Mas vocês fazem logo comparações assim um tanto ou quanto descabidas...
Vai-se buscar usados importados com 10 anos e quilometros a mais que os mágicos 100 000 anunciados... é claro que poderá trazer mais dores de cabeça a um potencial dono quando comparado com um carro novo.
Mas se procurarmos nos usados coisas com 2, 3 anos, ainda com quilometragens baixas, e que já levaram uma boa "talhada" no seu preço, acaba por ser dificil justificar carros com o logo da Dacia.
A estratégia de produto da Dacia está cheia de toques de miserabilidade conceptual e de produto.
O ingrediente low-cost não é algo contemplado na raiz do projecto e assumido por tudo o que implica o automóvel, desde a produção, à qualidade aparente e real, até À utilização.
Pegar no que já existe e torná-lo pior (sobretudo nos capitulos segurança e qualidade, que é onde os Dacia mais divergem) para apenas conseguir um custo de aquisição inferior, a meu ver, exemplifica perfeitamente o caminho a não seguir.
O low-cost poderia ser um caminho virtuoso, conseguindo um produto tão bom ou melhor que o que temos agora na generalidade do mercado, mas com custos gerais inferiores, seja na linha de produção, seja na aquisição e uso do mesmo. Só que isso obriga a um bocadinho de mais trabalho na fase de concepção e projectação que o que foi investido na execução dos modelos da Dacia.
Já referi várias vezes que existem actualmente soluções tecnológicas e industriais que permitem a criação de carros tão bons como os actuais ou até melhores, mas com a parcela custo a vários niveis reduzida.
Claro que existem questões de investimento, já que maior parte destas soluções não são compativeis com os sistemas produtivos actuais, neste caso, os usados pela Renault-Nissan, e, dado as estratégias de branding actuais, seria um pouco insólito ver um modelo da Dacia, de custo reduzido, qualitativamente igual ou superior aos modelos Renault e Nissan equivalentes, apesar de custarem muito mais.
Low-cost é uma oportunidade de ouro para a industria, mas o mote dado pela Renault apenas levou a que outros seguissem o mesmo caminho do facilitsmo e miserabilidade conceptual. Para já não tanto na Euroland, onde a Dacia segue orgulhosamente só, mas vemos (e víamos mesmo antes da invasão europeia da Dacia) a mesma estratégia aplicada de forma expressiva em alguns mercados asiáticos, africanos e sul-americanos pelos mais diversos construtores.