O presidente executivo dos CTT admitiu existirem “evidências” da ocorrência de falsas tentativas de entrega de encomendas por parte de estafetas ao serviço da empresa. Nesta que foi a primeira vez que abordou publicamente o assunto, João Bento explicou que o grupo está a tentar resolver o problema com recurso a tecnologia.
“Há evidências de que isso acontece”, respondeu o gestor esta terça-feira, quando confrontado pelo ECO com esta queixa recorrente feita por utilizadores. “Tem a ver com comportamentos individuais e achamos que é por via da tecnologia que se pode melhorar”, afirmou o líder do grupo postal, salientando que os CTT estão “muito ativos” nessa vertente. O responsável falava à margem do CTT e-Commerce Day, uma conferência sobre comércio eletrónico organizada pela empresa em Lisboa.
As falsas tentativas de entrega acontecem quando um estafeta da empresa não toca à campainha do destinatário da encomenda, ou não tenta o contacto com o mesmo, optando apenas por deixar um aviso de tentativa de entrega na caixa do correio. Os utilizadores são, depois, forçados a levantar a encomenda mais tarde num posto de correios, mesmo que estivessem na morada de destino, prontos para a receber.
Uma pesquisa no Google mostra múltiplos resultados de queixas de utentes que alegam falsas tentativas de entrega por parte da empresa portuguesa. “Já é a sexta vez num mês que recebo avisos de tentativa de entrega no correio, sendo que eu estive sempre em casa”, lê-se numa queixa publicada no site da Deco Proteste. No Portal da Queixa, outro utente alega ter estado o dia todo em casa à espera de uma encomenda, tendo encontrado o aviso de tentativa na caixa do correio.
A recorrência do problema chegou a fazer do tema uma piada repetida no Twitter: “Eu consigo acreditar em tudo, menos nos avisos de tentativa de entrega dos CTT”, escreveu um utilizador na rede social. “Eu gostava de saber como é que os CTT dizem que houve uma tentativa de entrega, se esteve gente todo o dia em casa e ninguém apareceu”, publicou outro na mesma plataforma.