[Estradas] Descobrir o IC5

mariomtps

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Já andava algo faminto, quase desesperado em fazer uma cavalgada na minha BMW RT.
Tinha ouvido falar da inauguração do último troço do IC5, mas mesmo na net a informação é escassa. Por isso, de um momento para o outro agarrei no meu GPS e lancei-me à estrada.
Fui em direcção à vila onde diziam que tinha o seu início e chegado a Murça, nem sequer uma placa a indicar onde ou para onde era (por sinal o Presidente da Câmara achou tão importante a obra que nada fez). Lá tive que utilizar a técnica mais eficiente para colher informações fidedignas e dirigi-me a um posto de gasolina. Aí fui confrontado com a primeira mentira: afinal o IC5 não começa em Murça, quem quiser desfrutar desta grande infra-estrutura, tem que andar mais 11 Km. Lá tive que fazer as apertadas e fastidiosas curvas da famosa “Rampa Porca de Murça” (há quem goste, eu não) e no cruzamento com o IP4 (em obras) lá começou o famigerado IC5.
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A obra sem dúvida é de respeito. A configuração é a tradicional para um IP (uma via para cada lado e duas vias nas subidas), mas tem imensas rectas longas, as curvas são amplas e tem muitas pontes a ultrapassar rios e vales. A velocidade autorizada é de 90 Km/h mas dá para circular perfeitamente a velocidades (com segurança) que dão direito a ficar sem carta durante muito tempo.
Depois de atravessarmos o concelho de Alijó, rapidamente passamos Carrazeda de Ansiães. Note-se que em mais de metade do percurso do IC5, até Mogadouro, concretiza uma ligação outrora inexistente.
Íamos então ao largo de Carrazeda. Nem se chega a ver. De imediato o sentido inflecte de Este para Nordeste, passando Vila Flor quando, passados um par de quilómetros, desaguamos numa rotunda sem qualquer indicação de continuidade do IC5. Antes disso, tinha visto que para a direita podia rumar para a Guarda via IP2 e contornando a rotunda poderia virar para o IP2 em direcção Norte, para Macedo de Cavaleiros, etc..
A minha reacção foi não reagir; continuei pela nacional até que me fartei e vi que para ali não era de certeza o famigerado itinerário. Mais uma vez dirigi-me ao um posto de informação, quero dizer, de combustível, e aí informaram-me que a direcção era do IP2, mas 2 Km depois teria uma indicação para seguir o IC5. Talvez para me sentir menos estúpido, também me confirmou que não faltavam por aqueles lados, condutores enganados, devido à sinalização insuficiente. É assim que andamos (mal) governados.
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Última edição:
Pois bem, lá voltei para trás e depois de entrar no IP2, apareceu a dita indicação para virar à esquerda a 1500m em direcção a Mogadouro, etc..
A partir daqui o trajecto passou a ser mais isolado de povoações e terrenos agrícolas, com muitas subidas e descidas, rodeadas de mato de giesta, urze, e alguns pinheiros e carvalhos que se devem ter salvado da devastação de fogos de outros anos.
No entanto era inevitável apreciar o verdejante da paisagem. Depois da perspectiva de uma grave seca, fomos abençoados com uma abundante chuva, resultando numa Primavera glamorosa. Agora há que saber apreciar.
Alfandega da Fé também passa despercebido, mas em contrapartida deparamo-nos com um dos mais belos postais do trajecto – Mogadouro, enquadrado por verdejantes campos de cereais.
A partir daqui até ao fim do percurso em Duas Igrejas, (a 8 Km de Miranda do Douro) seguiram-se retas de perder de vista, sempre acompanhado pela N102, convidando-me a enrolar o punho, mas não caí na tentação, pois o objectivo era muito mais enriquecedor – tão somente apreciar a paisagem.
Uma coisa que reparei em todo o trajecto, é que o mesmo estava literalmente “às moscas”. Um carro ou um camião de vez em quando…. mas que é que se passa?, perguntei eu a mim próprio. Os combustíveis estão caros, mas não existem portagens, pelo menos por agora. Depois na estrada nacional em direcção a Vimioso constatei a mesma coisa, chegando à inevitável conclusão de que todo o norte interior está deserto. Digamos que ter feito o IC5 naquele local, é como fazer um restaurante num cemitério e esperar que os residentes lá vão. Tarde demais.
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Última edição:
Também vi por três vezes cartazes de agradecimentos ao nosso mais recente ex- primeiro-ministro: “ Obrigado Sócrates, o povo de/o PS de / o concelho de (…) está agradecido”. Bom, sobre isso eu só tenho a acrescentar que não só eles, devem estar muito agradecidas, mas também as empresas construtoras, os seus dirigentes, nos quais estão incluídos políticos e respectivas famílias, a banca e todo o país em geral, por toda a dívida acumulada e que agora temos que pagar com elevados juros e sacrifícios.
Passado Vimioso, armei-me em inteligente e segui as placas para Bragança, ignorando o (bom?) conselho do GPS que me dizia insistentemente para ir para Norte pela N218-2, por Pinelo.
Ainda não sei se fiz bem ou mal, só sei que a estrada era larga mas algo irregular, desembocando no IP4 sem contar, já muito perto da fronteira de Quintanilha.
Ao aproximar-me de Bragança, levei com mais uma rasteira. Entrei sem contar na nova auto-estrada e ainda tremi quando vi a anunciar “troço com portagem”, mas felizmente saí imediatamente antes, pela entrada Sul da cidade (o IP4 contorna pelo Norte e a AE pelo sul).
Depois de uma demorada paragem, lá fui eu para a minha estrada preferida em direcção a Chaves– a N103. Já tinha tantas saudades, que nem me rendeu nada. Apenas o sol, a aflorar no cimo das montanhas, me fazia lembrar que o dia estava a chegar ao fim.
Estatística:
· Distância do percurso – 381 Km;
· Distância do IC5 (aprox) – 140 Km
· Velocidade média – 82 km/h;
· Consumo – 4,9 l/100 Km;
· Ascensão acumulada – 5871 m;
· Ponto mais alto alcançado (Sta. Leocádia, Carrazedo Montenegro)– 922 m;
· Ponto mais baixo alcançado (perto Vila Flor – IP2)– 195 m.
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Obrigado pelo relato :)

Já fiz uma parte desse IC5 e realmente é uma estrada muito porreira! Na altura, terminava numa rotunda, penso que pouco antes de carrazeda.
 
Bom Relato.

A parte da N103 de Bragança pra Chaves é que não me agradou nadinha. Tem ali partes que já enjoa de curvas.
 
Obrigado pelo conselho. Deixei a matricula visível conscientemente, porque neste fórum e em Portugal só há bons rapazes![:D] Também me custa a acreditar que com tantas matrículas que há por essas estradas fora, estejam à espera de ver uma na net para fazer falcatruas.
Se eu fosse a ti, evitava colocar a matricula da moto na net. [;)]

Cumps
 
Obrigado pelo conselho. Deixei a matricula visível conscientemente, porque neste fórum e em Portugal só há bons rapazes![:D] Também me custa a acreditar que com tantas matrículas que há por essas estradas fora, estejam à espera de ver uma na net para fazer falcatruas.

É só pelo facto de que, através da matricula, é possível e relativamente fácil saber quem é o dono da moto, morada do mesmo, entre outras coisas.

Eu acho que é preferível jogar pelo seguro. [;)]
 
belo relato que li enquanto saboreava o meu almoço, muito bem escrito, elaborado e bastante descritivo... apr:)

bela moça que deixei para trás e que era de remondes (mogadouro). suspiro...
 
Muitos parabéns pelo relato. apr:)apr:)apr:)

De facto, o interior do nosso território, tem muitas estradas que estão praticamente às moscas.
 
boas tirando algumas coisas esta de facto bem feita, considerando a difícil topografiaapr:) cuidado com os radares, com a ip4 cheia de obras eles mudaram-se para a IC5 e já la apanharam um a 245kmh. abc
 
Muitos parabéns pelo relato. apr:)apr:)apr:)

De facto, o interior do nosso território, tem muitas estradas que estão praticamente às moscas.

Vais-me desculpar. mas não poderia deixar de comentar a frase a negrito.

Por essa ordem de ideias, achas que, por haver pouca gente no interior do país, essa gente não deveria ter direito a vias de comunicação decentes?

Dada a geografia da zona (Moro dentro a influência desse IC5, embora ainda não o tenha utilizado na sua totalidade) sabes como era dificil a deslocação de pessoas e bens nessa zona?

Só para te dar um pequeno exemplo de como, e apenas para mim, encurtou em cerca de 15 min (retirados agora com as obras do IP4) as idas à aldeia.

Do Pópulo (onde começa o IC5) a Alijó, antes do IC5 com sorte fazia esse percurso em 30 min, numa estrada cheia de curvas, aldeias, campos agrícola etc, e mesmo esses 30 min era com a sorte de não apanhares nenhum camião.

Com IC5 e nesse curto trajecto (são cerca de 20Km) o tempo para os percorrer encurtou para 15min.

Se calhar este investimento em vias de comunicação pode trazer (e espero que traga) uma nova vida ao interior do país.

Portugal não é só Lisboa e Porto.
 
Vais-me desculpar. mas não poderia deixar de comentar a frase a negrito.

Por essa ordem de ideias, achas que, por haver pouca gente no interior do país, essa gente não deveria ter direito a vias de comunicação decentes?

Dada a geografia da zona (Moro dentro a influência desse IC5, embora ainda não o tenha utilizado na sua totalidade) sabes como era dificil a deslocação de pessoas e bens nessa zona?

Só para te dar um pequeno exemplo de como, e apenas para mim, encurtou em cerca de 15 min (retirados agora com as obras do IP4) as idas à aldeia.

Do Pópulo (onde começa o IC5) a Alijó, antes do IC5 com sorte fazia esse percurso em 30 min, numa estrada cheia de curvas, aldeias, campos agrícola etc, e mesmo esses 30 min era com a sorte de não apanhares nenhum camião.

Com IC5 e nesse curto trajecto (são cerca de 20Km) o tempo para os percorrer encurtou para 15min.

Se calhar este investimento em vias de comunicação pode trazer (e espero que traga) uma nova vida ao interior do país.

Portugal não é só Lisboa e Porto.

Bem, isso é que é um grande sentido de interpretação! [:D]

Eu interpreto aquilo mais num sentido de que essas estradas, dadas as circunstâncias referidas, poderem proporcionar bons momentos de diversão ao volante. Nem mais, nem menos.
 
Bem, isso é que é um grande sentido de interpretação! [:D]

Eu interpreto aquilo mais num sentido de que essas estradas, dadas as circunstâncias referidas, poderem proporcionar bons momentos de diversão ao volante. Nem mais, nem menos.

Penso que se tivesses lido todos os posts com atenção, terias percebido que o user mariomtps tinha comentado que no IC5 tinha encontrado muito pouco Trânsito, e não se estava a referir à estradas nacionais.

O mesmo user também disse que o IC5, à parte de alguns troços, tinha rectas a perder de vista, onde e cito "poderia enrolar o punho".

Já agora também gosto de bons momentos de diversão ao volante, e por vezes, desvio-me dos IPs/ICs para isso mesmo, mas há dias em que o tempo ou o cansaço não dá para essas brincadeiras.
 
Vais-me desculpar. mas não poderia deixar de comentar a frase a negrito.

Por essa ordem de ideias, achas que, por haver pouca gente no interior do país, essa gente não deveria ter direito a vias de comunicação decentes?

Dada a geografia da zona (Moro dentro a influência desse IC5, embora ainda não o tenha utilizado na sua totalidade) sabes como era dificil a deslocação de pessoas e bens nessa zona?

Só para te dar um pequeno exemplo de como, e apenas para mim, encurtou em cerca de 15 min (retirados agora com as obras do IP4) as idas à aldeia.

Do Pópulo (onde começa o IC5) a Alijó, antes do IC5 com sorte fazia esse percurso em 30 min, numa estrada cheia de curvas, aldeias, campos agrícola etc, e mesmo esses 30 min era com a sorte de não apanhares nenhum camião.

Com IC5 e nesse curto trajecto (são cerca de 20Km) o tempo para os percorrer encurtou para 15min.

Se calhar este investimento em vias de comunicação pode trazer (e espero que traga) uma nova vida ao interior do país.

Portugal não é só Lisboa e Porto.

Bem, isso é que é um grande sentido de interpretação! [:D]

Eu interpreto aquilo mais num sentido de que essas estradas, dadas as circunstâncias referidas, poderem proporcionar bons momentos de diversão ao volante. Nem mais, nem menos.

Cheires, o que eu quis referir com a frase que colocas-te a negrito, foi no sentido que o DigCb refere. [;)]

Longe de mim, querer que certas partes do país, sejam beneficiadas em relação a outras, somente pela sua densidade populacional e pela afluência que possam fazer das ditas estradas.

Peço desculpa, se não fui demasiadamente explícito na minha intervenção.

Não foi de forma alguma, a descriminar conforme possas ter interpretado.
 
Cheires, o que eu quis referir com a frase que colocas-te a negrito, foi no sentido que o DigCb refere. [;)]

Longe de mim, querer que certas partes do país, sejam beneficiadas em relação a outras, somente pela sua densidade populacional e pela afluência que possam fazer das ditas estradas.

Peço desculpa, se não fui demasiadamente explícito na minha intervenção.

Não foi de forma alguma, a descriminar conforme possas ter interpretado.

Assunto esclarecido, então. [;)]

Por acaso, e como refreri no meu ultimo post, pensei que tinhas feito esse comentário pelo que o autor do tópico tinha dito (pouco trânsito no IC5).

Assim, tenho que apresentar as minhas desculpas ao DigCb.

Em todo o caso ficou o meu, pequeno, exemplo de como este tipo de novas vias de comunicação melhoram a vida das populações do interior do país.

A mim apenas me poupa 15 minutos, agora imaginem o que poupa aos habitantes de Miranda do Douro, Mogadouro, Alfândega da Fé que se queiram deslocar por exemplo ao Porto.

Quanto às estradas sem trânsito, sim, tem algumas que são mesmo apetecíveis para uns Km de puro divertimento, e agora, graças ao IC5 esse divertimento aumenta já que o trânsito também diminui nessas estradas.
 
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