o fim da colisão e derrubar o governo.
 

Pode, mas não é nada disso que se debate.
Já sei que vais dizer que uma coisa leva à outra, modelo de sociedade, etc. etc., mas não tenho espaço para reflectir sobre mais do que a situação concreta portuguesa, ou contributos análogos de outros países.
Refira-se que, à laia de conclusão, que não concordo com o modelo de comprimido. Mas concordo com a ampla discussão activa que todos estes assuntos geram nas sociedades.
 
Ou seja: ao contrário da histeria que se tem criado, é um processo exigente no qual os pacientes têm direito à escolha.
E eu que pensava que estava toda a gente a fugir da Holanda porque a eutanásia estava disponível nas máquinas de vending.

O que acho que ele diz é que não é um processo fácil mas é para os médicos, mesmo para aqueles que acreditam na eutanásia. (ás vezes o português é dificil de entender, mas foi isto que percebi do que ele escreve)
Não está a dizer que é dificil fazer eutanásia.
Por outro lado se eu percebi mal, e estiver a dizer que é um processo dificil os números desmentem-no completamente. Mais de 5mil mortes por eutanásia num ano num país tão pequeno quanto a Holanda demonstram claramente que o processo é claramente acessível. Seria dificil se tivesses 50 ou 100 casos num ano.
Difícil é para menores, quando tens um único caso!
 
O que acho que ele diz é que não é um processo fácil mas é para os médicos, mesmo para aqueles que acreditam na eutanásia. (ás vezes o português é dificil de entender, mas foi isto que percebi do que ele escreve)
Não está a dizer que é dificil fazer eutanásia.
Por outro lado se eu percebi mal, e estiver a dizer que é um processo dificil os números desmentem-no completamente. Mais de 5mil mortes por eutanásia num ano num país tão pequeno quanto a Holanda demonstram claramente que o processo é claramente acessível. Seria dificil se tivesses 50 ou 100 casos num ano.
Difícil é para menores, quando tens um único caso!

Percebeste bem. É um processo difícil para os médicos, como seres humanos.
 
Pode, mas não é nada disso que se debate.
Já sei que vais dizer que uma coisa leva à outra, modelo de sociedade, etc. etc., mas não tenho espaço para reflectir sobre mais do que a situação concreta portuguesa, ou contributos análogos de outros países.
Refira-se que, à laia de conclusão, que não concordo com o modelo de comprimido. Mas concordo com a ampla discussão activa que todos estes assuntos geram nas sociedades.

desde o momento em que essa possibilidade se abre, o doente pedir para morrer, paulatinamente o direito vai-se transformando em obrigação

verás daqui a 20 anos
 
desde o momento em que essa possibilidade se abre, o doente pedir para morrer, paulatinamente o direito vai-se transformando em obrigação

verás daqui a 20 anos

Duvido (posso estar errado, claro). O povo holandês é muito mais lógico, em regra, que o português. No mesmo artigo que referi falavam no aumento da percentagem de mortes por eutanásia aqui e, sem prejuízo de outros factores menos desejáveis, chegaram à conclusão que uma das razões do aumento da percentagem é a maior informação que as pessoas têm sobre o assunto, sobre o processo.

A forma como a eutanásia é vista e praticada por culturas diferentes é diferente. Somos todos seres humanos, mas não lidamos todos da mesma forma com tudo, e a morte é uma dessas coisas.
 
O que acho que ele diz é que não é um processo fácil mas é para os médicos, mesmo para aqueles que acreditam na eutanásia. (ás vezes o português é dificil de entender, mas foi isto que percebi do que ele escreve)
Não está a dizer que é dificil fazer eutanásia.
Por outro lado se eu percebi mal, e estiver a dizer que é um processo dificil os números desmentem-no completamente. Mais de 5mil mortes por eutanásia num ano num país tão pequeno quanto a Holanda demonstram claramente que o processo é claramente acessível. Seria dificil se tivesses 50 ou 100 casos num ano.
Difícil é para menores, quando tens um único caso!

Menos de 0.0003% da população. Gravíssimo.
 
Caso partilhado (traduzido por mim):

"Quando Keizer concorda em ajudar alguém, ele afirma que é obviamente a coisa certa a fazer. O último paciente eutanasiado por ele foi um expatriado americano que viveu nos Países Baixos 15 anos. O homem tinha 78 anos e havia sofrido uma hemorragia cerebral; incapaz de andar e quase incapaz de falar. A sua esposa havia falecido um ano antes, pelo que, na primeira que o homem pediu ajuda a Keizer, o médico recusou. <Você tem de se conformar com o facto de que está a fazer o luto da sua esposa>, disse ao seu paciente. Oito meses depois, o homem convenceu Keizer. Já não fazia a sua própria higiene, era incontinente e a sua situação provavelmente não iria melhorar. No Verão de 2013, Keizer concordou em ajudar o homem a morrer. Ele estava confiante que era a coisa certa a fazer".

É um artigo da Newsweek, a ver se coloco aqui o link.
 
Julgo que as contas devem ser feitas pelo número de mortes, e não em relação à população toda.
Estava aqui a consultar uns números que apontam para 3,5% do total de mortes.

Obviamente.
Os 5/6mil ano correspondem às morte naturais que tem uma cidade em Portugal com meio milhão de habitantes.
A cada hora e pouco é morta uma pessoa na Holanda. A mim parece-me um completo exagero num país tão pequeno e indica para mim algum facilitismo.
 
Duvido (posso estar errado, claro). O povo holandês é muito mais lógico, em regra, que o português. No mesmo artigo que referi falavam no aumento da percentagem de mortes por eutanásia aqui e, sem prejuízo de outros factores menos desejáveis, chegaram à conclusão que uma das razões do aumento da percentagem é a maior informação que as pessoas têm sobre o assunto, sobre o processo.

A forma como a eutanásia é vista e praticada por culturas diferentes é diferente. Somos todos seres humanos, mas não lidamos todos da mesma forma com tudo, e a morte é uma dessas coisas.


suponhamos que a morte por eutanasia está normalizada
suponhamos que já não és autónomo, precisas de outros para fazer a tua vida diária, és um peso na vida deles, seja pelo trabalho que dás seja pela despesa que dás

e consideremos que vivemos numa sociedade muito competitiva e muito materialista

juntemos isso e o que temos?
se decidires continuar a viver estás a prejudicar os teus filhos (ou o conjugue), a quem dedicaste a vida, se decidires morrer poupas dinheiro aos filhos (ou ao conjugue) e à sociedade e os filhos ficam mais livres, com menos trabalho e o conjugue até fica com uma pensão de viuvez
é fácil que a sociedade passe a pressionar os doentes para eles pedirem a eutanasia, essa será a decisão economicamente mais eficiente (e o dinheiro é o deus deste mundo)

a conclusão logica e natural de toda esta evolução será a eutanasia passar a ser vista como a opção eticamente correta a tomar pelos doentes e aqueles que teimarem em permanecerem vivos serem vistos como inuteis cobardes e egoistas que andam aqui a dar trabalho e despesa à familia e à sociedade

nesse tempo a eutanasia não será já apenas um direito, mas também uma obrigação, obviamente que não uma obrigação legal, mas uma obrigação ética perante a sociedade

e quem não pedir a morte viverá uma vida realmente sem dignidade, porque será visto como uma pessoa indigna

o problema é que convivendo com as pessoas nessas situações o que vemos é que a grande maioria delas quer continuar a viver, mas a eutanásia terá deixado de ser apenas um direito e ter-se-à tornado uma obrigação moral

é isto que vos espera
 
Última edição:
suponhamos que a morte por eutanasia está normalizada
suponhamos que já não és autónomo, precisas de outros para fazer a tua vida diária, és um peso na vida deles, seja pelo trabalho que dás seja pela despesa que dás

e consideremos que vivemos numa sociedade muito competitiva e muito materialista

juntemos isso e o que temos, se decidires continuar a viver estás a prejudicar os teus filhos (ou o conjugue), a quem dedicaste a vida, se decidires morrer poupas dinheiro aos filhos (ou ao conjugue) e à sociedade e os filhos ficam mais livres, com menos trabalho e o conjugue até fica com uma pensão de viuvez
é fácil que a sociedade passe a pressionar os doentes para eles pedirem a eutanasia, essa será a decisão economicamente mais eficiente (e o dinheiro é o deus deste mundo)

a conclusão logica e natural de toda esta evolução será a eutanasia passar a ser vista como a opção eticamente correta a tomar pelos doentes e aqueles que teimarem em permanecerem vivos serem vistos como inuteis cobardes e egoistas que andam aqui a dar trabalho e despesa à familia e à sociedade

nesse tempo a eutanasia não será já apenas um direito, mas também uma obrigação, obviamente que não uma obrigação legal, mas uma obrigação ética perante a sociedade

e quem não pedir a morte viverá uma vida realmente sem dignidade, porque será visto como uma pessoa indigna

o problema é que convivendo com as pessoas nessas situações o que vemos é que a grande maioria delas quer continuar a viver

A sociedade já pressiona as pessoas para tudo, e depois entra em acção o livre arbítrio.
As pessoas que querem continuar a viver... continuam.
Neste momento, a sociedade pressiona e obriga as pessoas que não querem continuar a viver a fazê-lo, e a sofrer por isso (o âmbito é apenas o de casos que sejam admissíveis a esta discussão, no quadro legal).
 
suponhamos que a morte por eutanasia está normalizada
suponhamos que já não és autónomo, precisas de outros para fazer a tua vida diária, és um peso na vida deles, seja pelo trabalho que dás seja pela despesa que dás

e consideremos que vivemos numa sociedade muito competitiva e muito materialista

juntemos isso e o que temos?
se decidires continuar a viver estás a prejudicar os teus filhos (ou o conjugue), a quem dedicaste a vida, se decidires morrer poupas dinheiro aos filhos (ou ao conjugue) e à sociedade e os filhos ficam mais livres, com menos trabalho e o conjugue até fica com uma pensão de viuvez
é fácil que a sociedade passe a pressionar os doentes para eles pedirem a eutanasia, essa será a decisão economicamente mais eficiente (e o dinheiro é o deus deste mundo)

a conclusão logica e natural de toda esta evolução será a eutanasia passar a ser vista como a opção eticamente correta a tomar pelos doentes e aqueles que teimarem em permanecerem vivos serem vistos como inuteis cobardes e egoistas que andam aqui a dar trabalho e despesa à familia e à sociedade

nesse tempo a eutanasia não será já apenas um direito, mas também uma obrigação, obviamente que não uma obrigação legal, mas uma obrigação ética perante a sociedade

e quem não pedir a morte viverá uma vida realmente sem dignidade, porque será visto como uma pessoa indigna

o problema é que convivendo com as pessoas nessas situações o que vemos é que a grande maioria delas quer continuar a viver, mas a eutanásia terá deixado de ser apenas um direito e ter-se-à tornado uma obrigação moral

é isto que vos espera

Excelente ponto de vista! apr:)

E Eu nem sou contra a eutanásia, mas o teu argumento é bastante válido e existe probabilidade elevada de assim ocorrer. É uma sociedade cada vez mais materialista.[;)]
 
Gostava de perceber um pouco mais, por exemplo, qual a posição das companhias de seguros em relação a este assunto. Seguros de saúde vs. seguros de vida.
 
suponhamos que a morte por eutanasia está normalizada
suponhamos que já não és autónomo, precisas de outros para fazer a tua vida diária, és um peso na vida deles, seja pelo trabalho que dás seja pela despesa que dás

e consideremos que vivemos numa sociedade muito competitiva e muito materialista

juntemos isso e o que temos?
se decidires continuar a viver estás a prejudicar os teus filhos (ou o conjugue), a quem dedicaste a vida, se decidires morrer poupas dinheiro aos filhos (ou ao conjugue) e à sociedade e os filhos ficam mais livres, com menos trabalho e o conjugue até fica com uma pensão de viuvez
é fácil que a sociedade passe a pressionar os doentes para eles pedirem a eutanasia, essa será a decisão economicamente mais eficiente (e o dinheiro é o deus deste mundo)

a conclusão logica e natural de toda esta evolução será a eutanasia passar a ser vista como a opção eticamente correta a tomar pelos doentes e aqueles que teimarem em permanecerem vivos serem vistos como inuteis cobardes e egoistas que andam aqui a dar trabalho e despesa à familia e à sociedade

nesse tempo a eutanasia não será já apenas um direito, mas também uma obrigação, obviamente que não uma obrigação legal, mas uma obrigação ética perante a sociedade

e quem não pedir a morte viverá uma vida realmente sem dignidade, porque será visto como uma pessoa indigna

o problema é que convivendo com as pessoas nessas situações o que vemos é que a grande maioria delas quer continuar a viver, mas a eutanásia terá deixado de ser apenas um direito e ter-se-à tornado uma obrigação moral

é isto que vos espera

E mais, tendo em conta que a eutanásia é para pessoas lúcidas, então essas mesmas também terão a lucidez perfeita desse peso que terão na família e sociedade. Daí à eutanásia é um passo...
 
Excelente ponto de vista! apr:)

E Eu nem sou contra a eutanásia, mas o teu argumento é bastante válido e existe probabilidade elevada de assim ocorrer. É uma sociedade cada vez mais materialista.[;)]
E teremos serviços públicos a criarem também era pressão...

Basta incluírem a informação sobre eutanásia no direito de informação do doente, e passa a ser opção. Daí até ser a melhor opção será um passo, especialmente nas pessoas psicologicamente mais frágeis...
 
A sociedade já pressiona as pessoas para tudo, e depois entra em acção o livre arbítrio.
As pessoas que querem continuar a viver... continuam.
Neste momento, a sociedade pressiona e obriga as pessoas que não querem continuar a viver a fazê-lo, e a sofrer por isso (o âmbito é apenas o de casos que sejam admissíveis a esta discussão, no quadro legal).


o livre arbitrio que supoem pessoas adultas e autonomas, mas o doente é uma pessoa muito fragilizada

e é aqui que entra em ação o bullying

por isso ou o processo é extremamente controlado ou vai ser isto que te espera no final do caminho, por cada 1 que pedirá a eutanásia porque realmente estão num sofrimento que não pode ser aliviado, existirão uns 100 que a pedirão porque não lhes foram dados os cuidados para o aliviar e toda a sociedade e em particular a familia lhes faz sentir que é esse o caminho que devem seguir

mesmo que os continuarem a viver, porque é isso que querem, viverão muito mais infelizes porque aí sim, sentirão que vivem uma vida indigna, de inuteis cobardes

bastam 2 gerações, é isto que escolhem, é isto que terão
 
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