Achei este artigo de opinião interessante:
Balanço de quatro anos Sócrates
A vida é assim mesmo. Olhando para a mesma coisa, uns vêm preto e outros vêm branco. Não vale a pena discutirmos a respeito, é assim que são as coisas!
Contudo, coisas há que são o que são. Por exemplo, o PS e o nosso primeiro ministro foram muito criticados na última campanha eleitoral porque não tinha programa eleitoral, porque não fazia promessas, porque não se queria comprometer, lembram-se!? Hoje é criticado pela oposição por não cumprir promessas(!?).
Pois bem, agora que estamos a chegar ao final de uma legislatura preconizada por um governo e governante que nada prometeram, acho que é chegada a hora do balanço, da avaliação. No entanto, e antes de avançarmos, tenham em mente a seguinte afirmação “os resultados práticos das políticas começam-se a ver 5 anos depois de serem aplicadas”.
Tendo em conta a ultima frase, vamos a isso. Este governo que nada prometeu, começou por meter a mão no bolso dos ricos, com a lei dos genéricos ao mesmo tempo que nos punha a mão no bolso de todos com o aumento do IVA, por causa da política orçamental que militou durante os primeiros 3 anos de mandato. Resultados práticos, acabaram com um lobby e com um monopólio e aumentaram o custo de vida a todos os portugueses. No entanto, e apenas dois anos volvidos, o défice desceu de 6,8% do PIB para menos de 3% pelo que é possível estabelecermos uma relação causa – efeito.
De facto, assim se podem resumir os primeiros 3 anos de governo, estabilização das finanças públicas. E se por um lado o objectivo foi cumprido, por outro a crise demonstrou que o equilíbrio era frágil e que nem sempre está nas mãos dos governantes e adjacente ás suas políticas. Talvez, então, o obsessão do défice devesse ter sido menos obsessiva. Por isso, e apesar de no primeiro impacto eu ter ficado satisfeito com o governo pela estabilização do défice, reservo agora os meus parabéns para o pós-crise e depois de ver como será a recuperação nesse particular.
Outra palavra que tende a surgir como resumo desta legislatura é “arrogante”. Pelos vistos, na opinião pública, o nosso primeiro é arrogante. Bom, lembrando-me das criticas feitas ao Guterres, de que era “frouxo”, que cedia muito facilmente, chego facilmente à conclusão de que os portugueses não sabem o que querem. Até porque, se fizermos uma média aritmética entre o Cavaco e o Guterres deveremos obter um Sócrates portanto, mais ao meio que isto deve ser difícil. O que eu considero é que o Engº Sócrates é sim, um governante corajoso, decidido e firme no rumo que traça, mas que já provou com a questão do aeroporto, que perante provas irrefutáveis, também sabe voltar a trás. Aliás sobre esse episódio, ainda hoje espero ver publicamente o que foi prometido pelo senhor Marques Mendes, que um dia disse a uma televisão que daria os parabéns ao Engº Sócrates se este desistisse da Ota. Ou seja, quer queiramos quer não, o Engº Sócrates foi eleito para pôr em prática o seu plano de governação e o que alguns chamam de arrogância é algo que eu estimo muito nele e que chamo antes de coragem política. Tem a coragem de seguir enfrente com as suas políticas mesmo quando são impopulares e lhe podem custar votos.
Como grande marca para o futuro, deixa o tão criticado e mal-amado choque tecnológico, “personificado” pelo Magalhães. Portugal tem sido, nas últimas décadas, o deserto onde Judas da Tecnologia perdeu as botas. Aliás, ainda ontem vi Drª Manuela Ferreira Leite chamar Power Point ao teleponto três vezes seguidas(!!) durante o programa “Grande Entrevista” da RTP e isso por si só, chega para demonstrar a vivência que os portugueses com mais de 40 anos têm com a tecnologia. O nosso primeiro ministro, não só conseguiu criar um programa inovador, invejado e gabado por uma das maiores potências tecnológicas do mundo, os Estado Unidos, como conseguiu também exportar o conceito, a ideia e o produto. Em apenas 4 anos, Portugal evoluiu 30 em termos tecnológicos para passar da cauda do mundo para a cabeça, para a vanguarda. Passamos a ser um dos países mais evoluídos em termos de serviços públicos disponíveis online. Damos formação tecnológica, vital no futuro, a todos os nossos jovens desde a 1ª classe, que é bom de lembrar, também já aprendem o não menos vital inglês. Os nossos serviços multibanco são invejados em todo o mundo! Basta usarem um multibanco em Espanha, para saberem do que vos estou a falar.
No mundo da globalização, Portugal tem uma posição central privilegiada. Se na Europa estamos numa das extremidades, no mundo unido somos o centro. Estamos entre a zona desenvolvida da Europa e os Estados Unidos, posição geográfica que “partilhamos” com o Reino Unido, mas tornamos a ser a ponte com a América do Sul, e podemos e devemos ser uma ponte com África. Temos o Português que nos une a países chave nesses continentes. Pois bem, as políticas levadas a cabo pelo Engº Sócrates no sentido do desenvolvimento e modernização do nosso país em termos tecnológicos e científicos preparam-nos para podermos um dia estarmos à altura de sermos o centro do mundo e não perdermos essa posição central para a Espanha ou para o Reino Unido.
Dentro de 20 anos, todos os portugueses usarão um computador como muitos dos nossos adultos não usam hoje o papel e a caneta e saudosismos à parte, esse é um desenvolvimento essencial para o nosso país.
Enfim, também temos os casos por explicar tipo “Freeport”. Também temos tido alguma polémica interna no PS. Em Portugal gostamos pouco de ser mandados, somos todos chefes, e termos um primeiro que corta a direito sem pedir licença, que arregaça as mangas e deixa obra feita sem ir ao beija-mão e sem pedir autorização aos “históricos” realmente deixa muita gente triste e insegura e daí a “arrogância”. Nem tudo foram rosas, e houve, e há, muitos espinhos mas o José Sócrates foi, é e será o meu candidato para primeiro ministro.