Dito isto, não vejo problemas absolutamente nenhuns num relação funcionar com elevadas discrepâncias salariais. Para mim é um não-assunto.
Para ti, talvez. Mas para a maior parte das pessoas pode ser problemático se for ela a ganhar muito mais que ele, e isto por dois motivos:
Tradicionalmente o homem é o 'provider'. É ele quem protege e assegura o bem estar financeiro da familia. São eles que vão para a guerra e dão a vida, se necessário, para proteger as mulheres e crianças que ficaram para trás. As mulheres, por sua vez, tomam conta da 'casa' e das crianças.
Esta dualidade de papeis, que são complementares, tem uma raiz biológica crucial: por algum motivo os homens são fisicamente mais fortes que as mulheres.
Com a vida moderna, a emancipação da mulher e a sua entrada no mercado de trabalho, estes papeis, que antigamente estavam muito bem defenidos, estão agora esbatidos, podendo inclusive inverter-se.
O problema disto é que a raiz da coisa continua a ser biológica e não cultural. Como tal, o homem continua a sentir necessidade de proteger, e a mulher de ser protegida, mesmo que isto não faça assim tanto sentido nesta nossa sociedade moderna. Pior, se antigamente havia um equilibrio, com papeis bem definidos e complementares, agora não há.
Quando o papel se inverte e é a mulher que 'paga as contas', o homem pode sentir-se inseguro e inadequado. Da mesma maneira, a mulher pode sentir-se obrigada a assumir o papel tradicional do homem - não é que ela não o faça se for preciso, mas, na generalidade, as mulheres não gostam disso.
Enquanto o homem precisa de sentir a responsabilidade de ter pessoas que dependem dele, a mulher precisa de sentir que tem alguém ao lado a cuidar dela. Eventualmente uma inversão de papeis pode acabar em sentimentos de desprezo da parte da mulher, e num sentimento de inferioridade e de inadequação por parte do homem. Nada disto é saudável.