Emprego. Agricultor????

Emprego. Agricultor????

  • sim

    Votos: 23 62,2%
  • não

    Votos: 14 37,8%

  • Total de eleitores
    37
Na minha opinião resume-se a poucas coisas, e daí cada um saberá se pode, ou não, viver disso.

Investimento. Não se vive de plantar morangos no quintal lá de casa, sem dúvida, a menos que encontres morangos alucinogénios e aí o caso muda de figura. E de moldura legal também. [:D]

Conhecimento(s). Tanto técnicos e práticos como de pessoas, cooperativas e empresas que fazem serviços na área, como de legislação adequada. Quem não se souber "mover" no meio está condenado. É verdade que se pode aprender...mas isso remete ao factor tempo, que remete ao factor investimento.

Capacidades pessoais. É uma pessoa preparada para se dedicar à "ingrícula"? É que dependendo do que se quer e da dimensão do que se tem pode ser um trabalho que não conhece folgas nem férias, com os seus "encantos" e agruras, mas que pode ser completamente diferente do idealizado.


Pessoalmente acho que alguém que reúna as condições acima descritas e tenha a visão necessária para tal pode criar o seu posto de trabalho e ter uma vida bastante confortável. Conheço pelo menos um lavrador de "enchada e tesoura da poda" que conduz um Mercedes recente...e não me faz confusão nenhuma. Mas investe, suja as mãos mas tem equipamento que permite produção a sério...
 
Última edição:
Estamos a falar, pelo que percebi em produção agrícola. Portanto isso que falaram em não sujares as mãos durante um mês, esquece, a não ser que queiras trabalhar para (tentar) pagar ao pessoal...

Vocês têm noção das despesas inerentes a esta profissão? Da maquinaria necessária em geral, de produtos fito-farmacêuticos se fores para um modo de produção que não o biológico, de adubos e por aí fora?

Na minha opinião, se és filho de pais agricultores, já com terrenos, instalações para tratamento pós colheita, tractores e alfaias... avança!

Se não tens bem estas condições, não é com os 40.000euros do jovem agricultor que te safas.

Falaram também em produtos "chave", morangos, flores, frutos exóticos... E para produzir isto num terreno a céu aberto, dependente de geadas e de todas as condições climatéricas? É que estufas não são propriamente baratas, e dinheiro para investir nem toda a gente tem, nem o estado dá.

Resta produzir árvores de fruto, brássicas em geral (que já está mais que explorado) e batatas.[8b]
 
Muitos a falar, mas poucos sabem o que dizem :sh)

Sou licenciado em Eng. agrícola e tenho feito alguns projectos. Para além disso sou filho de agricultores. Conheci a agricultura dentro de uma exploração e agora pode dizer-se que apoio algumas. Isso dá-me uma ideia bastante concreta de como são as coisas.

Actualmente é muito complicado ser-se agricultor em Portugal. É muito difícil para os que já o são e muito mais para aqueles que se querem iniciar. Não me venham com exemplos de explorações (de sucesso) que na maioria dos casos crescem com recurso a fundos provenientes de outras actividades.

Um jovem agricultor precisa de terra, máquinas, plantas, animais, etc. Façam as contas e vejam ao fim de quantos anos vai conseguir o retorno financeiro.
Quando se tem a terra, e com a ajuda dos projectos, é bem mais fácil. Ainda assim, é preciso fazer bem as contas, porque o prémio não dá na maioria das vezes sequer para as máquinas.

Relativamente às actividades, há que ver a região e aquilo que se pode produzir. Depois é preciso ver se vale a pena. E aí é que tudo se complica. A maioria dos sectores estão de rastos. Veja-se o leite, a carne. Na fruta e no vinho, apenas compensa em zonas de vinhos de qualidade.

Falaram no Mirtilo. Essa é uma cultura com um certo interesse. Há elevada procura, adapta-se bem aos nossos solos ácidos e ao clima. O problema pode estar no escoamento, na exportação. Parece-me que brevemente vai passar a ser como noutros sectores, em que os intermediários ficam com a maior fatia.
 
Para responder mais directamente ao autor do tópico:

No meu entender, é difícil e arriscado uma família jovem tentar viver da agricultura. Acredito que seja possível se um trabalhar na agricultura e o outro tiver um emprego com um vencimento "certo".
 
100do, se não é indiscrição, que tipo de projectos tens feito? Têm sido facilmente aprovados?
E em média quanto tempo demora o subsidio a estar disponível?
 
100do, se não é indiscrição, que tipo de projectos tens feito? Têm sido facilmente aprovados?
E em média quanto tempo demora o subsidio a estar disponível?
Projectos ao Proder [;)]
Até à data, os que fiz foram aprovados.
Prazos, é relativo. Depende de vários factores. Cada caso é um caso.
 
Já que estás aqui 100do, vou-me aproveitar e perguntar-te onde posso encontrar informação para candidatar-me a incentivos semelhantes mas na área da florestação...é que no site da Proder fico um bocado à nora (por exemplo, falam das espécies, e depois não mencionam quais...)...
 
Já que estás aqui 100do, vou-me aproveitar e perguntar-te onde posso encontrar informação para candidatar-me a incentivos semelhantes mas na área da florestação...é que no site da Proder fico um bocado à nora (por exemplo, falam das espécies, e depois não mencionam quais...)...


Também já fiz alguns, por tal sei dizer que te podes dirigir as associações (tipo ajap) e empresas consultadoria agricola.
 
Os incentivos para a floresta estão também na página do Proder. Não posso ajudar muito porque eu só me dedico à área agrícola.

Candidaturas abertas actualmente e que talvez possam interessar:

- Modernização e Capacitação das Empresas Florestais
- Gestão multifuncional
- Melhoria Produtiva dos Povoamentos
- Recuperação do Potencial Produtivo

Terás que ver nas orientações técnicas se o que pretendes se enquadra.

É precisamente no enquadramento (em qual deles) que começam as primeiras dúvidas, mas o provável é dirigir-me a alguém mais entendido.

Também já fiz alguns, por tal sei dizer que te podes dirigir as associações (tipo ajap) e empresas consultadoria agricola.

Já tinha uma empresa a tratar de umas áreas definidas (talvez menos de 8 hectares), no entanto, apesar de ser eu o proprietário o assunto foi delegado noutra pessoa que está mais dentro do assunto, mas tenho quase a certeza absoluta que para as espécies que eram não há qualquer subsídio.

Ou a um técnico, ou pode ser ele mesmo a fazer o projecto (se entender que é capaz) [;)]

Pois, as minhas engenharias são outras (e ainda sou estudante), mas suponho que com algum tempo sempre terei mais algumas luzes. É que só há bem pouco tempo comecei a tomar alguma noção das coisas a uma escala maior...e sinceramente...acho que preciso doutro curso! [:D]
 
Muitos a falar, mas poucos sabem o que dizem :sh)

Sou licenciado em Eng. agrícola e tenho feito alguns projectos. Para além disso sou filho de agricultores. Conheci a agricultura dentro de uma exploração e agora pode dizer-se que apoio algumas. Isso dá-me uma ideia bastante concreta de como são as coisas.

Actualmente é muito complicado ser-se agricultor em Portugal. É muito difícil para os que já o são e muito mais para aqueles que se querem iniciar. Não me venham com exemplos de explorações (de sucesso) que na maioria dos casos crescem com recurso a fundos provenientes de outras actividades.

Um jovem agricultor precisa de terra, máquinas, plantas, animais, etc. Façam as contas e vejam ao fim de quantos anos vai conseguir o retorno financeiro.
Quando se tem a terra, e com a ajuda dos projectos, é bem mais fácil. Ainda assim, é preciso fazer bem as contas, porque o prémio não dá na maioria das vezes sequer para as máquinas.

Relativamente às actividades, há que ver a região e aquilo que se pode produzir. Depois é preciso ver se vale a pena. E aí é que tudo se complica. A maioria dos sectores estão de rastos. Veja-se o leite, a carne. Na fruta e no vinho, apenas compensa em zonas de vinhos de qualidade.

Falaram no Mirtilo. Essa é uma cultura com um certo interesse. Há elevada procura, adapta-se bem aos nossos solos ácidos e ao clima. O problema pode estar no escoamento, na exportação. Parece-me que brevemente vai passar a ser como noutros sectores, em que os intermediários ficam com a maior fatia.

Nem mais! Começar na agricultura, do zero, é neste momento quase impossível! Está dependente de um grande investimento inicial que demorará muitos anos a ser amortizado!
 
E qual é a piada óbvia? Tem a ver com nabos, grelos e tomates?[:D]

Há coisas que se cultivam que rendem muito mais dinheiro que isso que referes. [:p][:p]

Mas aligeirando a brincadeira e virando-a ligeiramente tentando ser sério, eu se ponderasse virar-me para a agricultura, tentaria informar-me sobre isto e tentar uma plantação de canhâmo. Deixo o seguinte excerto de um texto para quem estiver interessado. Eu acredito que é nestes nichos que existem possibilidades de sucesso. No link que deixo no fim do post encaminha para um blog onde estão respondidas mais algumas perguntas sobre esta planta e como obter autorização [;)]

À medida que a nossa civilização percebe que não existe separação entre a humanidade e a natureza, ficamos mais capazes de atingir um estado de evolução sustentável, transformando a sociedade e restaurando a saúde do nosso planeta. Para além da sobrevivência temos aqui uma bela oportunidade. Este planeta, a nossa casa, é uma jóia maravilhosa sem preço, e, se nós o respeitarmos e soubermos dar-lhe valor, podemos elevar profundamente a nossa relação com o ambiente. No sentido de desenvolver uma economia sustentável e providenciar um standard de vida mais saudável para o nosso futuro, temos de trabalhar com as plantas e desenvolver métodos agrícolas e métodos de processamento amigos do ambiente. Neste sentido, o Cânhamo é uma planta com um potencial enorme. É a colheita agrícola com o crescimento mais rápido, é boa para a terra e não usa químicos no seu cultivo. O Cânhamo providencia uma miríade de utilidades valiosas, incluindo têxteis, geração de energia, papel, materiais de construção, materiais compostos não urdidos para a construção automóvel e outras indústrias, bio-plásticos, comida, cosméticos e muito mais. E como o Cânhamo é biodegradável e natural, não fará parte do desperdício que enche as lixeiras e polui o nosso mundo.
Cânhamo como alternativa ao Algodão

O Cânhamo providência uma alternativa ecológica à cultura do algodão não biológico e ambientalmente destrutiva. O Algodão é uma das culturas mais destrutivas do ambiente, usando mais de 124.74 milhões de quilos de pesticidas, e isto só nos Estados Unidos. Isto em adição às quantidades massivas de fertilizantes, desfolhantes, reguladores de crescimento e biocidas em geral como o brometo metílico. A produção de algodão requer uma quantidade imensa de água, que pode esgotar este recurso e pode causar depósitos de sal no solo, enquanto o Cânhamo não precisa muita de irrigação. Também, o espaço entre as plantas que o algodão requer, faz com que o solo seque e oxide, libertando carbono para a atmosfera e diminuindo a fertilidade do mesmo.

Cânhamo como alternativa ao combustível fóssil

O Cânhamo pode reduzir a utilização de fibras têxteis sintéticas. As fibras têxteis sintéticas não são biodegradáveis, geram poluição na sua produção e são feitas de petróleo não renovável. O Cânhamo pode ajudar-nos a mudar para uma economia sustentada pelos hidratos de carbono, porque é o maior produtor de biomassa de qualquer cultura agrícola no planeta. Isto tem um potencial tremendo para qualquer sistema gerador de energia por biomassa e também é matéria-prima para bio-plásticos que são completamente biodegradáveis e não contaminam o solo depois de decompostos nem emitem gases nocivos se incinerados.

Cânhamo como alternativa à desflorestação

O Cânhamo pode ser transformado em material de construção e produtos de papel de enorme resistência e qualidade, aliviando algum do peso insustentável dado às nossas florestas. De facto, um acre de Cânhamo produz quatro vezes mais polpa para fazer papel do que um acre de árvores quando calculado numa base anual. Para mais, a polpa do Cânhamo não precisa de lixívia na sua produção, devido ao seu baixo teor de lignina, e não há dioxinas produzidas na sua manufactura.

Vantagens do Cânhamo no Vestuário

Da corda mais forte à renda mais fina, o cânhamo é a fibra mais versátil do Mundo, sendo responsável por centenas de produtos que estão no mercado hoje em dia. O cânhamo é usado em todo o tipo de vestuário, desde meias e sapatos a casacos e vestidos; acessórios desde malas e mochilas a cortinas e toalhas de mesa. Podem fazer-se tapetes e cordas através das fibras mais grossas. A fibra mais fina é delicada suficiente para ser tecida com seda. O cânhamo é a fibra mais longa da natureza, em comparação com as outras plantas. É naturalmente resistente ao bolor e aos raios U.V. E o cânhamo torna-se mais macio com as lavagens à medida que as fibras relaxam com a água, e dura-lhe para o resto da vida!
O cânhamo é extremamente eficiente numa perspectiva ambiental com um bónus da sua grande qualidade. O cânhamo cria sementes que deixam o solo rico em depósitos de nitrogénio, fazendo crescer a produção das colheitas rotativas tais como as de soja e milho. Não usando praticamente pesticidas, o cânhamo produz mais 250% de fibras do que o algodão. Além de que o algodão requer mais água e pesticidas do que outra colheita comercial, deixando o solo empobrecido. A planta de algodão já foi tão geneticamente modificada que não se pode considerar uma fibra natural, mas sim uma planta que só se mantém através da pulverização de químicos. Pense nisto a próxima vez que comprar 100% algodão que não seja biológico.
Porquê escolher os nossos Cosméticos Naturais de Cânhamo
Muitas pessoas não fazem ideia que os produtos de maquilhagem e cuidados pessoais que aplicam na cara e no corpo têm o petróleo como base. Para percebermos porque é que os óleos minerais estão longe de ser uma contribuição para a saúde e beleza, primeiro temos que perceber que toda a vida na terra é baseada, essencialmente em carbono, oxigeno e hidrogénio. Plantas vivas e outros organismos são baseados em carbono vivo. A vida existente há milhões de anos ou está fossilizada ou tornou-se carbono “morto”. Quando usamos cosméticos que contêm óleos minerais estamos basicamente a tentar revitalizar os nossos corpos com materiais mortos. Isto não faz sentido. Apenas os óleos de plantas vivas – fontes de carbono vivo - contêm propriedades regenerativas. Então porque é que o óleo mineral existe em tantos produtos? Numa só palavra: Preço! À parte de ser um óleo incolor e inodoro, a sua principal vantagem é que poucos óleos vegetais conseguem competir economicamente com eles. No fim, a nós como consumidores é-nos oferecido uma notável linha de cosméticos que beneficia a nossa saúde tanto como um hambúrguer McDonald’s. Também é sabido que o óleo de cânhamo, é altamente nutritivo, essencial para o cabelo e pele, promove o crescimento e retarda o envelhecimento.
O cânhamo tem excelentes propriedades regenerativas e hidratantes para a recuperação de doenças de pele e é particularmente usado por pessoas que sofrem de eczema e psoríase. No reino das plantas, o cânhamo contém a mais elevada quantidade de ácidos gordos essenciais para a saúde do nosso corpo e foi provado cientificamente, ter efeitos bioquímicos e terapêuticos quando aplicados. O óleo de cânhamo pode ser encontrado em champôs, sabonetes, gel de banho, cremes, óleos de massagem, batom e outras preparações de cosméticos.
Para mais, os nossos cosméticos da VERDE SATIVA não contêm quaisquer substâncias suspeitas e são VEGAN. J


fonte
 
E quem iria depois comprar o canhamo produzido?

Portugal gasta 18 milhões de euros anuais a importar canhâmo de vários países da UE e até da china. Portanto deve haver quem o compre, mas se não comprar é só mais uma das coisas que vai mal por cá...

Devia-se poder vender para a portucel, para fábricas de têxteis, vender as sementes para produto gourmet/medicina alternativa, enfim eu acho que é um produto com potencial. Eu não percebo muito de agricultura, mas por exemplo acredito que deve ser muito melhor que plantar abóboras. Que é um produto com pouco consumo, e de consumo muito limitado. Acredito que economicamente seria muito mais viável e inteligente. O problema é o estigma... [s)]
 
Não.

Os meus pais são agricultores no Douro e as uvas só são pagas um ano depois, as espécies de maçãs únicas no mundo não servem para as grandes superfícies e os consumidores não ligam ao sabor e riqueza, preferem beleza insípida. As amêndoas, cerejas, pêras, nozes, castanhas, amoras, azeite, azeitona e um sem numero de outros produtos são vendidos as cooperativas de Espanha que pagam melhor e transformam o que não vendem aos consumidores.

Os últimos trinta e cinco anos de governação, usaram as obras publicas para criar melhores vias de comunicação para Espanha e muito poucas para os portos nacionais ou para as cidades do litoral, o que justifica, ainda mais, o vender directamente as cooperativas espanholas que as revendem cá muito mais caros e com o selo de feito em Espanha. Viver de agricultura cá, só se for de subsídios europeus, para deixar as terras de pousio.
 
De facto começar do zero é complicado, mais complicado é quando começam a meter distribuidores pelo meio...mas distribuidores não são uma necessidade absoluta.

Tenho exemplos na família em que as produções são encomendadas/contractadas directamente pela empresa/sociedade que vende ao público o produto. Ambos ganham e não há intermediários a mamar. Aliás para certas produções até disponibilizam apoio logístico e técnico ao "produtor" (entre aspas, porque às vezes é quase só um aluguer de uma propriedade).

Além do mais existe vida para além de Portugal. E se em Portugal por exemplo a laranja tem valores semelhantes independentemente da qualidade em países como o UK tanto se compra uma laranja a 30p como a 60p...se formos para supermercados sem ser low cost o preço ainda sobe ainda mais.

Por isso digo que a agricultura é lucrativa...agora é preciso capital, estrutura, know how!?, mas principalmente capacidade de ir lá fora vender o produto.
 
Voltar
Superior